Análise: SpeedRunners 2: King of Speed apresenta poucas ideias novas e falha em se distanciar do antecessor

O game apresenta uma nova roupagem, mas ainda vive demais à sombra do SpeedRunners original.

em 16/09/2026


Após uma década, a tinyBuild lançou a continuação de um dos seus jogos mais famosos: SpeedRunners 2: King of Speed, que chegou no dia 3 de setembro para PlayStation 5, Switch 2, Xbox Series X|S e PC (Steam). Entretanto, tal qual seus personagens durante a corrida, o game passa por alguns tropeços em busca do sucesso. 

SpeedRunners, lançado em 2016, foi desenvolvido pela DoubleDutch Games e publicado pela tinyBuild. A continuação, que estava prevista para 2025, foi adiada para julho de 2026 e depois para setembro, foi feita pela Fair Play Labs. E por que isso importa? Porque é possível notar em vários aspectos que nenhuma equipe ou desenvolvedor do título original participou da sequência.


A corrida maluca sem carros

SpeedRunners 2 é um jogo de plataforma que leva velocidade e competição ao extremo. A principal proposta é a de corridas com desafios, que testam as habilidades dos jogadores neste gênero clássico. Para isso, vale pular buracos e espinhos, subir pela parede, usar turbos e até ganchos que se prendem no teto para ganhar mais e mais velocidade e ficar à frente dos adversários. Além disso, para dar uma pitada de caos, power-ups são sempre bem-vindos. Os itens vão desde simples caixas deixadas para trás até mísseis teleguiados e ganchos que puxam o primeiro colocado no melhor estilo Scorpion, do Mortal Kombat.

A diversão central do game começa quando o primeiro competidor é eliminado. A câmera acompanha o pelotão principal, e quem fica para trás, fora de alcance, é eliminado naquela rodada. A partir daí, uma margem vermelha começa a fechar a área visível da tela, tornando cada vez mais difícil acompanhar os personagens e o mapa. Com menos espaço disponível, as eliminações seguintes acontecem mais rapidamente até restar somente um, que ganha um ponto. Quem ganhar três pontos primeiro, leva a disputa.


Esse é o conceito básico do título que vai permear todas as interações dos jogadores, sejam elas em modo offline, em LAN com os amigos, ou ainda em partidas online, com ou sem crossplay.

 O Bom

A primeira novidade que chama a atenção em SpeedRunners 2 são os gráficos, que foram repaginados. Os personagens têm mais detalhes e até mesmo mais personalidade em seus designs, além de contarem com novas skins.

Os mapas tiveram uma melhora significativa, deixando de parecer um fundo feito no Paint e recebendo ilustrações elaboradas, que trazem mais imersão, como o esqueleto de dinossauro no Museu, ou o espaço sideral no fundo da Base Lunar. Agora, cada fase apresenta mais aspectos únicos que a diferencia das demais. Aliás, alguns mapas novos diversificam os caminhos dos já conhecidos do game antecessor e trazem mais elementos para aumentar a velocidade do personagem.


O título, de certa forma e guardadas as devidas proporções, lembra os jogos de luta: é acessível o suficiente para o jogador casual que queira apenas se divertir com os amigos ou disputar algumas partidas aleatórias, ao mesmo tempo em que exige técnica o suficiente para quem queira dominar suas mecânicas e maximizar as estratégias disponíveis.

O Mau

Uma das decepções do jogo é o modo história. É possível finalizá-lo em cerca de 30 minutos, ou até menos. Não que se espere muito desse tipo de desafio em jogos focados em multiplayer, mas se há uma opção no menu destacada para isso, ela precisa ser boa o suficiente para merecer essa relevância.

A história conta com somente três cenários. Somado a isso, vários desafios são apenas meias corridas e, na maioria das vezes, contra apenas um oponente. Não representam o verdadeiro desafio do jogo. Embora os três chefões alterem um pouco a lógica estabelecida, eles ainda são fáceis o suficiente para serem derrotados em uma ou duas tentativas. Já a história em si nada mais é do que uma trama genérica sobre voltar no tempo para impedir que o vilão


domine o mundo.

Agora, se os gráficos, por um lado, deixam o jogo mais bonito e imersivo, por outro, atrapalham um pouco na hora da jogatina. Há informação demais na tela para um jogo cuja principal premissa seja a velocidade. Cenários muito detalhados, personagens correndo em alta velocidade e diversos elementos visuais competindo por atenção acabam dificultando a leitura do que está acontecendo.

