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Análise: Mystik Belle (Multi) — entre carisma, magia e puzzles

Explore uma escola de magia nesse indie com características de metroidvania e aventura point and click.


Quando o preparo de uma poção mágica a ser utilizada em um ritual especial é sabotado, sobra para uma aprendiz de feiticeira a tarefa de coletar novos ingredientes. É assim que começa Mystik Belle, um carismático título indie para PlayStation 4, Xbox One e PC. A aventura da bruxinha mescla plataforma e resolução de enigmas, resultando em uma experiência agradável.

Puzzles em uma escola de feitiçaria

Em um primeiro momento, a tarefa da aprendiz de bruxa Belle McFae lembra um representante do gênero metroidvania. No controle da garota, exploramos o castelo da escola de bruxaria Hagmore em busca dos ingredientes para fazer a poção Walpurgisnacht. Como é de praxe, o local conta com mapa complexo e várias seções impossíveis de se acessar em um primeiro momento, além de uma diversidade de monstros a serem enfrentados. Aliás, sinceramente, quem deixa tantas criaturas malignas à solta em uma escola?


Apesar de já ter visto isso aos montes no gênero, Mystik Belle se diferencia por conta de uma característica: o jogo é uma espécie de aventura point and click com perspectiva de plataforma. Sendo assim, para avançar, precisamos coletar vários itens e resolver puzzles. Alguns objetos, por exemplo, nós temos que entregar para personagens específicos, já em outras situações precisamos combinar corretamente certos itens para prosseguir.

Além de resolver os problemas dos outros personagens, alteramos também o mundo ao solucionar os enigmas propostos. Um exemplo é um corredor bloqueado por plantas assassinas que, uma vez exterminadas com um agrotóxico, remove vinhas de outras partes do castelo, permitindo visitar novos locais. Em outro momento, precisamos desbloquear um alçapão com a ajuda de um pé de cabra. Encontrar o item certo para interagir com o cenário é parte do desafio.

Fora isso, gostei bastante também dos momentos de plataforma. Com a ajuda de  sua varinha mágica, Belle dispara bolas de fogo para derrotar os inimigos — cada monstro abatido aumenta a experiência da garota, essencial para fortalecer a vida e a potência dos feitiços de ataque. A garota também adquire novas habilidades que expandem sua capacidade de explorar o castelo, como o pulo duplo ou uma magia elétrica capaz de ativar alguns dispositivos.


O combate não é difícil e muitos monstros morrem ao entrar em contato com Belle, as batalhas com os chefes, contudo, são mais complicadas — foram esses momentos os responsáveis pela maioria das minhas mortes. Além disso, os saltos não são muito precisos, o que me fez cair em espinhos e outras armadilhas sem querer. Achei isso um bocado estranho, embora isso não tenha atrapalhado minha experiência, pois o foco é justamente resolver os puzzles, o que justifica as mecânicas simplificadas de combate e as sessões de plataformas meio imprecisas.

O visual deixa a aventura ainda mais prazerosa. Sempre gostei do estilo pixel art e os gráficos de Mystik Belle me agradaram bastante por conta dos personagens grandes e detalhados. Além disso, há um recurso de iluminação bem interessante, fazendo com que todos elementos sejam influenciados por fontes de luz, criando sombras e um visual mais dinâmico e elaborado. Fiquei surpreso ao saber que o jogo é obra de um único desenvolvedor, considerando o alto nível de polimento. Destaque especial para os diálogos: Belle é muito sarcástica, resultando momentos divertidos. Nunca esqueço um momento em que um gato ignora uma caixa e Belle o classifica como “oficialmente débil”.


Complicações no castelo

A tarefa de Belle tem momentos criativos intercalados com sessões de plataforma leve, mas há alguns percalços pelo caminho.

O foco do jogo é resolver puzzles por meio de itens, porém foram vários os momentos em que eu fiquei completamente perdido sem saber como prosseguir. O motivo disso são alguns enigmas cujas soluções são difíceis de inferir, principalmente por conta de explicações insuficientes ou obscuras. Outras vezes eu até sabia os próximos passos, mas não conseguia entender como chegar na solução, como, por exemplo, um puzzle que exigia fazer um molde de uma engrenagem — eu já tinha todos os itens necessários, mas penei para descobrir como combiná-los. Outro detalhe diz respeito a alguns pontos de interação nos cenários que são difíceis de ver e acabam atrapalhando o progresso. Os vários personagens espalhados pelo castelo ajudam com dicas e instruções, mas nem sempre elas são claras ou úteis.


Outro detalhe que atrapalha a experiência é a navegação pelo castelo. O mapa não é muito grande, entretanto, a maioria das salas tem vários perigos e plataformas, tornando custoso ir de um ponto a outro. Há pontos de teletransporte, embora a quantidade seja pequena e insuficiente para amenizar o problema. Sendo assim, foi um pouco cansativo navegar pelo mapa, principalmente quando estava perdido. Uma adição à versão de consoles que alivia a repetição de explorar o mapa é um baú para guardar itens — é um recurso muito útil, pois o inventário de Belle é bem reduzido.

Aventura encantadora

Carisma é uma palavra que resume Mystik Belle por conta de seu ótimo visual, personagens inusitados e mecânicas de jogo. A mistura entre metroidvania e point and click funciona bem, resultando em uma experiência distinta sustentada pelas boas características dos dois gêneros. De negativo, existem alguns puzzles de resolução obtusas e a navegação pelo castelo é um pouco custosa, o que pode trazer momentos cansativos. Mesmo breve, Mystik Belle não deixa de ser uma aventura divertida.

Prós

  • Boa mistura de metroidvania e point and click;
  • Ótimo visual em pixel art;
  • Texto divertido.

Contras

  • Alguns puzzles com soluções difíceis de inferir;
  • Navegação custosa pelo mundo.
Mystik Belle — PS4/PC/XBO — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: João Pedro Boaventura
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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