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Análise: Batman: Guardian of Gotham (Multi) é um mergulho na loucura

A jornada do Homem-Morcego feita pela Telltale está quase no fim.


Desenvolvendo uma tensão crescente ao longo de três episódios, o mais novo capítulo da série Batman pela Telltale chega com o episódio quatro: Guardian of Gotham. Enquanto este permanece sendo o elo mais fraco da corrente de relacionamentos, combates e diálogos inteligentes que a empresa vinha dando ao mundo sombrio de Gotham City, o episódio ainda tem seus méritos. E o mais importante de tudo, está preparando o terreno para um desfecho empolgante.

Why so serious?

Depois de um final de episódio que deixou todos os jogadores com o coração na mão, o quarto capítulo da série do Homem-Morcego da Telltale, começa em um local diferente do normal para nosso herói. Bruce está detido no asilo Arkham. Sem poder falar com seus amigos e sem nenhum recurso financeiro para ajudá-lo depois dos escândalos em que a família Wayne está metida, ele está passando por momentos difíceis no sanatório cheio de loucos que sua família torturou no passado.

Quando a maré de azar de Bruce apenas parece aumentar, eis que surge um personagem totalmente inesperado em seu auxílio: o Coringa. E sim, ele é mais um dos vilões da série que a Telltale está disposta a modificar a história para que se ajuste em sua trama. Porém, mesmo tendo as características marcantes da loucura e improvisação, essa versão do Coringa é muito rasa e parece estar lá apenas para ficar no caminho dos personagens que a série já conseguiu desenvolver ao longo desses quatro episódios.
O Coringa está lá, mas só de enfeite.

Uma vez fora do asilo, Bruce percebe o quão problemática está a situação de Gotham City depois que Harvey Dent assumiu a prefeitura. Enquanto os criminosos do Children of Arkham continuam sua onde de atentados terroristas, o prefeito da cidade está disposto a tomar as medidas que forem necessárias para conter o crime, mesmo que seja ao custo de vida de inocentes. Com Harvey à beira da loucura e os cidadãos de Gotham querendo atacar Bruce por causa das controvérsias de sua família, fica difícil notar alguma diferença entre o inferno enlouquecedor do Asilo Arkham e do mundo exterior. Só mesmo o Batman para salvar o dia.

Uma noite para ser esquecida

Só existem dois aspectos que não tornam Guardian of Gotham completamente esquecível entre todos os episódios da série até agora: o nível de tensão que permeia o capítulo e uma importante decisão, em específico. Primeiramente, o episódio consegue aumentar o ritmo que a série vem construindo e consegue deixar o jogador na ponta de sua cadeira em diversos momentos, imaginando qual será o rumo que a história irá tomar. Além disso, perto do final podemos perceber que uma decisão que o jogador terá que fazer pode ser de fato “a decisão” do game: aquela que irá realmente ter significância em como será o desfecho da série no último episódio.
Será essa "a decisão" da trama do game?

Fora esses dois detalhes, o episódio é, até o momento, o mais fraco da temporada. Nem mesmo a introdução do Coringa ao elenco consegue salvar o capítulo da mediocridade. A voz de Mark Hamill, já icônica com o personagem, ou mesmo de Troy Baker (que fez um bom trabalho em Arkham Origins, apesar da péssima fama do game), fazem falta ao vilão. Cada fala do Coringa parece forçada, como se ele estivesse se empenhando ao máximo para mostrar sua loucura ao jogador. E, infelizmente, o Coringa não é assim. Ele é puro imprevisto, insanidade e um recheio generoso de risadas enlouquecedoras.

A Telltale continua usando e abusando dos QTEs para as sequências de combate no game e nesse episódio a quantidade permanece a mesma que nos anteriores, sendo que parece não existir nenhum tipo de punição ao enredo ou ao jogador se não conseguir acertar todos eles na ordem ou tempo certo. Quanto a questão de investigação, não existe nenhuma dificuldade em analisar cenas de crimes ou descobrir pistas. A Telltale optou por uma abordagem mais simples para, talvez, não comprometer o desenvolvimento da narrativa, mas continua zombando das habilidades do maior detetive do mundo dos quadrinhos.

A jornada está quase no fim

Com somente mais um capítulo pela frente, a esperança que fica é que a Telltale mantenha sua tradição de ótimos finais e consiga dar um desfecho decente à empreitada arriscada que foi modificar quase que completamente a história do Homem-Morcego. A questão mais importante continua sendo se as escolhas do jogador realmente irão importar no final ou se, de um jeito ou de outro, o fim se resumirá da mesma forma independente de o que você faça.
A vida não está fácil nem mesmo pro Batman.

Prós

  • Nível de tensão crescente.

Contras

  • Uma péssima versão do Coringa (só não pior que a do Jared Leto);
  • Muitos QTEs;
  • Investigação pobre.
Batman (A Telltale Series): Episódio 4: Guardian of Gotham — PC/PS4/Xbox One — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Pedro Vicente
Luis Antonio Costa escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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