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Análise: Steep (Multi) traz velocidade e contemplação

O novo título de esportes radicais na neve da Ubisoft recria os Alpes com belas paisagens e quatro modalidades.

Minha familiaridade com as modalidades que integram a experiência de Steep não é lá muito grande. Das atividades que realizamos no jogo eu só sei andar e olhar em um binóculo. No mundo dos jogos a coisa é um pouco parecida. Eu lembro vagamente de descer a montanha com aquele antigo título para PCs no qual o Yeti vem nos capturar, e sempre que possível jogava o 1080º Snowboarding (N64) na casa de amigos. Também havia o minigame no qual o Cloud, por algum motivo, andava de snowboard. Essas foram minhas experiências com esportes radicais desse tipo nos videogames.


Mas Steep não é apenas um jogo focado em Snowboard, Ski, Wingsuit e Paraquedismo, ele também é um ponto interessante no estilo de openworld da Ubisoft. Depois de uma saturação e de títulos próximos da mediocridade, a empresa vêm tentando fazer algo um pouco diferente com seus mundos abertos. Watch Dogs 2 já traz uma exploração mais polida e menos descartável que a de seu antecessor (talvez o grande exemplo do momento de saturação da Ubisoft e seus grandes lançamentos).

Parece que a ideia pros próximos anos é continuar nesse sentido de alterar a fórmula, e Steep se coloca dentro desse espectro. Evidentemente sua temática é diferente, já que aqui o central é encontrar lugares para realizar as quatro atividades esportivas. Em alguns momentos eu fiquei com a impressão de que o mundo aberto do jogo é um grande menu de luxo, já que tem momentos que é muito demorado chegar em um novo ponto e não há muita coisa interessante para se fazer, além de contemplar a paisagem. Isso, entretanto, é contornado pelo sistema de navegação. Após ter descoberto um ponto pelo binóculo (ou outros que vão se abrindo conforme aumentamos de LV) é possível ir direto pro lugar, chamado de Drop Zone.

Desses pontos acessamos mais rapidamente os cursos, provas e corridas, que são a coisa mais interessante do jogo. Mas há, ainda, algo de interessante em descer a montanha de maneira livre, admirar a paisagem (um dos pontos importantes do jogo) e ir vendo os outros jogadores que passam por você em uma corrida, ou quem sabe acima de sua cabeça com a Wingsuit.

É interessante fazer alguns dos cursos com outros jogadores que estão ali, e é o sistema que faz o mundo aberto ganhar mais relevância e necessidade. Não há muito a se encontrar, no entanto, em termos de exploração, a não ser as já mencionadas paisagens, que costumam ser bem bonitas e cumprem um competente papel em mostrar melhor a região dos Alpes.

Existe algum progresso no jogo, na forma de missões especiais que realizamos em cada uma das montanhas e picos. Entre deslizar de maneira mais descompromissada e ir conhecendo mais sobre a montanha (existem missões em que a própria montanha está, de certa forma, falando com você), e realizar pulos e manobras para filmagem de programas, Steep vai indo em frente, enquanto abre uma série ainda maior de corridas e provas.


Das quatro modalidades, o paraquedismo é a que funciona de maneira menos empolgante. Sendo necessário se ajustar às correntes de vento para conseguir chegar nos checkpoints e terminar o curso. Ski e Snowboard funcionam de maneira semelhante, e são aqui muito mais realistas do que voltados para uma ideia mais “arcade”. Seu avatar não vai dar pulos sobre humanos e realizar algumas dezenas de movimentos antes de cair novamente na neve, mas sim saltos mais realistas, e manobras também mais realistas.

A sensação de velocidade em ambas as modalidades é boa, e há provas de distintas dificuldades. As mais difíceis são, de fato, complicadas, e aqui se faz muito positiva a mecânica de recomeçarmos a prova a qualquer momento, dinamizando as tentativas. O Wingsuit é outro ponto positivo dentre as modalidades, trazendo uma sensação ainda maior de velocidade.


As provas são interessantes e casam muito bem a ideia do desafio radical com a contemplação das paisagens, algo que parece ser o que motivou a existência de Steep. Falando em contemplar, o título traz uma boa variedade de roupas e equipamentos, que podem ser conseguidos através de missões e conquistas específicas ou gastando um dinheiro interno do jogo.

Não há customização de personagem, apenas podemos ir alternando entre os esportistas presentes, mas a gama de cosméticos não deixa a desejar. E, no fim das contas, o avatar acaba escondido no meio de tanta roupa, então essa ausência é menos sentida.


Mas Steep é muito menos sobre o personagem que controlamos, e muito mais sobre as montanhas e as atividades que podemos realizar. Seu espaço de exploração é diferente, vazio em alguns aspectos, mas funciona sempre que estamos ladeira abaixo, mesmo fora de alguma prova ou curso. As modalidades cumprem o papel de dar alguma diversificada, já que a opção “realista” retira uma maior variedade de mecânicas e manobras em cada uma delas. Continuo com pouca familiaridade com esportes radicais na neve, mas a jornada pelos Alpes foi diferente, e suficientemente interessante.

Prós

  • Belas paisagens e cenários nos Alpes;
  • A alternância de modalidades diversifica a experiência;
  • Alguns cursos e provas são memoráveis.

Contras

  • Outros cursos e provas são sem graça;
  • Torna-se repetitivo rapidamente.
Steep  — PC/XBO/PS4 — Nota: 7.0
Versão utilizada para a análise: PS4 
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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