Análise: Nioh 3 Ascensão do Inferno é um retorno satisfatório a um dos melhores jogos do ano

A expansão é marcada por uma excelente região, combate viciante e uma história que apenas prepara o terreno para o capítulo final.

em 05/09/2026

Os DLCs de Nioh fazem parte do legado da série. Desde o primeiro game, lançado em 2017, a Team Ninja adotou um pós-lançamento robusto, com três expansões que acabaram se tornando padrão para as sequências da franquia. Com Nioh 3 e suas mudanças estruturais, surgiram muitas questões sobre como o estúdio continuaria esse legado. Será que o primeiro conteúdo adicional, Nioh 3 Ascensão do Inferno, faz jus à tradição da franquia?

Revisitando Nioh 3

Lançado em fevereiro de 2026, Nioh 3 se posicionou imediatamente como um candidato a entrar na minha lista dos melhores jogos do ano. Conforme apontado em minha análise na época, o jogo não se permitiu simplesmente ser uma sequência segura do que já era considerado uma obra-prima, Nioh 2, mas desbravou novos horizontes ao aplicar a expertise em campos abertos que o estúdio havia iniciado com o excelente Rise of the Ronin. A franquia passou a explorar campos de batalha abertos, expandiu sua essência para um sistema duplo de combate, entre samurai e ninja, e apresentou a melhor narrativa da série, introduzindo ainda a viagem no tempo por diferentes eras do Japão.

Todas essas mudanças estruturais pareciam perfeitas para receber pacotes extras, aumentando minha expectativa sobre o conteúdo que o jogo receberia. Como mencionado, as expansões da franquia carregam um status lendário por expandirem o universo com novas histórias, personagens e, principalmente, um desafio muito maior em relação ao jogo base. Na minha lembrança, os conteúdos adicionais do primeiro Nioh estão entre as experiências mais hardcore que enfrentei na época.

As mecânicas de áreas abertas e viagem no tempo também se posicionam perfeitamente para receber novos conteúdos. Bastava a Team Ninja criar outra região em uma nova época para encaixar a expansão naturalmente no conceito de Nioh 3. E foi exatamente isso que aconteceu.

Levando os jogadores a Edo de 1651, Ascensão do Inferno introduz uma região que, sem dúvida, é sua maior virtude.

A nova parada do viajante do tempo

A franquia nunca foi conhecida pelo seu poderio em fidelidade gráfica. Por conta disso, sua direção de arte e suas características visuais precisam fazer o trabalho pesado, e a nova região é carregada disso. Com tons azulados e verde-neon, toda a capital tomada pelo Crucible consegue ser bela e se tornar um dos pontos mais atrativos visualmente do jogo, fazendo o jogador ignorar completamente alguns aspectos que ficam aquém de outros projetos, como a água.

Além dos visuais de alto nível, a região é acompanhada por uma sonoridade que segue a cartilha do original, que já era um de seus pontos de destaque. Embora poucas novas faixas tenham sido adicionadas, elas são suficientes para engrandecer a atmosfera e ampliar o universo.

Mais importante, porém, é a exploração do cenário. A nova região fica em um meio-termo de tamanho em relação aos mapas disponíveis no jogo base. Não é uma área gigante nem pequena, sendo certamente de um tamanho ideal para uma expansão. São diversos caminhos e segredos, mas, mais importante do que isso, existe um ritmo que conduz o jogador e mantém aquela vontade de sempre continuar explorando, algo que o jogo base já fazia muito bem.

Na questão do conteúdo, porém, a situação é mais dividida. O mapa continua contando com os extras clássicos, como a procura por Kodamas e as orações nos santuários Jizo, mas não introduz nenhuma atividade inédita própria da região.

