Análise: TOEM 2 combina fotografia, exploração e humor em uma sequência cativante

A nova aventura preserva o espírito acolhedor do original, enquanto amplia o mundo com novas ferramentas e possibilidades de interação.

em 28/09/2026

TOEM 2 é a sequência de uma das aventuras fotográficas mais simpáticas do universo indie. Mantendo a proposta cozy do primeiro jogo, a nova jornada nos convida a viajar por diferentes localidades em busca do misterioso TOEM, enquanto usamos nossa câmera para registrar animais, resolver problemas e descobrir os segredos de cada região. Algumas novidades, como ferramentas que ampliam a interação com o cenário, ajudam a expandir a fórmula, mas a sequência prefere aperfeiçoar ideias a fazer mudanças profundas.

Uma jornada em busca do extraordinário

O TOEM é um fenômeno fantástico que acontece neste mundo sob circunstâncias bastante específicas. Sua próxima aparição está prestes a acontecer na Colina Contorcida, despertando a curiosidade de quem deseja testemunhar o acontecimento. Munido apenas de uma câmera e muita disposição para explorar, uma exploradora decide viajar até o local, passando por diferentes regiões e conhecendo uma série de personagens pelo caminho. 


A estrutura continua bastante agradável, tendo como foco a câmera, que serve tanto para registrar momentos quanto para resolver os pequenos problemas espalhados pelas localidades. Algumas tarefas pedem fotografias bastante específicas, enquanto outras estabelecem condições curiosas, como registrar uma determinada quantidade de animais em uma única imagem. 

Há ainda pedidos mais enigmáticos, que exigem observar o ambiente com atenção. Em determinado momento, uma moça me pediu para fotografar uma "galinha grande". Depois de procurar pelo animal, percebi que ela falava de uma casa que, vista de determinado ângulo, realmente lembrava uma enorme ave. É esse tipo de situação que torna a fotografia mais interessante do que simplesmente apontar a câmera para aquilo que parece importante.


A grande novidade da sequência está nas ferramentas que ampliam nossa interação com o mundo. Uma chave de fenda permite girar mecanismos e desparafusar peças, enquanto um martelo serve para quebrar pedras e bater em pregos.

Para avançar até a próxima região, precisamos reunir uma quantidade específica de carimbos, obtidos ao completar missões. Como a exigência é baixa, não somos obrigados a cumprir todas as tarefas, o que preserva o ritmo despreocupado da experiência.

Aproveitando a paisagem e as pequenas descobertas

TOEM 2 preserva aquela sensação confortável do primeiro jogo. É uma aventura tranquila e cativante, cuja diversão vem de descobrir como podemos resolver os problemas usando a câmera, com algumas missões bastante criativas. Em certos momentos, precisamos vestir uma roupa específica ou utilizar algum acessório, enquanto, em outros, podemos encontrar soluções pouco convencionais simplesmente prestando atenção no que existe ao nosso redor.


O nível de desafio é bastante baixo, com poucas situações que exigem muito tempo de reflexão. Isso não chega a ser um problema, já que a proposta está em oferecer uma experiência acessível, na qual podemos explorar sem pressa e ajudar os personagens sem medo de ficar presos em algum quebra-cabeça.

As novas ferramentas também tornam essa exploração mais divertida. Em um ateliê, por exemplo, usei o martelo para talhar uma escultura em um enorme bloco de mármore. Em outro momento, precisei usar uma tesoura para picotar um tecido que flutuava pelo ar e ajudar uma costureira. A chave de fenda também foi útil quando encontrei uma válvula responsável por controlar um cano que jorrava água em uma indefesa mulher. São interações simples, mas ajudam a dar mais variedade à aventura e fazem com que os cenários pareçam um pouco mais interativos do que no primeiro título.


O problema é que essas ferramentas raramente chegam a ser exploradas de maneira mais criativa. Na maior parte das vezes, a solução é bastante óbvia, e cada recurso fica restrito à região em que foi obtido. Eu gostaria de ter visto situações que misturassem as diferentes ferramentas, criando pequenos quebra-cabeças nos quais fosse necessário experimentar mais de uma possibilidade antes de encontrar a resposta. 

Ainda assim, o mundo mais expansivo compensa parte dessa simplicidade. A personagem se movimenta com mais agilidade, pode saltar livremente, e há pequenos trechos de plataforma e escalada espalhados pelo caminho. Com cenários mais elaborados e uma movimentação mais rápida, explorar cada cantinho se torna um deleite, com muitos itens escondidos pelo mundo.



Em mundo pensado para ser contemplado

A atmosfera é um dos aspectos que mais me fizeram gostar da experiência. TOEM 2 é uma aventura muito good vibes, repleta de personagens divertidos, situações absurdas e problemas que raramente parecem importantes demais. O jogo não se leva a sério, e isso também aparece nos diálogos, disponíveis em português e recheados de um humor leve, que consegue arrancar alguns sorrisos.


Visualmente, a sequência continua apostando no monocromático, uma escolha que permanece tão bonita quanto particular. A diferença é que, agora, os cenários são muito mais elaborados, com uma mistura curiosa de ambientes tridimensionais e personagens bidimensionais. O resultado me passa a impressão de estar diante de um livro desenhado que ganhou movimento, mantendo o aspecto artesanal. 

As localidades também ajudam a manter a viagem interessante. Partimos de uma região rural, passamos por uma área que parece saída de uma era medieval fantástica, com direito a magia e calabouços, e chegamos a uma metrópole moderna, repleta de prédios. Cada lugar possui seus próprios personagens, atividades e pequenas histórias, fazendo com que a viagem até a Colina Contorcida seja tão importante quanto o próprio destino.


A trilha sonora segue o mesmo caminho, com composições suaves no piano e no violão, que reforçam a sensação de tranquilidade. Tudo contribui para criar um mundo agradável e envolvente, no qual o mais interessante é simplesmente aproveitar o passeio, observar os cenários e descobrir o que existe escondido em cada canto.

Uma viagem que vale a pena

TOEM 2 preserva a essência do primeiro jogo e consegue ampliar a experiência sem perder seu espírito acolhedor. A fotografia continua sendo o principal motivo para observar cada canto dos cenários, enquanto as novas ferramentas, a movimentação mais ágil e os mundos maiores tornam a exploração mais variada e divertida. Tudo isso é acompanhado por personagens simpáticos, situações bem-humoradas e uma direção artística que continua sendo um dos grandes destaques da série.

Embora as novidades não mudem radicalmente a fórmula, elas funcionam bem dentro da proposta. TOEM 2 oferece uma nova viagem por esse universo peculiar, sendo uma continuação competente e cativante para quem gosta de experiências leves e criativas, que valorizam mais a curiosidade do que o desafio.

Prós

  • Fotografia integrada de forma criativa às missões;
  • Mundo agradável e divertido de explorar;
  • Direção artística monocromática única;
  • Novas ferramentas ampliam as possibilidades de interação.

Contras

  • Alguns puzzles são tão simples que se tornam irrelevantes;
  • O uso das ferramentas é limitado demais.
TOEM 2 — PC/PlayStation 5/Switch/Switch 2 — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Something We Made
OpenCritic
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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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