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Jogos gratuitos recomendados da semana #05

Cinco jogos, zero dinheiros. Aproveite o feriadão e confira estas obras pequenas, gratuitas e interessantes.

Existem muitos motivos para um jogo ser lançado gratuitamente. Ele pode ser uma peça publicitária, ou tenta ganhar dinheiro de outras formas, com propagandas e microtransações. Às vezes, ele é somente um pequeno experimento sem grandes intenções financeiras. Independente do motivo, é fato que há uma gigantesca quantidade de jogos gratuitos à disposição do jogador moderno.


Assim como não podemos julgar um game por seu preço, os motivos para uma obra ser gratuita não indicam, necessariamente, sua qualidade. Selecionamos aqui cinco jogos, cada um com variados motivos para não custarem nada — e todos valem a pena ser conferidos, independente de seus motivos.

Relic Hunters Zero (PC)

Chegamos a fazer um Blast Test desse jogo. O game é gratuito e tem código aberto, garantindo que qualquer fã habilidoso possa mergulhar nos códigos e fazer as modificações que bem entender. Desde seu lançamento oficial, vários mods e personagens foram criados nos fóruns oficiais.

Não que o jogo seja incapaz de se sustentar sozinho. Relic Hunters Zero tem uma jogabilidade muito sólida, sendo um dos melhores shooters top-down — não confunda com isométrico — do mercado. Os controles são precisos, os níveis bem desenhados e as armas ótimas de se usar e divertidas. Apesar de exigir muita habilidade (prepare-se para morrer bastante), o resultado final satisfará jogadores que gostam de um desafio justo.

Outro destaque de RHZ é a estética. Audiovisualmente, o game é impecável. Personagens e inimigos são extremamente carismáticos e as músicas ficam na cabeça horas depois de você lagar o controle.

Bônus: trata-se de um jogo brasileiro, então é possível jogar com tudo em português — e se sentir um pouco orgulhoso, também.
Recomendado para: Fãs de shooters top-down e isométricos.
Não recomendado para: Jogadores que não gostam de morrer inúmeras vezes.
Quanto custa? Zero.
Onde jogar?
Steam.

Speed of Light (Web)

Quem assistiu ao último videoclipe do Iron Maiden gostou do que viu (e ouviu) por dois principais motivos: 1) o Bruce retornou!, e 2) quantas referências a videogames! Além de nos dar uma prévia do que esperar do novo álbum da popular banda, o clipe foi muito bem feito, mostrando Eddie (o mascote do grupo) passando por vários jogos enquanto caça quatro corações.

A parte mais legal: fizeram um jogo baseado no clipe depois! Bem, parte dele, para ser mais preciso.

Enquanto no vídeo Eddie passa por quatro games diferentes, o jogo se baseia apenas no primeiro e mais simples. Lembrando muito Donkey Kong (Arcade), você deve ajudar o carismático zumbi a resgatar uma bela mulher raptada por um bruto. Para tal, você deve subir ao topo de um prédio, desviando de objetos lançados, e deter o vilão atacando-o com algum item encontrado no caminho.

A cereja do bolo, entretanto, vai para a trilha sonora. Ela é nada menos do que a música Speed of Light refeita em estilo chiptune, para o deleite dos gamers e headbangers saudosistas.
Recomendado para: Fãs de Donkey Kong e Iron Maiden (todos?).
Não recomendado para: Quem não gosta de nenhum dos dois acima (alguém?).
Quanto custa? Null.
Onde jogar? Site oficial.

Pac-Man 256 (Mobile)

Muito antes do MissingNo. aterrorizar os Game Boys de crianças ao redor do mundo, o bug de jogo mais famoso de todos era o Map 256 Glitch, que assombrava o clássico Pac-Man (Arcade). Como o contador de níveis utilizava um inteiro de 8 bits, o valor máximo que ele comportava era 255. Caso o jogador chegasse ao nível 256, o lado direito da tela virava uma bagunça de símbolos e pixels, como se o jogo estivesse se desintegrando.

Em Pac-Man 256, essa muralha bugada retorna com papel central. Você controla o nosso querido “Come-Come” num labirinto infinito, tentando estar sempre um passo à frente da força corruptora que destrói tudo em seu caminho. Porque controlar um viciado em pílulas trancado em uma sala escura que foge de fantasmas imortais não era perturbador o suficiente.

