Em setembro de 1996 chegou ao PlayStation uma das obras que marcou a vida do primeiro console da Sony: Crash Bandicoot. Desenvolvido pela Naughty Dog e publicado pela Universal Studios, o jogo do marsupial rivalizou com grandes nomes da época, como Mario e Sonic, e foi tratado como uma mascote não oficial do videogame, tamanho o impacto que causou.
Embora muitos não saibam, Crash não foi o primeiro título desenvolvido pela Naughty Dog. Na realidade, uma década antes, em 1986, foi publicado Math Jam para o Apple II. Dali em diante, foram mais cinco games lançados, até receberem uma proposta da Universal para produzirem três jogos. O contrato foi feito e a softhouse tinha liberdade criativa total para o projeto, que acabou criando a trilogia do Bandicoot.
Primeiros passos
A escolha de uma produção em 3D foi feita quase sem stress, a empresa apenas observou o que era tendência na época, principalmente nos arcades. Com melhores tecnologias chegando, a terceira dimensão representava o futuro, então era lógico que o jogo deveria trazer isso.
Quanto ao personagem que seria o centro da franquia, as principais inspirações vieram da Sega e da Warner Bros. As empresas pegaram animais relativamente obscuros e pouco conhecidos, como porco-espinho e diabo-da-tasmânia, respectivamente, e os fizeram ser carismáticos e divertidos. Ao final, três marsupiais estavam na linha para virarem o protagonista: vombate, potorous e o bandicoot.
Durante o desenvolvimento, de maneira provisória, usaram o nome “Willy the Wombat” para o personagem, como uma referência ao RPG japonês da Hudson Soft, Willy Wombat. Mesmo quando decidiram pelo bandicoot, o apelido foi usado por um tempo, enquanto ainda não chegavam ao nome oficial de Crash.
Outra inspiração clássica dos anos 1990 foi do vilão da série, Dr Neo Cortex. O conceito básico era de um gênio maligno com uma cabeça grande. Um dos desenhos mais famosos da década foi Pinky e Cérebro e, este último, serviu como referência para chegarem ao modelo e personalidade final de Neo. Para finalizar o vilão, a ideia principal foi cercá-lo de “minions”, que eram animais alterados pelo próprio cientista, mas que também apresentavam seu carisma e foram marcantes.
A busca pelas gemas
Sem muitas firulas, Crash Bandicoot era um jogo de plataforma 3D em que o personagem principal podia pular e atacar os bichos com sua rotação (no melhor estilo do Taz), para então chegar até o final da fase e avançar na ilha em que se encontrava. Com três ilhas ao todo, vários bosses apareciam no caminho também.
Embora o game explorasse a terceira dimensão na maioria dos níveis, incluindo fases de velocidade ao montar um javali e fases de perseguição (em que ao invés de vermos as costas de Crash, o marsupial corria em direção à câmera, fugindo de uma bola gigante de pedra, no melhor estilo Indiana Jones), alguns níveis trouxeram apenas um modo 2D de plataforma. Porém, estas mesmas fases não eram mais fáceis ou simples por terem uma dimensão de exploração a menos – vide o famoso nível cortado por ser avaliado como muito difícil, Stormy Ascent.
O título possuía 26 fases (sendo duas delas secretas) e 6 chefões ao todo. Cada um dos níveis possuía uma gema que era conquistada ao quebrar todas as caixas e finalizar a tentativa sem morrer nenhuma vez. Uma missão e tanto para os jogadores, o que aumentou o fator replay do game, já que isso servia para obter o final alternativo.
A última “fase” do game, chamada de The Great Hall, era quase um bônus e trazia o uso de todas as gemas para levar Crash à sua amada Tawna, que estava sob o controle de Neo Cortex. No final, o marsupial e a sua namorada saíam voando do castelo do vilão, sem nem sequer precisar enfrentá-lo. Caso alguma gema faltasse, era impossível completar a fase por esse caminho, tornando-se um nível concluído em apenas um pulo e que levava ao duelo final contra Cortex.
A famosa dificuldade
Crash Bandicoot ganhou fama por ser um jogo difícil, sendo considerado o mais desafiador da trilogia original. Esse status foi renovado com o lançamento do remake, Crash Bandicoot N. Sane Trilogy (2017), em que algumas pessoas brincavam que era o Dark Souls de plataforma e mais difícil que o original (o que não é verdade, mas isso é assunto para outra hora).
Um dos fatores que aumentava a dificuldade era ter poucos momentos para salvar o progresso (fosse no memory card ou mesmo através de um password – sim, password ainda eram usados na época). Isso porque os saves só aconteciam em momentos específicos: ao completar um bônus da Tawna ou do Cortex (que não estavam presentes em todas as fases: da namorada eram 16 e do vilão apenas dois e em fases coincidentes com da Tawna) ou ao conquistar uma gema. Com essa proposta, qualquer game over podia representar um retorno muito grande de fases, forçando o jogador a recomeçar um trecho recente, geralmente com menos vidas ainda.
Recepção e legado
Crash Bandicoot foi aclamado pela crítica e público desde o dia 1. Ao lado de sua máscara encantada, Aku-Aku, o marsupial ganhou boas reviews e no site agregador de notas, GameRankings, somou um total de 80% nas avaliações.
Já da parte do público, Crash foi amado e rivalizou com outros grandes mascotes da época, mas trazia aquele ar mais edgy da década de 1990 (era visto principalmente nos comerciais). O game foi um sucesso de vendas, chegando ao primeiro milhão de cópias ainda em 1996 (lembrando que ele foi lançado em setembro daquele ano). O sucesso garantiu ao Bandicoot a entrada no Greatest Hits do PlayStation. Ao todo, o jogo ultrapassou a marca de 6,8 milhões de unidades vendidas.
Atualmente, não existe uma maneira oficial de se jogar Crash Bandicoot. A opção indicada para quem deseja conhecer o game, fica com o remake Crash Bandicoot N. Sane Trilogy, disponível em várias plataformas (PS4, Xbox One, Nintendo Switch, PC).
Revisão: Thomaz Farias

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