A seguir, nossa análise vai destrinchar diversos elementos para responder à pergunta que você provavelmente está se fazendo neste exato momento: o EA Sports FC 27 proporciona uma experiência que vale a pena?
Autoriza o árbitro, começa o jogo!
Para começo de conversa, vamos falar sobre a jogabilidade, um ponto sempre sensível quando se fala em EAFC. Se em anos anteriores a Electronic Arts apresentava dificuldades para entregar uma gameplay equilibrada, a promessa para o EAFC 27 era buscar resolver esse problema, melhorando a movimentação dos jogadores e entregando uma experiência mais manual, principalmente no que diz respeito à defesa.
A defesa manual torna as coisas mais difíceis, o que para mim não é necessariamente um problema, mas confesso que gostaria de ver uma IA que reagisse minimamente em determinados lances e não apenas ficasse olhando o jogo acontecer. A dobra de marcação, por exemplo, é algo que praticamente não existe mais, dado o foco do jogo nas disputas 1v1.
Inclusive, a reação da IA também é um ponto importante no novo sistema de escanteios, que agora é dividido em duas partes: a batida (o jogador escolhe a direção e a potência) e a recepção (exigindo posicionamento correto tanto para atacar quanto para defender). Pessoalmente, preferia o modelo anterior, mas o novo sistema dá mais controle aos jogadores e, como a EA resolveu o problema da falta de gols de cabeça (que vinha desde o EAFC 25), não é difícil fazer uns golzinhos a partir da jogada de bola parada.
Com exceção dessas novidades principais, além de melhorias e algumas novas animações, a base do gameplay do EAFC segue praticamente a mesma. Até mesmo aquela sensação de que os jogadores são esquiadores ou patinadores, pois aparentam estar deslizando, ainda está por aqui.
Outro problema são os bugs na gameplay, que vão desde os toques que os jogadores dão na bola ao dominá-la (o que a faz agir como se fosse uma “bola dente de leite”), defensores indo em direção ao adversário como se fosse um ímã, jogadores se enroscando entre si, até goleiros simplesmente não reagindo a uma finalização do adversário ou impedimentos bizarramente mal marcados — só para trazer alguns exemplos.
De maneira geral, tanto a jogabilidade Competitiva quanto a Autêntica seguem o mesmo padrão dos jogos anteriores da série. Enquanto a primeira continua priorizando a rapidez, tanto no jogo em si quanto no tempo de resposta dos jogadores ao executarem os comandos, a segunda conta com um ritmo muito mais cadenciado, focado na fisicalidade. Mas agora a diferença entre ambas é ainda mais nítida, o que é um acerto da Electronic Arts.
Na parte gráfica, é possível perceber que algumas faces escaneadas de atletas e treinadores parecem melhores, enquanto faces genéricas parecem meio estranhas, para dizer o mínimo. Os menus também carregam mais rápido (com exceção do The Grounds) e são mais bonitos do que os do seu antecessor.
Playground não é garantia de diversão!
Por falar em The Grounds, esse é o próximo assunto que vamos abordar, afinal se trata da maior adição da EA para o EA Sports FC 27. Primeiramente, é importante contextualizar: o The Grounds funciona como uma espécie de hub online, permitindo que você encontre amigos e possa jogar diversos eventos e minigames em locais distribuídos através do mapa.
Ao entrar no modo, nomes como Paulo Dybala, Chloe Kelly, Kylian Mbappé e Alex Hunter (o protagonista do modo The Journey, presente na franquia da EA nos FIFA 17, 18 e 19) auxiliam você em uma breve introdução ao conteúdo. Em seguida, o jogador está livre para explorar o mapa e os minigames disponíveis, ou seguir diretamente para o Clubs, que também está integrado ao The Grounds.
O mapa conta com a presença de um minigame de precisão, no qual os jogadores devem acertar alguns alvos (que podem estar estáticos ou em movimento), além de algumas estátuas, grafites e fachadas que contam curiosidades do futebol de maneira geral, e quatro lojas, dispostas uma em cada canto do mapa. Honestamente, a minha sensação explorando o mapa é de ver algo vazio e sem personalidade, apesar desses detalhes e da presença de NPCs para preencher o cenário.
