Dirigido por Ridley Scott, o filme Alien: O Oitavo Passageiro é um dos principais fenômenos da cultura pop. Com o passar do tempo, esse universo tão rico começou a receber várias adaptações para o mundo dos jogos, e uma delas foi Aliens: Fireteam Elite.
A primeira proposta teve sucesso relativo, o que garantiu uma sequência, Aliens: Fireteam Elite 2. Em termos de filme, o título é um Prometheus da vida e, em termos de videogames, é apenas medíocre mesmo. Mas vou dissertar melhor sobre tudo isso na análise logo abaixo.
Uma história que não é digna desse universo
A nova entrada da franquia Alien se passa vinte e sete anos após os eventos do oitavo passageiro, nos colocando no controle de um Marine customizável que recebe a missão de investigar uma colônia espacial que perdeu o contato com o mundo exterior.
Mas o herói percebe, ao chegar lá, que o local é, na verdade, uma base de pesquisa secreta da Weyland-Yutani, na qual estão sendo conduzidos experimentos utilizando (adivinhe) os Xenomorfos. Agora é necessário investigar a colônia e tentar entender qual é o objetivo das pesquisas.
Eu entendo que jogos do gênero de Fireteam Elite 2 possuem um foco no multiplayer e contam com confrontos contra grandes hordas, ao invés de focarem em suas campanhas, que são, na maioria das vezes, apenas um plano de fundo.
No caso desse projeto, contudo, essa dinâmica conseguiu me surpreender negativamente. Mesmo a campanha tendo apenas seis capítulos, o título não consegue entregar uma narrativa funcional e falha em desenvolver os personagens que habitam a nave principal, que funciona como lobby. Para piorar, a trama também não anima nem um pouco. Tudo isso é uma pena, pois esse é um universo muito rico nas HQs, séries e filmes.
Até é perceptível que a desenvolvedora Cold Iron Studios tentou investir em uma personalização de protagonista, adicionando diálogos durante as operações e até mesmo tornando possível escolher opções de falas durante as conversas com NPCs, embora isso tenha apenas peso estético, já que, independentemente da resposta, o assunto permanece o mesmo.
No entanto, os esforços não surtiram tanto efeito; a situação piora, pois algumas linhas de diálogo são apenas muito sem graça e beiram o cafona. Para dificultar ainda mais a cativação pelo enredo, o título não possui legenda em português, diferente do primeiro Alien Fireteam, e esse é um detalhe que só vai afastar mais jogadores do produto.
Marines armados até os dentes com balas de festim
Se a campanha acaba deixando a desejar, a jogabilidade faz jus à experiência de exterminar xenomorfos. A obra é dividida em operações, cada uma tendo três capítulos com objetivos simples e diretos, como limpar a área, defender o objetivo ou coletar informações.
Esses momentos podem ser divididos com até quatro jogadores na equipe, mas, caso você não tenha companheiros ou não ache pessoas no servidor da América do Sul (o que foi o meu caso, mesmo após vários minutos de espera, pois a obra está morta), não aparece ninguém. Sendo assim, três androides, chamados de sintéticos, vão acompanhar o personagem.
Durante as partidas, a mecânica de jogo comporta-se de maneira muito similar à dos títulos como Gears of War ou The Division, apoiando-se fortemente em sistemas de cobertura e disparos direcionados, sendo que as classes disponíveis são o principal diferencial. Ao todo, são seis arquétipos distintos.
O perfil que mais utilizei em minha jornada foi o Duelist, focado em uma abordagem agressiva com talentos direcionados a causar dano em área nas hordas de criaturas que avançam contra o jogador. Contudo, os sintéticos controlados por inteligência artificial possuem um desempenho rudimentar, falhando em prestar suporte adequado nos momentos de maior pressão.
O problema é que as armas e os talentos, independentemente da classe, são muito fracos, fazendo parecer que as balas são de festim, pois os xenomorfos são, especialmente os de elite, verdadeiras esponjas de dano ambulantes, a ponto de os confrontos se tornarem apenas muito cansativos e monótonos, principalmente no final das missões, que é quando a maior quantidade deles aparece.
