Sou um grande fã de JRPGs, e uma das primeiras franquias que me ajudaram a conhecer esse gênero foi a série Tales of. Mais precisamente, Tales of Vesperia foi meu ponto de partida. Sua narrativa e seu sistema de combate me conquistaram a ponto de eu logo me tornar fã da franquia.
Devido a isso, quando surgiu a oportunidade de experimentar Tales of Eternia Remastered, um capítulo da franquia que eu ainda não havia vivenciado e, de bônus, em sua melhor versão, parecia a combinação perfeita. No entanto, posso adiantar que essa nova versão agrada, mas também desaponta em alguns pontos, que vou citar ao longo desta análise.
A clássica jornada do herói
Tales of Eternia nos ambienta em um mundo dividido em dois reinos isolados: Inferia e Celestia. Porém, devido a um fenômeno chamado “A Grande Queda”, ambos os reinos estão em rota de colisão. Para evitar essa catástrofe, Meredy, uma enviada de Celestia, acaba unindo forças com três amigos de infância que vivem em Inferia: Reid, Farah e Keele.
Agora, o recém-formado grupo deve reunir os espíritos elementais chamados Craymels Superiores para evitar o iminente fim do mundo. Porém, durante a jornada, os heróis descobrem que nem tudo é o que parece.
A trama é bem simples e direta, possuindo características comuns da franquia, como o grande foco nos protagonistas. Graças a isso, o grupo é muito bem desenvolvido, com ótimos diálogos que convencem de que Reid, Farah e Keele são amigos de infância há anos, além de fazerem acreditar que, durante a jornada, Meredy se torna parte dessa “família”.
Tudo isso faz com que os personagens sejam muito carismáticos. Essa qualidade também se estende aos reinos, que possuem cultura, religião e política próprias, agregando valor à trama geral e tornando-a ainda mais instigante. Além disso, torna os momentos de reviravolta ainda mais envolventes de acompanhar. Contudo, nem tudo é perfeito.
A Bandai Namco fez mais um relançamento que, infelizmente, não conta com legendas em português, o que dificulta recomendar o jogo a qualquer pessoa. Afinal, como é comum no gênero, há muitos diálogos, sem contar as mecânicas que exigem leitura para entender bem como funcionam, como a fusão dos espíritos elementais. Mas explicarei melhor o que isso significa mais adiante.
Outro ponto que me decepcionou foram alguns momentos da trama, nos quais ela é simplesmente muito apressada e utiliza demasiadas conveniências de roteiro, a ponto de a sensação que tive foi de estarem jogando muita informação sem dar tempo de absorver tudo. Esses momentos não estragam a experiência, mas incomodam um pouco.
Viajando entre dois reinos distintos
Nem só de uma boa história se define um JRPG; outro ponto que logo chama atenção no título são os gráficos pixelados em 2D, que já eram bonitos na versão original e agora, atualizados, estão ainda mais belos graças ao aumento da qualidade da imagem. Todavia, o trabalho realizado foi bem simples. Algumas animações e texturas em 3D não conseguem esconder que estão datadas.
Isso fica perceptível nos trechos em que os personagens andam pelo mapa aberto tridimensional, que é bastante semelhante ao que se vê em títulos mais antigos da franquia Dragon's Quest. Além disso, existe uma série de missões secundárias disponíveis no mapa. Elas são marcadas por uma estrela verde e normalmente ficam em cidades ou vilarejos espalhados por ambos os reinos.
Em resumo, não existe incentivo para concluí-las. A narrativa dessas missões não chama atenção, e sua recompensa é um título que possui apenas uma função cosmética, não tendo utilidade de verdade. Sem contar que, às vezes, o objetivo é participar de algum minigame, que pode ser divertido ou chato. Eles estão presentes, às vezes até em missões da campanha.
Por sorte, é completamente possível ficar forte sem depender das secundárias, já que a principal fonte de experiência reside nos clássicos confrontos aleatórios, que felizmente podem ser desativados ou reduzidos nas configurações.
