Análise: Fading Echo é uma aventura divertida e cativante, mas que peca em seu combate e fases

Com dublagem PT-BR, visuais chamativos e quebra-cabeças divertidos, essa obra chama a atenção mesmo com tropeços.


Títulos de plataforma 3D sempre são um atrativo para quem deseja uma experiência mais descontraída. Eu estava de olho em Fading Echo, o primeiro projeto do estúdio New Tale, há um tempinho. Sua proposta de poderes com água e seus visuais cartunescos deslumbrantes foram suficientes para que eu quisesse experimentar a obra.

Agora, tendo tido a oportunidade de desfrutar do jogo, ele atendeu e superou algumas expectativas minhas, entregando uma história interessante e visuais chamativos, mas também revelou ter alguns problemas no seu combate e no design dos níveis.

A jornada de One para salvar Corel

Fading Echo começa com a protagonista One e sua mãe, Rahne, buscando água no desolado e belo planeta Corel, que não está no seu melhor período, já que uma infecção chamada praga do Paradoxo está destruindo-o e fragmentando-o em várias dimensões chamadas de sombras, por serem reflexos distorcidos da dimensão original.


Mas tudo muda quando a heroína entra em contato com uma fonte suspeita da preciosa substância e adquire habilidades especiais que a tornam a última esperança de salvar esse planeta. Para realizar tal árdua tarefa, ela vai contar com o apoio de Vellum, praticamente uma “divindade” que deseja salvar seu lar ao reconectar sua base, o bastião, a quatro fontes de Aether, uma energia essencial para eliminar a praga de uma vez por todas.

A narrativa possui uma premissa bem simples, sendo basicamente a clássica jornada do herói. O que me surpreendeu foi o carisma de alguns personagens, como a One, sua mãe e Vellum, que possuem ótimos momentos sérios e bem-humorados. Parte dessa qualidade vem da escrita, mas também da excelente dublagem em português brasileiro, que conta com vozes como


Carol Valença (Abby de The Last of Us e Luffy de One Piece) como protagonista, Adriana Torres como Vellum e até mesmo Guilherme Briggs (voz do Superman) como antagonista principal da obra. O trabalho fenomenal desses atores aumentou notavelmente minha imersão na história e o meu apego aos personagens.

Também ressalto a criatividade do estúdio ao optar por cutscenes que lembram revistas em quadrinhos, com direito a balões de fala e onomatopeias em momentos de ação intensa. Mesmo com todas essas qualidades, senti que, em alguns momentos, a trama não consegue desenvolver bem alguns personagens, e seu universo também fica um pouco confuso, dificultando o entendimento de algumas informações apresentadas por meio da campanha e de diálogos opcionais. 


Além disso, presenciei alguns bugs, como legendas que ficam em inglês mesmo com o jogo em português, e não é incomum você ver as falas ultrapassando os balões, mas tais problemas devem ser arrumados logo e, no geral, não afetaram gravemente a minha jogatina.

Um combate com boas ideias e má execução

Se a narrativa realmente esbanja qualidade, eu não experimentei o mesmo no combate de Fading Echo, o qual possui uma jogabilidade rápida, com a heroína podendo desferir golpes fracos e fortes, esquivar e utilizar seus recém-adquiridos poderes para fazer combos, como arremessar uma onda contra os inimigos.


O problema está na mecânica elemental exclusiva do jogo. A maior parte dos adversários apresenta um poder elemental e, para superá-lo, é preciso arremessar o alvo em uma substância de efeito oposto ao dele. Por exemplo, um ser de fogo vai se extinguir no fluido aquoso. 

No começo da experiência, essa ideia é atrativa; ver a protagonista arremessando os inimigos em poças de água, no fogo, em algo similar a ácido ou para fora dos cenários cria uma dinâmica interessante e divertida.


Em contrapartida, após algumas horas fazendo a mesma coisa, ela acaba banalizando os confrontos, que se tornam chatos, monótonos e repetitivos. A situação se agrava ainda mais, pois a variedade de adversários não é notavelmente grande e a obra possui uma quantidade considerável de embates. 

