BGS 2026: entrevistamos Bruno Niro, da Gamers Brawl, sobre a plataforma que monetiza as habilidade dos jogadores

O fundador e CEO explicou como funcionam os duelos 1v1, o antifraude com machine learning e os planos para novos jogos.


Bruno Niro
é fundador e CEO da Gamers Brawl, plataforma brasileira de competições de eSports em que jogadores se enfrentam e podem receber dinheiro de acordo com o desempenho nas partidas. Hoje o serviço funciona com League of Legends e Counter-Strike.


A Gamers Brawl está na Brasil Game Show 2026, entre 9 e 12 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo, com um estande próprio. Entre as atrações estão partidas 1x1 de League of Legends entre os visitantes e a revanche entre os criadores de conteúdo Kami e Gordox, embaixadores da plataforma. A conversa com o GameBlast aconteceu no estande.

Na entrevista, Niro explicou o conceito de Game Skill Monetization, detalhou como algumas nos contou sobre a plataforma, falou sobre o sistema contra trapaças e contas alternativas, sobre saques e limites de valor, e sobre os jogos que a empresa pretende adicionar.


Confira a seguir a entrevista, editada para maior clareza e concisão.

GB: Pode explicar, com as suas palavras, o que é a Game Skill Monetization? De onde veio a ideia e como foi o processo para a Gamers Brawl surgir?

Bruno Niro: A Gamers Brawl é uma plataforma de competições de eSports, e dentro dela a gente tem diversas dinâmicas. Tem desde campeonatos e ligas até disputas de 1v1, um contra um. O mais legal é que todo o resultado depende exclusivamente da sua habilidade. O Game Skill Monetization é exatamente isso: o próprio nome, traduzido, já diz, monetizar as suas habilidades gamer.

Esse conceito surgiu lá fora. Já existem algumas plataformas semelhantes ao que a gente faz aqui, não muitas, e elas são muito focadas em campeonatos. A Gamers Brawl tem alguns diferenciais, principalmente na dinâmica 1v1, em que a gente conseguiu unir tanto o entretenimento como a competição.


GB: Como isso funciona na prática? A pessoa compete batendo metas próprias ou contra outros jogadores?


Bruno: Vou explicar com a nossa mecânica 1v1, que é um pouco diferente do mercado. Você baixa a plataforma, coloca a sua conta lá e cadastra uma conta do Counter-Strike, por exemplo. Existem duas maneiras de fazer a competição. Você pode chamar um amigo, cadastrar ele lá dentro; a gente tem um chatzinho, um campo social, em que você chama alguém para competir. Ou você pode entrar numa fila e buscar um oponente aleatório. Nesse momento, a plataforma faz um matchmaking para tentar parear você com alguém do mesmo nível.

Quando isso acontece, vocês escolhem o valor da disputa. Pode ser de 10 reais ou 5 reais; enfim, vocês escolhem entre vocês.

O mais legal vem agora: você vai começar a sua partida e o seu oponente vai começar a partida dele. Vocês não necessariamente vão jogar a mesma partida. Já aconteceu de uma pessoa cair na mesma partida que a outra, mas a tecnologia da plataforma não é assim. Você joga a sua ranqueada normalmente com os seus amigos, o seu oponente joga a ranqueada dele com os amigos dele, e no final quem fizer mais pontos vence a disputa.

Esses pontos são de acordo com o seu desempenho: kill, assistência, plantar a bomba, desarmar a bomba, vitória no round, vitória na partida. Tudo isso vai juntando pontos. Isso une o entretenimento, porque você está ali com seus amigos, brigando, xingando, se divertindo, e do outro lado tem a outra pessoa fazendo a mesma coisa. Só que, nesse mesmo momento, você está competindo.

Você nem precisa necessariamente vencer a sua partida no CS. Pode perder, o seu oponente ganhar a dele, mas se você jogou melhor, ainda tem chance de ganhar a disputa na Gamers Brawl.

GB: Existe algum meio de evitar que o jogador jogue só pela estatística?

Bruno: A gente já dá as pontuações e você traça a sua estratégia. As métricas a gente monta justamente para você poder se divertir no seu jogo e, ao mesmo tempo, equilibrar estilos de gameplay. Se você é mais de suporte, de fazer smoke e dar apoio ao time, vai ter a sua métrica para ganhar pontos. Se você é mais de linha de frente, gosta de matar, pode fazer mais kill. E isso se equilibra. Você não precisa mudar a sua gameplay.