Além de tomar ares de endless runner (seria este o primeiro endless eater?), novos itens são incluídos no arsenal do mascote. Lasers, bombas congelantes e muitos outros power-ups estão disponíveis para lhe ajudar. Para usá-los, entretanto, é necessário usar fichas, que são limitadas e se carregam lentamente com o tempo. Também é necessário destravá-los primeiro, completando missões e conseguindo pontos.

É possível comprar fichas e power-ups através de microtransações, além de se ganhar vários bônus assistindo a propagandas. Entretanto, nada disso é necessário e o resultado não é intrusivo, sendo fácil ignorar essas estratégias de monetização.
Recomendado para: Quem gostaria de um game em que o avô do MissingNo. é o principal vilão.
Não recomendado para: Quem acha qualquer forma de microtransação, por mais inobstrusiva possível, ofensiva.
Quanto custa? Zilch.
Onde jogar? Google Play ou App Store.

The Fifth Apartment (PC)

Vindo diretamente do Ludum Dare 33, The Fifth Apartment foi desenvolvido por uma equipe de brasileiros: Klos Cunha, Bruno Poli e Ricardo Bess. O tema da competição é “Você é o Monstro” e, de acordo com a proposta, o título coloca o jogador no papel de… uma senhora idosa e frágil?

A jogabilidade é muito simples. Basta movimentar a velhinha em seu apartamento e interagir com os objetos. O espaço é pequeno e há poucas coisas para fazer, sendo o caminho, até o fim, linear. Mesmo assim, em poucos minutos os brasileiros conseguem contar uma história marcante e capaz de fazer alguns refletirem.

Basta jogar para ver que o game se encaixa perfeitamente com o tema da competição. Guiá-la por seu apartamento e vê-la lentamente se mutilar psicologicamente é uma experiência angustiante e depressiva. A solitária idosa realmente é um monstro — para si mesma.

Aliás, “solitária idosa” é subjetivo. Como os desenvolvedores bem colocaram, quem pode ser considerado solitário quando está acompanhado por demônios internos?

Recomendado para: Quem curte visual novels curtos e experimentais.
Não recomendado para: Pessoas sensíveis.
Quanto custa? Nada.
Onde jogar? Ludum Dare.

Masques and Murder! (PC)

Se olhado sem preconceitos, Princess Maker (PC) foi um dos jogos mais originais e instigantes da história. Com uma única mistura de RPG, simulação e visual novel, a obra tinha profundidade surpreendente, dando ao jogador uma enorme liberdade de como treinar sua própria princesa e escolher o seu destino. Desde então, poucas tentativas de fazer algo similar surgiram, sendo Long Live the Queen (PC) uma rara exceção.

Masques and Murder! decide pegar essa fórmula subaproveitada e dar uma abordagem um pouco mais realista. Assumindo o papel de uma jovem e bonita mulher na renascença, o jogador deve vingar-se pela morte de seus familiares. Só há um problema: mulheres não eram exatamente tratadas de forma digna na Idade Moderna e seus pedidos por justiça são prontamente ignorados. A solução? Case-se com o inimigo — e mate-o em seguida.

Para conquistar a confiança dos assassinos, a protagonista deve treinar em habilidades apreciadas pela corte: esgrima, dança, teologia, música, dentre outras. Ela também precisa comparecer em eventos, nos quais suas habilidades serão constantemente testadas pelo frio olhar da nobreza — e onde é também possível seduzir e cortejar suas vítimas.

Um aviso: a trama possui cenas de abuso e violência doméstica, o que pode ser incômodo para algumas pessoas. É possível, entretanto, filtrar esse tipo de conteúdo através de opções do menu.

Recomendado para: Quem sente saudades de Princess Maker.
Não recomendado para: Quem não gosta de história.
Quanto custa? Nulo.
Onde jogar? itch.io.

O que acharam das indicações dessa semana? Já jogaram algum deles? Conhecem outro jogo gratuito que gostaria de ver sendo indicado? Comente logo abaixo com suas impressões e sugestões!

Revisão: Vitor Tibério
Lucas Pinheiro Silva é analista de sistemas web por profissão, gamer por vocação. Tem grande interesse em game e level design, o que o levou a escrever para o GameBlast. Em seu Facebook e Twitter também fala de outras coisas, como HQs, música e literatura.

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