Análise: DOOM: The Dark Ages – Revelações é um DLC repleto de ação, combates cheios de recursos e muita diversão

Misturando enredo interessante, desafios envolventes e jogabilidade de primeira, esta expansão também é uma ótima perspectiva para o futuro.

São muitas as adições que um bom DLC pode trazer a um game: expandir a história, propor novas mecânicas, apresentar desafios inéditos, entre outras possibilidades. DOOM: The Dark Ages - Revelações é uma expansão que tem sucesso em trazer basicamente todos esses predicados, enriquecendo ainda mais a experiência viciante do FPS. Equipe sua Lança com Corrente, pois a análise vai começar voando!.

Senta que lá vem história

 O DLC começa logo depois do final de The Dark Ages, no qual o Slayer derrotou Ahzrak, príncipe do Inferno. Determinado a acabar com todas as forças infernais, o protagonista descobre que precisará enfrentar seis comandantes demoníacos. Não quero entrar em grandes spoilers, pois as reviravoltas da expansão são um dos seus pontos fortes, mas digamos que a batalha termina de uma forma abrupta.
O Slayer, então, vai parar num submundo que funciona como uma espécie de prisão. Para escapar, ele acaba contando com a ajuda de uma misteriosa figura, que se torna uma peça-chave para que ele consiga concluir seu objetivo. É dela que ele obtém uma nova arma, chamada Lança com Corrente. Ela é responsável por mudar totalmente a jogabilidade de The Dark Ages: se no jogo base o herói é robusto, mas lento, agora ele ganha mobilidade e agilidade.
Parece que os produtores buscaram as glórias de Doom Eternal, que possuía uma jogabilidade mais ágil e dinâmica. Quando a Lança é atirada e acerta um inimigo, sua corrente impulsiona o Slayer pelo ar, permitindo um deslocamento livre ao redor do vilão. Além disso, a nova arma garante dois dashes ao personagem, aumentando ainda mais as possibilidades de movimentação.
Confesso que o processo de adaptação da Serraescudo à Lança com Corrente foi um pouco conturbado no princípio. Afinal, também não foi fácil sair da jogabilidade rápida e com vários movimentos verticais de Eternal para a proposta mais posicional de The Dark Ages. Felizmente, como as mecânicas mais “agitadas” são mais do meu gosto, minha disposição para aprender foi bem maior.

Combate renovado

Vale frisar que a Serraescudo ainda aparece no DLC, mas as modificações recebidas e o destaque da Lança tornam a arma principal de The Dark Ages menos significativa do que a de Revelações. Inclusive, vale comentar que o novo armamento conta com uma árvore de melhorias bem interessante. O mesmo vale para o Slayer, que também conta com várias possibilidades para aumentar sua vida, armadura e munição.
Ainda sobre a jogabilidade, temos a chegada de alguns novos demônios. Destaques incluem o Feiticeiro e a Açoitadora, que trazem desafios diferentes para serem enfrentados. Também temos um novo efeito de corrupção, que faz os inimigos explodirem de forma perigosa. Os demais inimigos vistos anteriormente ainda dão as caras, proporcionando embates incríveis.
 
Considero que esses combates, no geral, estejam ainda melhores do que na versão base do jogo. A movimentação é beneficiada pelos cenários com vários níveis verticais e inimigos que se deslocam bastante pelos mapas. Só deixo uma única ressalva quanto a algumas batalhas pontuais serem quase difíceis demais, com alguns inimigos sendo verdadeiras “esponjas de dano”.
No mais, temos uma aventura equilibrada e afiada, com desafios exigentes, mas justos. A chegada da Lança exige mais movimentação por parte do jogador, podendo ser intercalada com o Escudo para ampliar as possibilidades durante batalhas com muitos inimigos ao mesmo tempo. Quebra-cabeças e seções de plataforma fazem muito bom uso das novidades, lembrando mais uma vez os bons tempos de Eternal, que ficaram faltando em The Dark Ages.

Nem tudo é violência

Doom: The Dark Ages – Revelações se apresenta como um grande mapa que reúne as missões para avançar na história, mas também segredos (como os tradicionais bonequinhos) e desafios extras. Gostei bastante dessa estrutura, que se expande conforme avançamos na campanha da expansão. Temos vários microambientes para explorar, que se expandem ainda mais após o final da parte “principal” do DLC.
Após isso, obtemos acesso a um item que permite acessar mais conteúdo e desafios, tanto nas missões já disputadas, quanto no mapa geral. Também são liberadas novas melhorias para o Slayer se tornar ainda mais poderoso – e isso é necessário, pois esses desafios extras são bem mais difíceis. Considerando que a história da expansão não é muito longa, esses reforços tornam a experiência mais completa.
 
É possível até mesmo jogar “fases” inspiradas no Doom original e também liberar uma cutscene extra, que dá mais pistas sobre a sequência da história. Vale comentar que The Dark Ages se passa antes do reboot de 2016, sendo que Revelações, apesar de trazer mais luz a esse intervalo na história, ainda deixa espaço para futuros (ou passados?) desdobramentos.
Finalmente, a expansão também inclui o Estripatório 3.0, uma espécie de criador de lutas personalizadas. Com ele, o jogador pode criar suas próprias arenas infinitas de combate com várias opções de customização. Os novos conteúdos incluem novos mapas, demônios e armas, além de outras opções. Também será possível gerar códigos de acesso, bem como salvar e carregar predefinições pessoais.

Rip and tear!

Cumprindo com louvor a tarefa de um DLC de expandir as qualidades do jogo base, DOOM: The Dark Ages - Revelações é uma pedida praticamente obrigatória. A história adicionada complementa muito bem a campanha, bem como a estreia da Lança melhora a jogabilidade. Seus recursos de combate e movimentação permitem encarar as missões e demais desafios, todos radicais e intensos. Agora é aguardar pela próxima iteração dessa franquia de FPS tão clássica e que soube se reinventar para os tempos modernos desde 2016.

Prós

  • DLC complementa com maestria a aventura da versão base do jogo, com direito a novas ideias e correção de pontos fracos;
  • Jogabilidade se beneficia muito bem das novidades, com destaque para os movimentos e golpes proporcionados pela lança;
  • Bom nível de dificuldade e boa variedade nos desafios propostos pela expansão;
  • A história é interessante, trazendo um epílogo mais robusto ao jogo base e deixando pontas soltas promissoras para as sequências.

Contras

  • Nível de dificuldade sofre com alguns picos exagerados devido a inimigos com muita vida e alguns probleminhas nos movimentos da corrente da lança.
DOOM: The Dark Ages - Revelações — PC/PS5/XSX — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Vitor Tibério
Análise redigida com cópia digital obtida pelo redator
OpenCritic
Siga o Blast nas Redes Sociais
Matheus Senna de Oliveira
é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).