Os jogos preferidos de 2015 — Rafael Buffon

Existe mais entre Pokémon e Super Smash Bros do que sonha a nossa vã filosofia.


Eu passei uma boa parcela da minha vida jogando Pokémon e queria mudar isso um pouco, experimentar novos jogos e conhecer mais outras franquias. Enquanto todo mundo jogava o novo Metal Gear, 2015 foi um ano em que eu testei vários jogos de 3DS, minha principal plataforma. Kid Icarus: Uprising, Luigi’s Mansion: Dark Moon, alguns jogos da Guild 01 da Level-5, Yoshi’s New Island, Legend of Zelda Ocarina of Time 3D e a edição comemorativa de Another World, ou seja, quase nada de 2015. Mas os que eu consegui jogar durante a quitação da minha dívida histórica com Zelda e Metroid foram jogos que, estranhamente, ou me prenderam muito, ou eu joguei por pouco tempo e que foram infinitos enquanto duraram. Infelizmente estou tendo problemas para largar de Pokémon.

Zombie Incident (3DS)


Inimigos com sprites simples, cuja força é definida pela cor, uma música de creepy pasta e um level design surpreendente. Você deve saltar nos inimigos para derrotá-los enquanto eles se movimentam horizontal ou verticalmente nos mapas, exigindo cada vez mais estratégia para não esbarrar neles e perder vida, porque é bem difícil de repor. Do mesmo modo, deve-se ter cuidado para não cair de grandes alturas, não porque isso cause dano, mas para evitar a peregrinação de volta para o mesmo lugar.


Uma verdadeira pérola desconhecida da eshop do 3DS, esse metroidvania nasceu em uma competição desenvolvimento de jogos retrô de 2011. Uma competição para MSX para ser mais exato, aquele console misturado com PC que vingou no Japão e na Europa, mas que é desconhecido no ocidente, exceto por ter recebido o primeiro Metal Gear. Quatro anos depois foi portado para 3DS e colocado para venda por um preço irrisório de R$ 1,79. Vale cada centavo.

Angels That Kill (PC)

Um jogo sincero com personagens duas-caras, várias camadas de frustrações, decepções, fracassos e um visual preto e branco bem depressivo. Diálogos existencialistas, uma cidade pequena onde todo mundo cochicha e tira conclusões da vida alheia tornando o seu passado uma pedra gigante demais para carregar.

Quer mais? Um piano que te levanta um pouco, mas só para o tombo ser maior com a próxima reviravolta da história. Angels That Kill tem um roteiro denso e é fácil afundar com ele, devia ter jogado em outro momento da minha vida, mas certamente a experiência foi muito intensa.

Kingdom (PC)

Lindo e impressionante, Kingdom é uma pintura a óleo em pixels que consegue ser simples sem ser simplório. E muito inovador: um real-time strategy de progressão lateral, só jogando mesmo para confirmar que funciona e que ele consegue ser variado e desafiador.

Hotline Miami 2: Wrong Number (PC)

Um jogo polêmico com muita violência gratuita...que é muito mais do que isso. Tendo muita ousadia na execução e no roteiro, possui uma estrutura em forma de capítulos, como se fosse um filme. O jogo é uma continuação que se distancia bastante da experiência do anterior. Um jogo catártico, ótimo para um dia que terminou errado ou para dar aquela motivação que faltava para você sair de casa nas nuvens depois de ter lavado de sangue e dentes algum estacionamento ou outro lugar abandonado. No entanto, sinceramente, eu preferia ter lido em vez de ter jogado o Hotline Miami 2. Acho que a diversidade de personagens e a pretensão do criador em narrar uma história mais crua e doentia com um fundo de filme B pode ter deixado o jogo estufado demais para o gênero e a mídia que ele se propôs. Ainda sim, é uma obra de arte.

Isso porque o primeiro jogo já oferece essa possibilidade de algo quase físico, uma sensação de se livrar de um sapato apertado, mesmo que ele tenha gráficos pixeladões e uma vista panorâmica, você realmente entra nesse mundo. Certamente, a OST do primeiro Hotline contribui muito para essa ambientação. Eu a ouvi por horas, e ainda hoje escuto, já a do 2º não é memorável. mas certamente fica a história e a sensação de ter vivido num açougue por um tempo.

Gunman Clive 2 (3DS)

Essa fase não faz o menor sentido
Direção de arte impecável, muitos patos e dificuldade insana. Gunman Clive 2 é um alívio, e aqui nessa continuação as tentativas de inovar deram resultado. Boss Fights muito diferentes entre si e cenários bizarros (como aquele da lua no primeiro jogo) existem aos montes aqui. Um inclusive tem alterações gravitacionais e improváveis peças de Tetris assassinas. Nesse platformer tudo é executado maravilhosamente bem, pena que o jogo é curto.

Undertale (PC)

Ba Dum Tss
Nada aqui é por acaso, todo monstro tem sua própria história e isso de alguma forma influencia a história do protagonista. Seus atos são julgados pelo jogo e você não é obrigado a machucar ninguém se não quiser, pode simplesmente conversar e resolver as coisas na diplomacia. E tem mais, a música é tão boa que você se surpreende parado nas dungeons, só ouvindo, mesmerizado. Imperdível.

Pokémon Shuffle (3DS/Android/iOS)


Baixei esse daqui porque estava entediado na praia em fevereiro para ver qual é que é e levei seis meses para desapegar. Que jogo viciante! A música é repetitiva, os sprites são muito pixelados e você tem chances limitadas de jogar sem pagar. Mesmo assim é incrível como uma fórmula simples vai se ramificando e exigindo novas avaliações do encaixe das peças. Pelo menos para experimentar todo mundo deveria jogar um pouco, só não garanto que vão largar depois.

Pokémon Rumble World (3DS)


Gráficos toscos, a mesma fórmula das versões anteriores, mas que agora funciona como free-to-play e é meio que uma Mii Plaza também. E como funciona, esses Pokémon que parecem de paper craft são muito carismáticos, e a pegada colecionista dos jogos da linha principal da série fica ainda mais acentuada aqui.

Diferente do vício que eu tive com o Shuffle, o Rumble eu joguei por menos tempo e aproveitei bem mais. Mas claro, a história só avança se você pagar, então desembolsei uns 20 reais e me diverti bastante, obrigado, caçando Pokémon e mega evoluindo à beça. É interessante notar que esse beat’em up só funciona porque os monstros de bolso são tão amados que até um jogo péssimo fica incrível com eles.
*
Ao longo do ano adquiri também um PS Vita e agora perto do natal um notebook que consegue rodar FEZ (Multi) sem travar, diferente do meu antigo. Finalmente, depois de algumas promoções da Steam, 2016 promete ser um ano em que eu vou deixar muitos jogos na estante e me divertir bastante com jogos diferentes e bizarros, durem o tempo que for.

Revisão: Gabriel Vebena
Capa: João Gilberto Melo
Rafael Buffon é formado em Jornalismo pela UPF e redator no GameBlast. Além de videogames portáteis curte literatura, jazz e é apaixonado pela banda Velvet Underground.

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