Análise: Bus Bound peca pela repetitividade, mesmo com uma ideia criativa

Ajude uma cidade a evoluir através do transporte de passageiros entre as principais paradas e trajetos do lugar.

em 30/04/2026
Todo mundo aqui já esperou décadas por aquele ônibus que simplesmente não passa por nada. Seja em um dia de chuva, voltando do trabalho ou até já dentro de um, mas preso no meio de um trânsito pesado, quem nunca pensou: “Se eu fizesse as rotas, com certeza faria um trabalho melhor.”

Pois bem, aqui está a sua chance de provar seu ponto. Bus Bound nos dá a oportunidade de conduzir passageiros de um lado para o outro e ainda fazer a cidade evoluir com o nosso bom trabalho.

A porta do ônibus abre e fecha, e o passageiro sobe e desce pela cidade

Criado pelo mesmo estúdio responsável por Bus Simulator 21, Bus Bound nos coloca em uma rota fechada, em uma cidade fictícia, sem visitar lugares turísticos ou reais dos Estados Unidos ou da Europa, como em seu “antecessor”. 

Nosso avatar é o mais novo contratado da companhia viária de Emberville, uma cidade pacata dividida em vários distritos. Nossa missão diária é simples: trafegar pelas linhas de ônibus, embarcando e desembarcando passageiros, sempre com segurança e respeitando as regras de trânsito.

Sempre que os passageiros descem do ônibus, recebemos alguns “joinhas” pela viagem, e ter uma condução exemplar aumenta nosso multiplicador. Desde parar corretamente nas placas de “Pare” até passar lentamente por quebra-molas e utilizar a seta de maneira adequada, tudo vale um terço da barra de satisfação para maximizar nossa reputação.

Outro momento-chave é o da parada nos pontos. Sempre há uma marcação na pista indicando a posição correta. Se pararmos próximos ao meio-fio e rente à linha no asfalto, somos recompensados com três estrelas e um aumento instantâneo do multiplicador. Quanto mais distante dessas duas referências, menor o contento dos viajantes.

Ganhar uma certa quantidade de sinais de aprovações em um ponto faz com que ele evolua e aumente o número de usuários que sobem no ônibus. Quando todos os pontos de um distrito são melhorados, aquele pedaço da cidade ganha novas atrações turísticas, rodoviárias e mais paradas, que podem ser acrescidas às linhas já existentes ou formar um novo trajeto.

Entretanto, até o jogador pegar o jeito, a progressão é extremamente lenta. Qualquer tipo de desrespeito à sinalização de trânsito, freada brusca ou batida causa a insatisfação das pessoas e, com isso, o multiplicador regride. Como é fácil de errar em alguns pontos com curvas mais fechadas, demora até pegar um ritmo que mantenha os pontos dobrados ou triplicados em alta.

No mais, Bus Bound se baseia apenas nesse tipo de andamento: evolua os pontos de ônibus, depois os distritos, melhore a cidade, expanda e repita o processo. É o tipo de divertimento para quem curte experiências mais lentas e desafios mais brandos. Há alguns modificadores que aumentam a dificuldade, como jogar com a tela sem informação ou com os limpadores desligados em um dia de chuva, mas ainda assim não é algo que mexa drasticamente com o que já foi apresentado.

Sem perder a linha… ou quase

Em um jogo de pilotagem de ônibus, espera-se que a direção seja um dos diferenciais, e Bus Bound até consegue fazer um bom trabalho, embora cometa alguns deslizes. Ao todo, temos 19 tipos de veículos para escolher, que são liberados conforme progredimos em nossa jornada como motoristas.

Desde ônibus antigos movidos a diesel até transportes modernos e híbridos, é possível sentir a diferença na pilotagem de cada um, desde a resposta na aceleração até o momento de realizar as curvas. É bacana dirigir cada modelo e comparar qual vale mais a pena para cada rota. Também é possível testá-los livremente no modo livre antes de liberá-los no modo carreira. Além disso, é possível customizá-los, usando desde cores chapadas e linhas simples até adesivos complexos e estilos clássicos, como os das viações dos anos 1950.

Outra peça fundamental da jogabilidade está no ambiente dinâmico. Dirigir de manhã é completamente diferente de guiar à noite, mesmo que o trajeto seja idêntico, por causa do fluxo de tráfego e do comportamento dos carros nas pistas. Além de respeitar as regras de trânsito, o motorista deve estar atento para desviar de qualquer piloto imprudente que pare do nada ou trave um cruzamento. E sim, essas manobras evasivas também são bem vistas pelos passageiros.

Um dos meus momentos favoritos em Bus Bound foi dirigir na chuva. A tela fica com  aspecto molhado, o que torna praticamente impossível de enxergar. A solução? Ligar os limpadores com um toque do controle e, assim, clarear nosso campo de visão para continuar o trabalho. É uma maneira inteligente e imersiva de colocar o jogador a par de mais funções do transporte além de acelerar, frear e abrir as portas.

Apenas senti falta de uma câmera mais distante, como uma vista áerea. Podemos ter o ângulo de visão de dentro da cabine do motorista ou em terceira pessoa, mas ambas ainda parecem um pouco limitantes. Entendo que a visão em primeira pessoa seja mais restrita, mas uma regulagem de proximidade cairia bem no ponto externo. Durante a condução, a necessidade de acertar o ponto de vista da câmera para não errar uma parada é constante.

Outra coisa que incomoda é o fato de, sempre que paramos totalmente, seja em um farol ou ponto, o veículo acaba puxando um pouco para a direita na saída, e isso acontece com todos. Outra questão, um pouco mais crítica, é a de passar com o ônibus por lugares mais estreitos. Mesmo dentro da velocidade recomendada, é fácil de ficar enroscado e, do nada, o veículo começa a se debater na tela, exigindo que seja recolocado na pista pelo menu,  ainda assim, dando alguns pulos estranhos.

E, por falar em coisas “pulantes”, também não foi difícil encontrar passageiros que ficassem saltando dentro do ônibus ou “enterrados” até o tronco na calçada enquanto esperavam no ponto. Nada que prejudique o andamento do jogo, mas algo que sempre acaba aparecendo em títulos do gênero simulator.

Na vida, o que não é motorista é passageiro

Bus Bound trouxe a proposta de fazer a cidade evoluir com as rotas que fazemos e, por mais que seja uma maneira interessante de dar propósito a esse tipo de jogo, ele acaba se tornando altamente repetitivo em sua progressão. Pelo menos a garagem variada e o clima dinâmico criam algumas variações interessantes a cada vez que entramos em uma rota.

Prós

  • A ideia de evoluir uma cidade aprimorando suas rotas de ônibus é bacana;
  • 19 veículos distintos que podem ser customizados livremente;
  • O clima dinâmico traz variações interessantes, como chuvas intensas.

Contras

  • A progressão no jogo é bastante repetitiva;
  • É necessário ajustar a câmera em terceira pessoa várias vezes;
  • Em alguns momentos, o ônibus trava em passagens estreitas e, mesmo com respawn, fica meio “bugado”.
Bus Bound — PC/PS5/XSX — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Mariana Marçal
Análise feita com cópia digital cedida pela Saber Interactive
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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