Toda a pontuação e as métricas são baseadas para que você jogue bem, não para que você force um determinado tipo de gameplay.

GB: Quem joga CS sabe quantos cheaters e smurfs existem. Como a Gamers Brawl lida com isso?

Bruno: Como todo gamer, a gente também sofre com isso. Por isso desenvolvemos um antifraude com machine learning, que levou muito tempo e muito trabalho. A gente desenvolveu ele antes mesmo da plataforma, e ele é focado em desempenho. A gente não busca necessariamente softwares dentro da sua máquina, de maneira invasiva. Eu analiso o comportamento.

Desde o momento em que você conecta a sua conta do CS ou do LoL, o sistema já faz uma análise de acordo com alguns requisitos que a gente pede. Se a sua conta não estiver apta, ela automaticamente não entra, e você fala com o suporte para tentar convencer que não está tentando burlar nada. É o caso de uma conta smurf, de uma conta de um amiguinho. Se ela é apta, o antifraude age numa segunda camada, que é a análise em tempo real daquilo que você está fazendo. Não vou entrar em muitos detalhes, principalmente para a galera não burlar a nossa plataforma, mas ela analisa o comportamento antes de você jogar na Gamers Brawl e enquanto você está jogando. Se um jogador fazia 16 por 20 e de repente está fazendo 40 por 2, o sistema entende: “Espera aí, tem alguma coisa errada aqui.”

Hoje, no CS, a gente analisa entre 70 e 80 métricas de comportamento. No LoL, entre 110 e 112. Elas não são estáticas, o sistema vai aprendendo: algumas ele melhora, outras ele tira, e a gente coloca novos critérios.

Se o sistema percebe algo suspeito durante a partida, a gente tem duas formas de agir. Ele pode desclassificar automaticamente o jogador e dar a vitória ao outro, ou pode dar um yellow flag, uma carta amarela. Nesse caso, quando a partida termina, ela não tem vencedor nem perdedor; fica on hold. Aí a partida é analisada pela nossa equipe, e se for definido que houve irregularidade, esse jogador é banido e o outro recebe o dinheiro.


GB: Quando o jogador ganha, ele recebe na hora ou precisa acumular para retirar o dinheiro?


Bruno: Existem dois tipos de usuários hoje. O usuário trusted, que cumpriu algumas metas dentro da plataforma, solicita esse status, a gente analisa e concede. Esse usuário pode fazer saque imediato. O mínimo é 20 reais, justamente para não ter saque de 1 real, 2, 5, senão eu vou à falência de processamento de dados na plataforma. Para o trusted, o saque cai na conta em até 5 minutos.

O outro tipo, um usuário às vezes novo, ou que não cumpriu as metas, tem até dois dias úteis para receber. Dois dias úteis às vezes é até muita coisa; ele acaba recebendo em um dia ou em algumas horas, porque o nosso antifraude já analisou tudo e o financeiro faz o pagamento.

GB: E qual é o limite de quanto a pessoa pode colocar na hora da disputa?

Bruno: Hoje o limite é 200 reais e o mínimo é 5. A plataforma sempre estimula o valor baixo. Tem plataformas que pedem no mínimo 20, 30, 50; a nossa é sempre baixinha, de 5 reais. A gente também tem um cuidado, que é o stop loss: aquele jogador que faz uma disputa, perde, faz outra, perde. Uma hora ele não pode mais participar por um tempo. Isso existe por uma questão ética.

A ideia da Gamers Brawl é estimular o seu lado competitivo, e não que ela se torne um cassino. A gente não quer que seja a sua segunda renda. A ideia é um ambiente saudável de competição, e a gente trabalha isso não só no nosso sistema, mas também na comunicação e no marketing. É a ideia que a gente quer trazer para os nossos usuários.


GB: Onde você vê espaço para o jogador casual, mas competitivo? Aquele que quer provar para os amigos que joga melhor.


Bruno: A Gamers Brawl nasceu para esse tipo de usuário, o jogador casual. Hoje, o cenário competitivo tem muito foco em grandes organizações, grandes profissionais. A Gamers Brawl é o contrário disso. A gente se assemelha ao cenário competitivo nos modelos, nas pontuações, nas dinâmicas, mas diverge muito na questão de quem pode participar. A ideia é democratizar.

