Guia DLC

Fallout 4: Far Harbor (Multi) é um pedido de desculpas aos fãs da série

A nova ilha não é o último conteúdo do game, mas com certeza é o melhor.


Eu não estaria exagerando se dissesse que o último DLC de Fallout 4 (Multi) deixou muito a desejar. Em Wasteland Workshop (Multi), todas as novidades foram “jogadas”, não havendo sequer um tutorial para explicar como usar adequadamente os novos itens.


Em contrapartida, em Fallout 4: Far Harbor (Multi), a Bethesda parece ter reencontrado parte da essência de série. É claro que algo assim tão especial não sairia barato e, de fato, o novo conteúdo é o mais caro da série até o momento, custando entre 76,90 e 97 reais, dependendo da plataforma.

Bancando o detetive 

Tudo começa com um novo caso na agência de detetive de Valentine, que lhe leva a uma viagem para a misteriosa ilha conhecida como Far Harbor. O local possui grandes níveis de radiação e é infestado por uma estranha névoa, mas isso é apenas a “ponta do iceberg”. Uma nova guerra está a ponto de começar e caberá a você tomar as decisões que irão impactar todo o futuro da ilha.

Far Harbor tenta tapar os buracos deixados pela história original do jogo, as lendas urbanas  da Comunidade, como o boato de humanos que desapareciam sem explicação ou eram substituídos por Sintéticos, começando a agir de forma distinta do habitual de uma hora para outra. Há também a presença da Prole do Átomo, uma seita que acredita que o átomo é um universo e, quando uma fissão nuclear ocorre, dá origem a milhares de outros universos em escala menor. Em outras palavras, eles não consideram a radiação como algo ruim, pelo contrário, aprenderam como sobreviver em meio a mesma. Enfim, essas e algumas outras coisas que pareciam ter sido deixadas de lado são finalmente esclarecidas.

A eliminação de pontas soltas traz consistência à narrativa, que é um elemento muito importante no momento de criar uma boa história, pois, mesmo se tratando de uma obra de ficção, faz com que sua proposta seja mais convincente aos olhos dos jogadores, além, é claro, de satisfazer os mais observadores e evitar especulações.

Não apenas isso, a novo conteúdo também traz à tona as consequências de suas escolhas, principalmente das relacionadas ao Instituto. Ao realizar as missões da ilha, querendo ou não, você terá que se relacionar tanto com Prole do Átomo como com os Sintéticos, e, dependendo dos caminhos que você optou na campanha original, estas relações podem ser bastante problemáticas.

Expansão x DLC 

Apesar dos dois termos serem bastante semelhantes e se referir a uma mesma coisa, Expansões são diferentes de DLCs. A primeira, como o próprio nome já diz, é um tipo de conteúdo que torna a experiência original de um jogo mais completa, seja pela adição de novas localidades, quests, itens ou trazer alguma grande mudança, como uma nova campanha completa, por exemplo. Já a segunda corresponde a todo o conteúdo adicional que geralmente é disponibilizado exclusivamente por download. Trata-se de pequenos conteúdos isolados, como skins, armas, paleta de cores e coisas afins. Em outras palavras, o novo conteúdo de Fallout 4 é claramente uma expansão. 

Eu olhei no olho da ilha e o que vi é lindo 

É comum que em expansões de jogos da Blizzard e agora também nos da CD Projekt Red, começando por The Witcher 3 (Multi), haja melhorias gráficas no conteúdo, sejam estas resultantes do desenvolvimento de novos assets ou mesmo algumas texturas e efeitos aprimorados.

Neste caso, Far Harbor acrescentou um efeito de luz em meio a nevoa, o que deixa o jogo mais belo, realista e começa a justificar a presença do jogo nesta geração. De resto, o game parece visualmente inalterado.

Você tem apenas três escolhas: correr, esconder-se ou morrer 

O conteúdo de Far Harbor pode ser comparado a The Elder Scrolls V: Skyrim - Dragonborn (Multi), pois ambos não reutilizam as regiões já existentes em seus respectivos jogos originais, mas acrescentam um mapa imenso totalmente novo, trazendo um ar de novidade a sua jogatina.

Além disso, o título apresenta novos companions, com destaque para Longfellow, que à primeira vista não parece mais do que um velhinho ranzinza, mas a verdade é que o vovô é a sua melhor chance de sobreviver, porque, além conhecer muito bem a ilha, ele nutre um ódio profundo pela Prole do Átomo, o que pode vir bem a calhar caso você se torne inimigo desta facção. Em outras palavras, o velhinho é a pessoa perfeita para lhe acompanhar nesta nova empreitada.

Há muitas missões de investigação, nas quais você tem de procurar pistas e interrogar pessoas, mesmo que para isso você seja obrigado a se utilizar de subterfúgios. Isso não apenas acrescenta ao jogo, mas faz com que ele pareça mais um RPG com elementos de shooter e não o contrário, que é o gênero que Fallout pertencia originalmente. Infelizmente, quests deste tipo, que eram uma característica marcante dos jogos anteriores da série, estavam começando a ser secundárias neste título.

Apesar de algumas mudanças positivas, o sistema de diálogos, em forma de cruz, que foi uma das principais reclamações feitas pelos jogadores, continua inalterado. Esse sistema, além de ser esteticamente estranho devido ao seu formato, faz com que o personagem responda às vezes de maneira imprevisível, principalmente quando se escolhe a opção “sarcasmo”.

Cuidado com a fumaça 

Algumas das principais ameaças da ilha, como os rastejadores e a névoa, que os acompanha e parece trazê-los à tona, são inspiradas na obra The Mist (O Nevoeiro), um conto de terror escrito pelo mestre Stephen King e adaptado ao cinema por Frank Darabont, o mesmo diretor de Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade).

Neste conto, um estranho nevoeiro traz consigo criaturas sedentas por sangue que começam a ameaçar uma pequena cidade. O tema do conto de King é identico à situação com que você se depara ao colocar os pés no porto da ilha. Seria isso mera coincidência?

Nós temos que voltar 

Far Harbor é de longe o melhor conteúdo de Fallout 4 até o momento, pois adiciona não apenas novas quests, mas novas áreas, companions e equipamentos como também traz o retorno de diálogos longos e missões investigativas, simbolizando aquilo que a série tem de melhor ao mesmo tempo em que se aproxima mais de seus antecessores.

Esse DLC parece ser um pedido de desculpas aos fãs da série, que ficaram um pouco decepcionados pelas mudanças. Dessa maneira, recomendo o conteúdo não somente a estes, mas a todos os que possuem ou tem pretensão de adquirir o game.

Far Harbor (Fallout 4) — PC/PS4/XBO — Nota: 9.5
Versão utilizada: PC
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Peterson Barros
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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