Sinto que a dinâmica elemental, no final, acabou mais atrapalhando as lutas do que realmente tornando-as interessantes. Mesmo existindo uma árvore de habilidades considerável com novos talentos para One, eu nem tive tanto interesse em investir expressivamente nela, pois não é realmente necessário para vencer as disputas.

Corel, um mundo fragmentado, lindo e confuso

Contudo, se nos embates os talentos da protagonista não brilham tanto, na movimentação e na resolução de puzzles eles são excelentes. A heroína irá se deparar com esses quebra-cabeças enquanto estiver explorando cada uma das quatro regiões, que funcionam como áreas semiabertas, divididas em três níveis, cada um com uma fonte de Aether.  


Esses desafios intelectuais são consideravelmente simples e diretos ao ponto, tendo objetivos como pegar um artefato e levá-lo até certo local ou apertar uma determinada quantidade de botões de forma rápida. 

Claro que, durante a realização dessas tarefas, haverá vários obstáculos que testam a inteligência do jogador. Contudo, esses quebra-cabeças não têm muitas variações, apresentando basicamente os mesmos objetivos do começo ao fim da aventura, o que os torna monótonos rapidamente. 

Em contrapartida, o jogo faz um bom uso dos talentos da personagem, o que impede que esses momentos fiquem chatos. Fazer com que ela entre em contato com fogo para virar vapor ou mergulhe em “ácido” para pular mais alto é prazeroso e prático, o que ajuda a manter o dinamismo.


Todavia, existe outro empecilho que preciso comentar: as ilhas que vamos explorar e nas quais realizaremos as atividades têm paisagens parecidas, o que às vezes as torna confusas. Aventurei-me por elas ao ponto de, em alguns momentos, ter me perguntado se não havia passado pelo mesmo local.

O jogo até tenta amenizar isso, com elas tendo visuais lindos e criativos, com uma competente diversidade nas temáticas de seus ambientes, que incluem pedaços de terra flutuando, flores gigantes, montanhas e construções colossais, mas não adianta tanto, e a situação se agrava quando entramos nas sombras.


Aquelas realidades que divergem da principal que comentei mais cedo compartilham o mesmo problema de falta de variedade dos ambientes. Mesmo que essas realidades mudem a paleta de cores para algo mais psicodélico e, claro, tragam novos puzzles, que continuem bons, isso não ameniza totalmente o sentimento de repetição.

O que salvou a exploração para mim foi a movimentação, a qual é extremamente prazerosa e dinâmica. Utilizar a forma fluida da campeã de Corel para se deslocar pelos biomas, saltando de plataforma em plataforma, é excelente e ajuda bastante a ignorar, até certo ponto, os problemas citados acima.

Um primeiro projeto incrível, mesmo com falhas


Fading Echo
é, sem dúvidas, um primeiro projeto incrível para um estúdio iniciante. Eles conseguiram apresentar ideias criativas, como as dádivas aquáticas de One, que possuem uma excelente dinâmica com os quebra-cabeças e a movimentação. Junto a isso, ainda temos uma história competente com bons personagens.

Mesmo com os problemas citados, como baixa variedade de adversários, combate repetitivo e cenários confusos, essa ainda é uma experiência que merece ser testada, ainda mais considerando seu preço bastante acessível.

Prós:

  • Dublagem PT-BR de altíssima qualidade;
  • O universo de Corel é muito criativo, qualidade ressaltada pelos gráficos cartunescos que lembram quadrinhos ou filmes animados;
  • História intrigante que, mesmo com algumas falhas, consegue entregar uma boa jornada;
  • Protagonista carismática e bem-humorada;
  • Os poderes de água são muito bem aplicados nos momentos de travessia e na resolução de quebra-cabeças, o que os torna divertidos.

Contras:

  • Alguns bugs nas legendas;
  • Combate com potencial, mas que não aproveita tão bem as próprias mecânicas elementais, que acabam, no final, atrapalhando-o;
  • Inimigos, embora apresentem alguma variedade, ainda se repetem bastante, o que os torna monótonos;
  • Os cenários são muito parecidos, o que às vezes torna a exploração um pouco confusa, principalmente na dimensão das sombras.
Fading Echo — PS5/XSX — Nota: 7.0
Plataforma: PlayStation 5
Revisão: Camila Sales 
Texto de análise redigido com chave digital cedida pela New Tales
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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