Parece que os “simuladores de ônibus” realmente estão voltando com tudo. No ano passado, Bus Bound até tentou estacionar na vaga da franquia Bus Simulator, trazendo algumas ideias bacanas, mas acabou pecando em coisas muito simples, como a alta dose de repetitividade.
Para mostrar que é o rei da rodoviária, Bus Simulator 27 chega para mostrar que ainda é a experiência definitiva para quem gosta de grandes veículos, belas paisagens e não deixar as pessoas esperando no ponto.
Fale ao motorista somente o indispensável
Felicia Bay é uma cidade que enfrenta um colapso na mobilidade urbana. Para resolver essa questão, nosso avatar chega no local com a missão de estruturar uma nova malha rodoviária, mais competente e que atenda não só os pontos turísticos de Felicia Bay, mas também das cidades vizinhas.
Começando pelo principal: pilotar o ônibus. O veículo possui uma série de funções específicas além do acelerador e o freio. Sempre precisamos estar atentos com o botão de parada, o controle das portas (inclusive nos momentos de embarque de passageiros com necessidades especiais), setas e faróis. Temos um menu estático que nos permite explorar com calma cada opção necessária para uma direção segura, inclusive o tutorial é bastante enfático no seu uso, ao ponto de não sinalizar com a devida clareza que podemos remapear os botões de atalho.
As opções são inúmeras e variam de acordo com os veículos que integram a nossa frota. Todavia, podemos alterar o mapeamento de botões para melhor atender nossas necessidades. Aqui, temos uma pequena questão. Como analisei a versão de PlayStation 5, faltaram botões para tantas funções, algo que acredito que não aconteça com os jogadores de PC, que tem um teclado inteiro à sua disposição.
Entretanto, a complexidade de Bus Simulator 27 está além da direção. Também temos que trabalhar nossas capacidades sociais, interagindo com os passageiros. Além de vender alguns bilhetes de passeios turísticos, é recomendável sempre se levantar para cumprimentar os passageiros e até interagir com eles em algumas conversas cotidianas. É uma camada de engajamento inusitada, que eu particularmente gostei, mas que pode acabar afastando os jogadores mais casuais, que só querem dirigir pela cidade sem se comprometer com os outros aspectos técnicos.
O único problema crônico em guiar seu fretado por Felicia Bay está no restante da população motorizada. Os motoristas não parecem ter assimilado o código de trânsito vigente, e simplesmente ficam parados em sinais verdes, fazem conversões sem dar seta e alguns táxis parecem ser guiados por ex-pilotos de Fórmula 1 aposentados, pois eles dão a vida para nos ultrapassar em alguns momentos. Claro que com um pouco de experiência, esse tipo de problema se torna até passável, apesar de corriqueiro.
A mente por trás do negócio
Não basta servir apenas uma rota e achar que cidade estará salva. Em Bus Simulator 27, é necessário gerenciar a frota inteira, delegando funções, contratando funcionários e ampliando sua rede de atendimento.
O modo Carreira se mostra bastante intuitivo, com diversas opções que vão sendo liberadas com a nossa evolução a cada missão. Isso ajuda o jogador a assimilar cada novo aspecto disponível de maneira capitular, sem ter que lidar com uma enxurrada de recursos e janelas de uma vez.
Primeiro aprendemos a explorar o mapa, os diferentes tipos de pontos e terminais, para depois passarmos para a aquisição de novos veículos e o gerenciamento de quais condutores serão delegados para qual trajeto e qual será o custo de cada um para a empresa. Lembrando que a habilidade deles ao volante e o carisma também é levado em consideração, assim como o nosso.
À medida que nossa companhia cresce, podemos expandir a frota e criar linhas de circulação de tamanhos variados e que se estendem a localidades vizinhas, e vale citar que elas são desbloqueadas como uma apresentação que as coloca como pontos turísticos, o que não deixa de ser um charme a parte. Vale citar que parte dessa interação é feita a pé. Sim, também temos uma porção pedestre aqui, o que dá uma quebrada na repetitividade massiva de ficar dirigindo ciclicamente.
Toda essa gama de possibilidades ficaria ainda melhor se Bus Simulator 27 contasse com textos em português. Apesar de bastante didático, há momentos com bastante conteúdo que podem deixar jogadores que não dominam nenhuma das línguas oferecidas um pouco confusos.
Agora, se você realmente é a pessoa que não está afim de trabalhar duro desde o início e quer a experiência completa logo de cara, há o modo Sandbox. Nele tudo já está liberado e o dinheiro é infinito. É só se entregar ao jogo com tudo o que ele lhe oferece e construir seu império motorizado da maneira que lhe agradar.
Viajando a trabalho e a passeio
Outro ponto fortíssimo de Bus Simulator 27 está em seu aspecto visual. Seja na construção dos pontos turísticos, ou nos detalhes dos quase 50 tipos de veículos diferentes, o esforço para criar um ambiente único é louvável. As paisagens têm grande inspiração em cidades da Península Ibérica, na Europa, o que nos leva a viajar por formações únicas de casinhas, prédios e até passar perto da praia de vez em quando.
A escolha de sol, chuva, dia e noite é livre, mas acionar a opção de clima dinâmico torna tudo bem mais interessante. É aquela história de sair de casa com o tempo aberto e na hora de subir no ônibus, o maior temporal da sua vida começa, para depois sumir como se nada tivesse acontecido.
Agora se seu hiperfoco estiver voltado para os ônibus, há um visualizador de modelos, logo no menu inicial. Não é necessário liberar cada um deles durante o jogo, pois todos já estarão disponíveis para serem explorados. Estão presentes desde montadoras conhecidas pelos brasileiros, como Scania, Volvo e Mercedes-Benz — inclusive eu gastei um tempo considerável olhando os que mais se pareciam com os das linhas daqui de São Paulo —, até outras mais distantes da nossa realidade, como Ebusco, Alexander Dennis, Hess e Setra.
Há modelos para todos os gostos: os clássicos à diesel; os híbridos e elétricos mais modernos; e até os célebres dois andares (ou Double Deckers). Temos a liberdade de explorar cada centímetro deles da maneira mais realista possível, além de poder usar o mesmo menu de atalhos do jogo para ativar as funções de limpador, lanternas e portas.
Frota de elite
Bus Simulator 27 mantém o bom nível da franquia, mesmo que sendo para uma parcela muito específica de jogadores. Poder gerenciar uma companhia, além de por a mão na massa como condutor, adiciona uma camada interessante e complexa de jogabilidade, que reflete positivamente na hora de quebrar a repetitividade de missões, mas pode ser demais para os jogadores casuais. Ainda assim, mesmo com a ausência de textos em português, é uma experiência válida para quem quer um simulador que entrega uma grande variedade de opções.
Prós
- Os visuais da cidade e os detalhes dos ônibus são muito bem trabalhados;
- A jogabilidade da parte de gerenciamento é fácil de aprender e adiciona um dinamismo às missões;
- Controlar o ônibus requer uma série de comandos que torna a pilotagem ainda mais fiel à realidade;
- A inclusão do Sandbox logo de início para quem não quer crescer pelo Carreira é uma boa sacada.
Contras
- Alguns veículos controlados pela IA tem comportamento que atrapalha no trânsito;
- Jogar em um controle convencional pode não proporcionar uma quantidade adequada de atalho para todas as funções do ônibus;
- Ausência de textos em português.
Bus Simulator 27 — PC/PS5/XSX — Nota: 7.5Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida pela Astragon Entertainment