Se cada um dos eventos presentes no The Grounds estivesse em um menu dentro do Clubs em vez do mapa, a diferença seria quase zero, pois é possível se teletransportar entre os eventos, sem a necessidade de andar de um ponto ao outro. Inclusive, o próprio Clubs pode ser acessado de forma direta, sem passar pelo The Grounds.
Já em relação aos eventos em si, até existe alguma variação, mas o destaque fica por conta daqueles que lembram muito o que foi o FIFA Street no passado, como disputas 1v1, 2v2 e 3v3, além do modo Rush. Por outro lado, algumas tentativas de fusão com outros esportes, como o futebasquete (e olha que eu sou um grande fã de futebol e basquete) e o futebocha, são experiências simplesmente desastrosas, para dizer o mínimo.
Obviamente, eu não tinha a expectativa de que o The Grounds fosse um enorme mundo aberto, cheio de atividades e outros detalhes, ou mesmo que ele envolvesse o Modo Carreira Jogador, como alguns esperavam. Mas confesso que achei o modo simplesmente decepcionante, ainda mais para algo que foi tratado como uma novidade e tanto pela EA.
Espero que a desenvolvedora continue trabalhando para melhorar a experiência, corrigir bugs e entregar algo que realmente motive os jogadores a seguirem jogando o modo, para que ele não acabe tendo o mesmo fim do VOLTA Football ou acabe no ostracismo do Rush.
Jogando com o regulamento debaixo do braço
Mas, se o The Grounds não entrega uma experiência tão satisfatória assim, podemos dizer que a trinca formada por Clubs, Ultimate Team e Modo Carreira Treinador garante o resultado. Ainda que o Clubs não tenha recebido nenhuma novidade revolucionária, foram feitos ajustes e adições que melhoraram a experiência.
Os Arquétipos, que precisavam ser desbloqueados antes de serem upados no EAFC 26, agora estão desbloqueados por padrão, facilitando o processo de construção de diferentes builds de jogador, e as Maestrias também receberam alguns ajustes. Somado a isso, temos os Amplificadores, um novo item que concede benefícios específicos ao seu Arquétipo ativo por tempo limitado, além dos marcos específicos, que dão bônus permanentes de atributos aplicados a todas as suas builds.
Em resumo, jogar o Clubs segue tão divertido quanto sempre foi, especialmente com os amigos. O outro lado dessa moeda é o descaso com que a EA segue tratando o Modo Carreira Jogador, cuja única novidade foi a adição das Rivalidades, em que o jogador compete com atletas da IA por algum objetivo específico (algo semelhante ao que existe nos jogos da franquia EA SPORTS F1).
No Ultimate Team, que é o carro-chefe da franquia e permite montar o seu time dos sonhos, tivemos algumas novidades que eu considero bastante interessantes. Começando pela Galeria do FUT, que é um prato cheio para os colecionistas de plantão e dá a chance de ganhar recompensas por conjuntos de cartas específicas de clubes e ligas ou por pontuação, estejam os jogadores ativamente na sua equipe ou não. Os DMEs também receberam pequenos ajustes, permitindo que alguns desafios sejam completados através dessa mesma pontuação citada acima, que é atribuída a cada carta (quanto melhor ela for, maior será a pontuação) e também usando cartas duplicadas, algo que não era possível em jogos anteriores.
A EA também simplificou a classificação das cartas básicas, deixando a divisão entre cartas Bronze, Prata e Ouro mais simples, abandonando essa diferenciação entre itens comuns e raros, o que torna a organização da coleção mais simples. Por outro lado, é sempre importante destacar que as microtransações seguem presentes e impactando no desenrolar do modo, mas isso já não surpreende mais ninguém.
Por fim, temos o Modo Carreira, que também recebeu adições pequenas, mas interessantes para aqueles que gostam de comandar os clubes de futebol da vida real. Para este ano, foram adicionados diversos elementos para aumentar a sensação de gestão dos clubes.
O maior exemplo é o sistema reformulado de transferências, que modificou formas de negociação e cláusulas contratuais, além de aumentar o tempo de duração das negociações e a possibilidade de renegociações durante o processo, tornando-o um pouco mais realista. A parceria da EA com o TransferRoom, conhecida plataforma de avaliação de transferências, também resultou em um novo sistema de precificação dos jogadores, que leva em conta diversos aspectos, especialmente a idade e o potencial de evolução de um jogador.