As missões secundárias dos espíritos também continuam presentes, mas algumas não parecem ter aprendido com as lições do original. Em uma delas, precisamos confrontar um inimigo que tenta nos emboscar em diferentes partes do cenário. O objetivo diz claramente: encontre este inimigo. No entanto, sua localização está sempre sinalizada no mapa. Ou seja, o correto seria dizer: vá até esta localização e enfrente o inimigo.

Ter essa informação sempre disponível tira parte do sentido da missão, que deveria envolver a sensação de caçar ou ser emboscado durante diferentes seções do mapa, até culminar em uma batalha contra um chefe. Era justamente uma oportunidade para a expansão apostar em uma liberdade maior e permitir que o jogador realmente se perdesse durante esses extras.

No mais, com dez side quests desse tipo, elas cumprem bem o objetivo de acompanhar o jogador durante a exploração completa do cenário.

Armas e inimigos

Com poucos momentos de jogatina, já dá para lembrar por que Nioh 3 continua sendo um dos melhores jogos do ano. Sua jogabilidade, pareada com a nova liberdade de ir e vir pelos cenários e enfrentar inimigos cada vez mais fortes, continua sendo extremamente viciante e é algo que a expansão consegue carregar muito bem. Entrar nesse mundo e enfrentar qualquer tipo de ameaça continua sendo uma experiência extremamente divertida, mas o que encontramos exatamente nesta nova região?

Cada era do jogo original recebia atenção especial em relação aos inimigos enfrentados, ajudando a dar características próprias e identidade a cada período. Nesta expansão, no entanto, parece haver uma compilação dos inimigos já encontrados durante o jogo base em um único mapa. Sim, existem criaturas próprias e interessantes de enfrentar, mas nenhuma delas é realmente icônica a ponto de eu associá-la imediatamente a este período específico.

Essa repetição e ressignificação não são novidades na franquia. Ao longo da série, vemos os mesmos inimigos e cenários reaparecendo em situações distintas. Porém, neste caso, a expansão acaba carecendo de uma identidade própria nesse aspecto. Os destaques ficam para as criaturas dracônicas que, apesar de simples de enfrentar, carregam uma imponência que combina com o cenário. Os alquimistas, que deveriam ter carregado o maior destaque, poderiam ser inimigos mais poderosos.

No quesito armamento, a expansão adiciona uma nova arma que pode ser utilizada em cada um dos dois estilos de combate. O Hoko & Shield oferece uma abordagem diferente, dando a possibilidade de contra-atacar utilizando o ataque forte, com o triângulo, no momento certo. É uma arma interessante para experimentar e tem uma ideia bastante diferente, mas em nenhum momento o jogo exige o uso dessa nova mecânica para superar seus desafios.

Existe uma oportunidade de testar suas mecânicas já no primeiro chefe, mas ela não é necessária para derrotá-lo. Isso mantém a filosofia da franquia de permitir que cada inimigo seja enfrentado da maneira que o jogador preferir, mas também representa uma oportunidade perdida de mostrar melhor por que essa nova arma existe. Depois do período de experimentação, retornei às minhas armas preferidas, neste caso, a lança e a tonfa, muito mais por uma questão de gosto.

A dificuldade do DLC, no entanto, não alcança os níveis lendários dos conteúdos anteriores, principalmente quando jogado na dificuldade base. Acredito que a região poderia exigir um nível maior, principalmente porque estamos falando de um conteúdo adicional voltado para quem já passou por toda a campanha. Um aumento de pelo menos dez níveis por localidade já ajudaria a transmitir uma sensação maior de progressão e desafio.

Felizmente, para quem procura uma luta mais bruta, a expansão introduz os Hundred Demon Realms Picture Scrolls. São arenas nas quais podemos enfrentar chefes, múltiplos chefes e ondas de inimigos, funcionando como desafios rápidos e diretos para testar builds, armas e habilidades. É uma adição interessante para quem quer continuar jogando depois de terminar o conteúdo principal e, principalmente, para quem sente falta de um desafio mais intenso.

