BGS 2026 Hands-on: Eye of the Match: The VAR Game transforma arbitragem de futebol em divertida investigação

O simulador coloca o jogador na sala do árbitro de vídeo, onde é preciso analisar replays, identificar infrações e lidar com pressões externas.

em 13/10/2026
Quem nunca discordou de uma decisão de arbitragem durante uma partida de futebol? Mesmo com o árbitro de vídeo, ainda é comum que erros aconteçam — e que os torcedores critiquem as decisões tomadas. Após jogar Eye of the Match: The VAR Game, talvez você mude um pouco seu conceito sobre os juízes.

Em uma demonstração criada especificamente para a imprensa na Brasil Game Show (BGS) 2026, o GameBlast pôde experimentar como pode ser complicada a vida de quem tem o poder de interferir no resultado de uma partida. E, ainda que pareça uma temática inusitada, as mecânicas funcionam muito bem.

No game, o jogador deixa de ser apenas mais um "corneteiro" e assume a responsabilidade de analisar os lances das partidas. Desenvolvido e publicado pela Mix and Jam, o título independente transforma o trabalho do árbitro de vídeo em uma experiência que combina investigação, análise, quebra-cabeças e escolhas com consequências.

Na sala do VAR, cabe a você coletar fitas de vídeo e assisti-las em um monitor, observando atentamente cada lance suspeito. Em vez de controlar os atletas em campo, é necessário examinar as imagens, identificar possíveis infrações e decidir quais medidas disciplinares devem ser aplicadas.

Uma partida decidida nos replays

A rotina do árbitro virtual começa quando um lance importante gera uma gravação para análise. A partir daí, o jogador pode reproduzir e pausar o vídeo, retroceder as imagens, usar o recurso de câmera lenta, dar zoom no lance e até observá-lo sob outra perspectiva.

Na versão testada, um tutorial explica como agir diante dos comandos, mas sem dar pistas que estraguem a investigação. O desafio aumenta à medida que novas regras são introduzidas e os replays passam a apresentar múltiplas infrações.

O conceito lembra Papers, Please, jogo independente em que o protagonista precisa conferir documentos e tomar decisões profissionais sob pressão. Nos dois casos, o trabalho aparentemente burocrático ganha novas camadas quando as regras mudam, obrigando o protagonista a prestar mais atenção e utilizar diferentes recursos durante a análise.

Depois de identificar uma possível irregularidade, é necessário utilizar o sistema de ação disciplinar para decidir como punir o jogador ou a equipe envolvidos. A proposta exige mais do que reconhecer uma falta evidente, pois é preciso observar os detalhes, interpretar as situações e tomar decisões justas.

Segue o lance, professor

Os gráficos são simples, mas suficientes para a execução do trabalho. O mais importante é identificar qual é a infração e quem a cometeu, especialmente na hora de aplicar um cartão, quando é preciso selecionar o número do jogador punido.

No teste, não havia limite de tempo para a análise, mas é possível que a versão final do jogo traga esse elemento como um fator de dificuldade. Afinal, como a proposta é simular o trabalho do árbitro de vídeo, é natural imaginar que ele precise correr contra o cronômetro para não atrasar o andamento da partida.

Há um sistema de pontuação de três bolinhas, equivalente a três estrelas, que demonstra o nível de acerto. Se fizer uma análise perfeita, você ganha a pontuação máxima. Se deixar algo passar batido, perde alguns pontos. E, se errar muito feio, como deixar de expulsar o jogador que deu uma voadora no outro, aí terá a pontuação zerada.

O curioso é que você não precisa saber tanto sobre futebol para conseguir aproveitar o game. Saber o que é uma falta e conhecer o conceito de impedimento já garantem uma vantagem, mas quem não souber pode se arriscar na base da tentativa e erro até se tornar um VAR competente.

Quando a arbitragem vira um dilema moral

Além de investigar lances, Eye of the Match: The VAR Game deve apresentar uma narrativa na qual o jogador descobre como funciona a empresa responsável pelo serviço de arbitragem virtual. As decisões tomadas durante a jornada vão influenciar o rumo da história e levantar uma questão importante: é possível manter a imparcialidade quando existem interesses externos envolvidos?

No jogo da Mix and Jam, a possibilidade de sofrer influências externas acrescentará uma dimensão ética à análise das partidas. O jogador precisará decidir se seguirá as regras de maneira rigorosa ou se permitirá que um suborno, por exemplo, influencie a anulação de um gol ou a marcação de um pênalti.

Como o foco da demonstração na BGS era apresentar as mecânicas do VAR, essa parte ainda não estava disponível. Portanto, somente será possível conhecer os dilemas da narrativa quando o game completo chegar ao público.

A premissa também aproveita um dos assuntos mais controversos do futebol moderno. Mesmo com recursos tecnológicos disponíveis, decisões de arbitragem continuam provocando discussões entre jogadores, dirigentes e torcedores. Transformar essa dinâmica em um jogo abre espaço para explorar não apenas a interpretação das regras, mas também os conflitos que cercam sua aplicação.

Projeto independente brasileiro

A proposta chama atenção por explorar uma atividade pouco convencional no universo dos games. Em vez de simular a carreira de um atleta ou a administração de um clube, o projeto transforma a análise de lances e a aplicação das regras em seu principal desafio. Resta descobrir como essas mecânicas vão se desenvolver ao longo da campanha e até que ponto as escolhas do árbitro virtual poderão mudar o rumo da história.

Eye of the Match: The VAR Game é um projeto do desenvolvedor brasileiro André Cardoso e entrega uma experiência bastante sólida, especialmente pela maneira como transforma a análise de lances em um desafio de observação e raciocínio. O jogo está listado na Steam com interface e legendas em português brasileiro, além de suporte a inglês e espanhol, mas ainda não tem data de lançamento confirmada.

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Alveni Lisboa
Jornalista com passagens pela Revista Nintendo World e site Canaltech. Atua com jornalismo de games desde 2009, época em que escrever sobre videogame ainda era uma ótima desculpa para passar horas jogando e chamar isso de trabalho. Fã de carteirinha desde o SNES, passei por todos os videogames da gigante nipônica até os dias atuais.
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