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Análise: 140 (Multi) é uma aventura rítmica extremamente curta

Controle diversas formas geométricas em um jogo de plataforma com várias referências artísticas.



Determinar a duração ideal de um jogo é tarefa complicada. Tornar um game muito longo pode deixá-lo maçante e cansativo, o que acaba prejudicando até as melhores produções. Por outro lado, quando curtos demais perdem a chance de explorar diversas possibilidades e dão a sensação de que não foram finalizados. 140 é um exemplo que se encaixa perfeitamente neste segundo cenário.


Desenvolvido pelo estúdio Carlsen Games, o título foi lançado em 2013 para PC, via Steam. Agora, três anos mais tarde, chega também para Xbox One, PlayStation 4, PlayStation Vita e Wii U. Nos próximos meses, o 3DS deverá ser a próxima plataforma a receber o jogo.

Contando com apenas três fases e podendo ser finalizado em menos de uma hora, 140 consegue divertir o jogador durante alguns minutos. A aventura segue o gênero plataforma e seu único inimigo é o próprio cenário. Os desafios se resumem a saltos precisos sobre terrenos estreitos, calcular o movimento de elevadores para conseguir pular para cima deles e perceber o timing de pisos que ficam aparecendo e sumindo frequentemente.
Saltando sem parar


Sua grande aliada durante a jornada será a trilha sonora, que se resume ao ritmo eletrônico. As batidas das músicas estão em sincronia perfeita com tudo o que acontece nos cenários e usar a audição é fundamental para superar os diversos obstáculos. Outro sentido bastante estimulado é a visão. O jogo é extremamente colorido e mudanças de tonalidade fazem toda a diferença. Quando uma plataforma tem sua cor alterada, apresentará um comportamento completamente diferente, se movimentado para outro lado ou ficando invisível, por exemplo.

Para ir avançando nas fases é preciso procurar pequenas esferas e levá-las até estruturas que lembram discos de vinil. Todo o cenário tem suas cores trocadas quando os círculos são colocados nesse pedestal e, com isso, é possível acessar áreas que antes eram inalcançáveis. A mistura da batida eletrônica com as mudanças de cores me passava a sensação de que eu estava em alguma balada.

Simples, porém interessante

Os controles de 140 são extremamente simples, existindo apenas os botões para se movimentar para esquerda ou direta e mais um que faz o personagem saltar. Senti a movimentação bastante precisa, o que facilita na execução de pulos e tornam a progressão fluída. Ter mecânicas apuradas é fundamental para a proposta que o jogo apresenta e nesse quesito o título merece elogios.
Para onde ir?


A dificuldade é outro ponto de destaque, pois os desafios vão se tornando mais complicados conforme a evolução do jogador e antes de todo grande obstáculo existe um checkpoint. Portanto, sempre que o protagonista cai em algum precipício, automaticamente volta para metros antes do local onde morreu.

Não existe um contador de vidas e nem nada parecido, por isso, é possível falhar infinitamente já que não existe um game over. Para os jogadores que procuram por desafios maiores, após finalizar o jogo pela primeira vez, é liberado um modo em que os checkpoints somem e todas as fases devem ser vencidas sem nenhum erro. Qualquer pulo mal calculado significa voltar ao início do nível.

A parte que mais me chamou atenção em 140 foram os desafios no final de cada fase. Na primeira, é preciso derrotar um boss em uma batalha que lembra bastante o clássico Galaga. Na segunda, acontece uma corrida em que o objetivo é chegar ao final do circuito sem bater em nada. Por fim, na terceira, o minigame envolve uma mistura de agilidade e sorte, em que aparecem quatro setas e precisamos descobrir qual delas está em rota de colisão com o protagonista. Além de variar as mecânicas de jogo, esses desafios aumentam o nível de diversão. Afinal, qual bom jogo de plataforma não tem chefões memoráveis?
O primeiro boss

Obra de arte digital

O protagonista do jogo é um conjunto de formas: quando está parado é um quadrado, ao andar para os lados se transforma em um círculo e durante os saltos vira um triângulo. Essa mutação é uma clara referência à linha artística iniciada na escola alemã Bauhaus, que mesclava cores e padrões geométricos. Os teóricos dessa instituição de ensino definiram que os quadrados simulam os alicerces, os círculos representam os movimentos e os triângulos são as formas mais leves.

Os cenários quadriculados, minimalistas e coloridos também me fizeram lembrar outro movimento artístico, o cubismo. Além disso, o logotipo do jogo também é formada pela junção das três formas: círculo, triângulo e quadrado. Como se já não fossem menções suficientes, o 140 que dá nome ao game é uma alusão a todas as músicas do título, que sempre seguem o padrão de 140 batidas por minuto.
Círculo, quadrado e triângulo formam o logotipo

Ficou um gosto de quero mais

Ao terminar o jogo pela primeira vez, minha sensação era de que havia experimentado uma demo. Se realmente fosse a amostra de um projeto com previsão de lançamento futuro, eu ficaria bastante interessado no que estaria por vir. Porém, sendo um título pronto, fica a sensação de que os desenvolvedores poderiam ter investido um pouco mais de tempo e criado algo mais longo. Não era preciso ter cinco ou seis horas de gameplay, mas cerca de dez fases seria o ideal. No fim, 140 acaba sendo um passatempo interessante para matar poucos minutos daqueles dias entediantes.

Prós

  • Controles precisos;
  • Ótimas referências artísticas;
  • Desafios extras no final de cada fase.

Contras

  • Extremamente curto;
  • Falta de game over diminui o desafio.
140 — PS4 / PS VIta / XBO / Wii U / 3DS / PC — Nota: 5.5
Plataforma utilizada para análise: Wii U
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Vinicius Veloso é jornalista e obcecado por games (não necessariamente nessa ordem). Seu vício começou com uma primeira dose de Super Mario World e, desde então, não consegue mais ficar muito tempo sem se aventurar em um bom jogo. Está no Facebook ou Twitter.

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