Um de dois

Outro ponto a se notar é que, diferentemente dos dois jogos anteriores, que receberam três pacotes de DLC, Nioh 3 receberá apenas dois. Acredito que isso esteja relacionado à nova dificuldade de desenvolver essas expansões, já que, neste caso, cada uma exige uma área aberta própria e uma nova viagem temporal. Isso, naturalmente, aumenta as expectativas para os dois conteúdos. Dito isso, como Ascensão do Inferno se sai narrativamente e como ele agrega ao mosaico e ao legado do título?

Conforme explicado, o jogo faz bom uso dessas oportunidades ao utilizar uma nova região aberta, pareada com uma nova era. No entanto, falha em se justificar narrativamente, pelo menos neste primeiro momento.

É claro que oferecer mais de Nioh 3 já seria razão suficiente para a existência de uma expansão, já que qualquer desculpa para continuar jogando esta obra é bem-vinda. No entanto, conforme apontado na análise do jogo principal, Nioh 3 conta com a melhor narrativa da série e apresenta seu maior pay-off. Por isso, a expectativa era que a expansão continuasse esse novo padrão de excelência também neste quesito.

Nosso protagonista e agora shogun, Takechiyo, viaja através do tempo e é conduzido até uma Edo do futuro por um yokai desconhecido que encontrou em seus sonhos. Lá, após a morte do Takechiyo do futuro, a era de paz chega ao fim e Edo é novamente tomada pelo Crucible.

Somos então apresentados aos novos personagens, com destaque para Yagyu Jubei, o único que recebe algum nível de aprofundamento, além do espanhol Rodrigo. A partir daí, perseguimos o suposto vilão até o Crucible sem muito envolvimento narrativo, até chegarmos ao momento final, quando o tratamento dado a um personagem específico causa um estranhamento abrupto para os fãs da franquia.

O problema é que a ideia é boa. Os visuais e a intenção por trás desse momento carregam um forte impacto, com um claro flair visual. Porém, falta preparação para que ele tenha o peso necessário. Não existe um build-up suficiente para que a revelação ou o acontecimento cause o impacto que parece buscar.

Ainda assim, me reservo o direito de não crucificar completamente essa escolha. Estamos diante do primeiro capítulo de uma história dividida em dois, e ainda existe espaço para que a próxima expansão apresente respostas e dê um novo significado a este desfecho.

Preparado para a próxima era

Nioh 3 Ascensão do Inferno entrega um retorno envolvente ao combate e à exploração estelar do jogo, emoldurado por uma nova região atmosférica e de belo design. Embora uma galeria de inimigos pouco inspirada e um clímax narrativo subdesenvolvido impeçam a expansão de se equiparar aos conteúdos mais lendários da série, ela se mantém como um primeiro capítulo sólido e agradável.

Prós

  • Nova região com direção de arte marcante e ritmo de exploração exemplar;
  • Escala ideal do novo mapa, adaptando com naturalidade o conceito de áreas abertas para o formato de expansão;
  • Combate fluido e viciante que preserva o alto nível técnico do jogo base;
  • Hundred Demon Realms Picture Scrolls oferecem arenas desafiadoras e divertidas;
  • Boa integração com a mecânica de viagem no tempo.

Contras

  • Falta de identidade e variedade de inimigos inéditos;
  • Conclusão narrativa apressada, carecendo do preparo dramático que a ideia exigia, funcionando mais como preparação para o próximo DLC;
  • Missões secundárias sem novidades estruturais na exploração;
  • Nível de desafio aquém do padrão estabelecido pelas expansões anteriores da franquia.
Nioh 3 Ascensão do Inferno — PS5/PC — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PlayStation 5
Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia digital cedida pela Koei Tecmo
OpenCritic
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Matheus Oliveira
Entusiasta de games e cinema, sempre explorando novos gêneros e estilos enquanto acumula um backlog infinito. X e Instagram
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