Essa proposta faz parte de uma leva de novas qualidades de vida que a nova versão recebeu. Além dessa já citada, também é possível alterar a quantidade de XP e de dinheiro recebidos. Mas a principal mudança foi a presença dos marcadores para as missões principais, que ajudam muito a não se perder nas masmorras existentes, as quais são bastante confusas às vezes.
Duelos satisfatórios e o poder dos elementais
Como último grande destaque desta obra, temos o combate, que utiliza o sistema A-LMBS (Aggressive Linear Motion Battle System, ou Sistema de Batalha de Movimento Linear Agressivo). Esse nome complicado basicamente quer dizer que a jogabilidade é a de um RPG de ação, similar à de um beat 'em up.
É possível andar para a esquerda e para a direita em um cenário que se comporta como um corredor linear. Durante esse período, controlamos apenas o protagonista, Reid, que consegue desferir ataques fracos, os quais podem ser intercalados com habilidades de combate para formar combos extensos.
Os demais personagens do grupo atuam de forma independente, mas é possível pausar as lutas para lhes dar ordens específicas, alterar a formação da equipe ou definir qual deve ser o foco deles, podendo adotar uma postura mais ofensiva ou defensiva.
Essas características criam um combate sólido, no qual é possível criar combos extensos utilizando as habilidades extravagantes dos heróis. Durante esses momentos, os embates são genuinamente divertidos.
Todavia, ele possui alguns problemas: os aliados nem sempre executam bem as ordens dadas; por exemplo, às vezes, eles não se defendem, o que gera situações frustrantes durante confrontos contra chefes.
Para tentar contornar isso, existem os poderes dos espíritos elementais que citei lá no começo da análise. Eles são fortes e capazes de virar a partida a favor do jogador, além de poderem ser combinados para criar ataques melhores. Contudo, eles não amenizam totalmente o problema citado.
Um JRPG bem executado, mas um relançamento fraco
Tales of Eternia Remastered é definitivamente um bom JRPG, mas esse mérito se deve mais ao seu conteúdo original do que às mudanças apresentadas nesta versão atualizada, que foi produzida de forma muito segura, o que acaba decepcionando em alguns pontos.
As mudanças, como mais opções de acessibilidade, visuais refinados e localizadores de missões, melhoram a experiência, mas não amenizam totalmente as missões secundárias desinteressantes, a falta de legendas em português e o combate, que pode deixar a desejar em alguns trechos.
Prós:
- O grupo principal de quatro amigos é muito carismático, e todos os seus diálogos são imersivos e reforçam a união entre eles;
- A trama principal é bem desenvolvida, apresentando ambos os reinos de forma competente e contando com várias reviravoltas instigantes;
- Há a possibilidade de personalizar a experiência, podendo alterar a quantidade de XP ganho, o dano causado e até remover os encontros aleatórios;
- O marcador de missão principal ajuda muito a não se perder nos níveis;
- O combate é competente, misturando bem elementos de ação e de RPG, permitindo criar combos extravagantes e elaborar estratégias;
- As magias elementais são fortes e podem ser combinadas para criar novas versões.
Contras:
- A ausência de legendas em português afasta quem não possui um bom entendimento de inglês;
- Embora seja boa, a trama, em algumas situações, é muito apressada e utiliza conveniências de roteiro em excesso, diminuindo um pouco a qualidade da escrita;
- As missões secundárias decepcionam tanto na qualidade da escrita quanto nas recompensas, que não ajudam o jogador em nada;
- A inteligência artificial dos aliados desaponta em alguns momentos, atrapalhando a criação de estratégias.
Tales of Eternia Remastered — PS5/PS4/XSX/PC/Switch 1 e 2 — Nota: 7.0Plataforma usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Mariana Marçal
Texto de análise redigido com cópia digital fornecida pela Bandai Namco