O problema é perceptível a ponto de os desenvolvedores terem precisado colocar contornos nos personagens, para que ficassem visíveis no meio da correria e não se misturassem ao cenário. Nesse ponto, surge um outro problema: quando se joga com personagens e skins iguais, não há nada que os diferencie, nem mesmo esse contorno. Com isso, é extremamente fácil confundir quem é quem. A sorte é que acontece com pouca frequência.


O Feio

Se os problemas citados acima são falhas que ainda podem ser melhoradas, pelo menos há uma clara tentativa, por parte dos desenvolvedores, de realizar algo com essas propostas. Seja em um modo offline mais robusto, seja em uma apresentação mais bonita, esse esforço de evolução está presente. Porém, o que vem a seguir envolve questões que sequer deveriam estar presentes em uma continuação durante seu lançamento (mesmo que ainda possam melhorar no futuro).

Os criadores da sequência seguiram muito bem a máxima de que “time que está ganhando não se mexe”, pois apostaram pesado nos personagens e mapas icônicos do primeiro título. São apenas oito mapas (com duas variações cada, totalizando 16) e 12 personagens. Porém, boa parte desse conteúdo não é novidade, já que nove competidores e quatro mapas retornam do jogo original.


E, falando em mapas, ainda não há suporte para fases criadas pela comunidade, ferramenta muito utilizada em SpeedRunners 1 – tanto que um dos níveis do novo jogo foi baseado no clássico “Forest”, feito no editor/Steam Workshop.

A mudança estética também afetou a sensação de velocidade. Embora ainda haja certa satisfação em ver seu personagem praticamente voando entre ganchos, paredes e buracos, a realidade é que o resultado não transmite a mesma impressão de rapidez do antecessor. O jogo parece mais lento.


Por fim, chegamos a um dos pontos cruciais: o multiplayer. SpeedRunners 2, assim como seu predecessor, é claramente focado na jogatina multiplayer, especialmente online. E, atualmente, o cenário para jogar pela internet é desanimador.

Há seis modos de jogo online: Partida Rápida (Quick Match – até quatro jogadores), Ranqueadas, Partidas de até oito personagens (8 Player Match), Torneio, Playground e Lobby customizável. No entanto, mesmo contando com crossplay, é praticamente impossível encontrar adversários em modos além do padrão, de partida rápida. Durante todo o período de análise, apenas uma vez foi possível me conectar a uma partida com mais de quatro personagens, sendo que esse foi um dos principais chamarizes que o game ofereceu desde seu anúncio.


O problema vai além: é muito raro terminar uma partida online com a mesma quantidade de jogadores que a iniciaram. Verdade seja dita, sempre existe a possibilidade de alguém dar um rage quit, mas, na imensa maioria das vezes, o personagem fica parado por dois ou três rounds antes de cair, o que indica uma provável queda de conexão.

E por falar em falhas de rede, há diversas reclamações de jogadores sobre lag nas partidas. A versão analisada foi a de PC, e não foi possível perceber problemas nos nossos comandos. Porém, em vários momentos, ficou evidente que adversários demoravam alguns segundos após a largada para começar a correr, o que sugere problemas do outro lado da conexão.


Aquém do limite de velocidade

Do jeito que está, o jogo corre o risco de morrer logo. Embora desértico, ainda há alguma vida no online, mas ela já parece escassa demais para justificar a compra por esse aspecto. Dessa forma, sem atualizações, campanhas de marketing ou promoções, em breve o multiplayer se tornará um cemitério.

Para quem possui o primeiro jogo (que, por algum motivo desconhecido, está mais caro que o novo), há poucos motivos para fazer o upgrade. E ainda é difícil recomendar SpeedRunners 2: King of Speed pelo preço cheio. Talvez a equação fique mais interessante quando aparecer uma promoção mais agressiva.

Prós

  • Gráficos mais bonitos e maior profundidade nas fases;
  •  Versões alternativas de mapas que permitem mais velocidade;
  •  Crossplay;
  •  Maior facilidade para jogar offline;

Contras

  • Pouca inovação em personagens, fases e power-ups;
  • Online com praticamente apenas um modo de jogo funcionando;
  • Sem suporte para mapas criados pela comunidade;
  • Modo história fraco e curto;
  • Exagero em cores e elementos, o que pode dificultar a identificação dos personagens;

Speed Runners 2 — PC/PlayStation 5/Xbox Series/Switch 2 — Nota: 6.0 
Versão usada para análise: PC 

Revisão: Júlia Loffreda Costa
Análise produzida com cópia digital cedida pela tinyBuild


OpenCritic
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Moreno Valerio
Jornalista, Técnico no papel, engenheiro não praticante e mestre Pokémon nas horas vagas. Passa 80% do tempo falando de games. Nos outros 20% torce para alguém falar sobre games, só para poder falar mais um pouco.
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