Os sintéticos mencionados possuem uma inteligência artificial bastante deficiente, não conseguindo auxiliar nos momentos de alta tensão. Nos raros momentos em que encontrei algum jogador, a dinâmica melhorou e passou a ser divertido ver as combinações que os arquétipos conseguiam fazer juntos.
Os alienígenas também são muito fiéis ao que é visto em longas-metragens ou HQs, com comportamentos interessantes como desviar das balas, correr por paredes e tetos, passando a impressão de que eles são realmente seres mais animalescos. Eles também possuem uma boa diversidade de subespécies; têm os clássicos dos filmes, assim como os que se focam em soltar ácido, que explodem, gritam, etc.
Durante esses conflitos, é necessário pegar mais cobertura e avançar mais lentamente, pois a ameaça age de forma mais organizada e militarizada, utilizando táticas como jogar granadas e utilizar escudos, também com uma diversidade maior. Infelizmente, eles também sofrem com o sintoma de “paredes” ambulantes, além de provocarem um dano um pouco exagerado.
Exterminando Xenomorfos por corredores repetidos
Por fim, a ambientação me causou um misto de emoções. Por um lado, ela está muito bem fiel ao que é visto em projetos como Alien Isolation, com naves e colônias muito grandes, sempre com fumaça saindo dos cantos, baixa iluminação e uma trilha sonora que tenta criar tensão nesses momentos.
No entanto, os cenários se repetem muito, limitando-se muito a corredores lineares e fazendo com que o charme da ambientação vá perdendo forças e logo as partidas acabem ficando repetidas. Por exemplo, um dos fatores que prejudica a campanha, a meu ver, é justamente essa repetição de ambientes que não tem grandes variações.
Contudo, também tenho que relatar que tive problemas envolvendo a otimização no PlayStation 5. Ocasionalmente, é normal ver quedas de FPS que, curiosamente, ocorreram em momentos nos quais nem havia muitos inimigos em campo, mas esses problemas devem ser resolvidos logo com atualizações.
Uma experiência medíocre de caçar aliens
Aliens: Fireteam Elite 2 acaba sendo uma experiência mediana que entrega qualidades atrativas, como seu arsenal satisfatório, com uma boa sonoplastia e balística. Há, além disso, as classes que mudam a jogabilidade e possuem possibilidades para criação de builds, e adversários orgânicos e inorgânicos que possuem dinâmicas e comportamentos diferentes, exigindo táticas variadas.
Contudo, os problemas citados, como falta de legendas e inimigos demasiadamente resistentes, quedas de FPS e a dificuldade em achar partidas online no servidor da América do Sul, vão dificultar que fãs dos filmes ou da primeira obra venham experimentar essa sequência.
Prós:
- Um arsenal de armas competente e com várias opções de customização;
- As classes possuem boas diferenças entre si, sendo divertido alternar entre elas;
- O comportamento dos Sintéticos se diferencia de forma satisfatória dos Aliens, o que passa uma experiência diferente no combate;
- Os aliens estão muito bem representados visualmente;
- A gameplay é funcional e consegue ser divertida, principalmente em partidas com vários jogadores;
Contra:
- Dificuldade para achar jogadores nos servidores da América do Sul é um fator que vai afastar jogadores;
- Não conta com legendas em português;
- Embora a narrativa não seja o foco desse gênero de jogo, ainda é uma pena que um universo tão interessante e rico não tenha sido bem utilizado;
- A ambientação lembra vagamente o material original, mas sua falta de diversidade a torna muito repetitiva;
- Alguns inimigos são resistentes demais, o que se torna frustrante e só ajuda a tornar a jogabilidade repetitiva.
Aliens: Fireteam Elite 2 — PS5/XSX/PC — Nota: 6,0Plataforma: PlayStation 5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
O texto de análise foi redigido com cópia digital cedida pela Daybreak Game Company