A gente quer trazer uma experiência competitiva para aquele jogador que chega em casa cansado da faculdade, do trabalho, e tem duas horinhas para brincar. Ele pode jogar contra um amigo ou contra outras pessoas, um campeonatinho rápido. Tem jogadores de níveis altíssimos dentro da Gamers Brawl, no CS, no LoL, mas a grande massa é esse cara casual, esse low elo. Nem é mid elo dentro dos jogos.

A Gamers Brawl nasceu para democratizar e dar ao jogador casual a oportunidade não só de competir, mas também de monetizar as habilidades dele, se ele tiver.

GB: Vi que a plataforma pretende expandir para outros jogos, como o Valorant. O que pode nos contar?

Bruno: A gente tem pelo menos 10 jogos que tem a intenção de colocar dentro da Gamers Brawl. Ainda não temos certeza de quais títulos e quando eles vão entrar, porque depende de algumas questões de tecnologia que não dependem exatamente da gente. Mas a ideia é trazer títulos diversos para abordar todos os tipos de jogadores: quem joga corrida, luta, futebol, mais FPS como o Valorant, por exemplo. E também títulos mobile, porque a gente sabe que o mobile hoje é um cenário muito forte dentro dos games.


GB: Como você pensa em conquistar quem ainda está com o pé atrás?


Bruno: A estratégia tem dois pilares. O primeiro é a credibilidade, que passa por falar sobre o nosso modelo de negócio, porque tem pessoas que não entendem o que a gente faz e outras que não querem entender. A gente tenta explicar o que a Gamers Brawl faz. O segundo pilar é trazer novos usuários, da maneira como estou conversando com você aqui: explicando que a Gamers Brawl é uma plataforma de competição e que você não precisa ser o melhor jogador do mundo. Eu sou um jogador mediano. Mediano para ruim. E quando eu jogo na Gamers Brawl, eu dou um pau em várias pessoas.

O legal é que você joga a sua partida e o outro joga a dele. Ele vai ter as dificuldades da partida dele e você vai ter as suas. Quando o jogador não tem uma habilidade extraordinária, mas tem uma mínima noção de como jogar, ele ainda tem chance dentro da Gamers Brawl.

Mas a gente sempre lembra: por mais que seja uma plataforma de competição, ela envolve dinheiro, então é preciso tomar cuidado. Brincar na Gamers Brawl é uma brincadeira. O que eu quero é trazer mais atratividade e mais competição para a sua partida. Não tenham isso como uma segunda renda ou como uma forma de ficar milionário. Se vocês querem fazer isso de maneira rápida, não é aqui. Usem os meios tradicionais de fazer dinheiro.


GB: E como entram os influenciadores nessa estratégia? Como nasceu a ideia de trazer o Gordox e o Kami?


Bruno: O Gordox, vocês sabem, é o guardião do bronze, e ele ganhou uma disputa contra o Kami, a disputa dos maiores midlaners do Brasil. A ideia era mostrar que ele joga LoL há muito tempo e tem uma habilidade mediana: ele joga, ganha, perde. Ele já ganhou do Kami, do Kennzy, da Minerva, do Melão. Perdeu uma agora para a Babs, que tem o elo mais baixo que o dele. É isso: é a sua habilidade, que você vai jogando. O Kami, na partida dele, jogou muito mal, não performou bem, e o Gordox foi bem na dele. Tanto que hoje vai ter uma revanche.

GB: Muito obrigado pela conversa. Quer deixar uma mensagem para o público?

Bruno: Eu não sou muito bom com isso. Apesar de trabalhar há 18 anos com marketing, não sou muito bom nas palavras do marketing, mas vamos lá. Acessem a Gamers Brawl, conheçam, pesquisem bastante sobre ela. A plataforma é muito simples, super intuitiva, a usabilidade dela é nota mil. A gente tem bastante referência de influenciadores, então vejam os vídeos da galera.

Apesar de já existir no mercado, é uma grande novidade para você poder unir o seu entretenimento e conhecer um pouco mais esse cenário competitivo que é muito restrito para algumas pessoas. Esse é o meu recado para a galera.

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Vincenzo Augusto Zandoná
Apaixonado por games desde que nasci, gosto de passar horas tagarelando sobre, principalmente Metal Gear! Ah e também faço café...
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