E por falar em evolução, tivemos a adição do Geral Dinâmico, que reformulou a classificação dos jogadores e fez com que sua pontuação possa subir ou descer bastante de acordo com diversos elementos, desde o condicionamento físico e o tempo de jogo até a confiança e a disputa por posição com outros atletas. Além disso, os Eventos Inesperados foram ampliados, introduzindo lesões surpreendentes de jogadores (acredite, algumas são realmente bizarras) e situações que podem gerar desdobramentos no decorrer da sua carreira.
Outra novidade é o Criador de Desafios, que oferece ferramentas para que você possa criar, publicar e compartilhar seus próprios cenários de Carreira de Técnico, apoiando o conteúdo gerado pelos próprios jogadores. Uma pena que não seja possível configurar totalmente cada desafio criado, já que existem limites de quantas configurações podem ser alteradas.
Contudo, apesar do maior apelo por realismo, o jogo comete alguns erros que impactam diretamente a imersão. Jogadores que pedem para ser transferidos sem nenhum motivo aparente, clubes que disputam a contratação de um atleta sem critério, contratações totalmente aleatórias são alguns dos exemplos.
Pessoalmente, me incomodou bastante um bug específico: um jogador inicialmente pediu para ser transferido após uma tentativa frustrada de renovação de contrato, eu acabei renovando com ele posteriormente, mas não consigo retirá-lo da lista de transferências, o que faz com que eu receba diversas ofertas pelo atleta. Algumas mudanças no mapeamento de botões dos menus do modo Carreira também me incomodaram um pouco, mas é questão de gosto mesmo, nada que atrapalhe a jornada.
Um velho conhecido retorna, mas o Brasileirão segue em falta
Antes de finalizar, gostaria de destacar rapidamente a questão das licenças, que sempre foram uma carta na manga da EA Sports na hora de “vender o peixe” da sua franquia. Ao longo dos últimos anos, vimos poucas ligas sendo adicionadas ao jogo, e algumas também acabaram deixando a série.
Para este ano, houve o retorno da Liga Mexicana (que havia aparecido pela última vez no FIFA 22), com todos os clubes e jogadores licenciados. Os estádios ainda não fazem parte do pacote, mas existe a esperança de que nomes como o Estádio Azteca possam retornar no futuro.
Para nós, brasileiros, fica uma sensação agridoce, pois a seleção brasileira voltou a estar presente na franquia, enquanto Bahia e Botafogo são os únicos clubes com elencos licenciados. Todos os outros times brasileiros que disputaram a Copa Sul-Americana e a Libertadores seguem apenas com seus escudos e uniformes licenciados, como tem sido desde o FIFA 17.
Para completar, não é possível comandar nenhum dos dois times no Modo Carreira, pois apesar de estar na seção “Resto do Mundo” (e ser possível trocar times incluídos nesta seção com qualquer outro clube das mais de 30 ligas presentes no jogo), o Bahia não aparece como uma opção para esse modo em específico. No entanto, é possível contratar tanto jogadores do Tricolor Baiano quanto da equipe da Estrela Solitária na sua carreira.
O Brasileirão segue ausente e, apesar de vários rumores e até de alguns acenos por parte da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), dos clubes e de associações de atletas, ainda parece ter um longo caminho a percorrer antes de voltar a figurar entre as ligas presentes na franquia EA Sports FC. Esperamos que esse retorno aconteça o mais brevemente possível!
Fim de jogo!
Prós
- Jogabilidades Competitiva e Autêntica estão ainda mais distintas entre si;
- Novidades do Ultimate Team, adições ao Modo Carreira e ajustes no Clubs;
- Retorno da Liga Mexicana e chegada dos elencos reais de Bahia e Botafogo.
Contras
- Jogadores parecem estar sempre deslizando nas animações;
- Bugs que atrapalham a gameplay;
- The Grounds vazio e sem personalidade;
- O Campeonato Brasileiro segue ausente por mais um ano.
EA Sports FC 27 — PC/PS4/XBO/PS5/XSX/Switch/Switch 2 — Nota: 6.5Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela EA

.gif)
.gif)


.gif)






.gif)



