Echoes of Aincrad é o título mais recente da franquia Sword Art Online no mundo dos jogos virtuais e, para promovê-lo, a Bandai Namco encomendou um filme que se passa após os eventos da campanha principal da obra.
Esse projeto resultou em Echoes of Aincrad: Unanswered//butterfly, uma animação 3D de aproximadamente 120 minutos de duração. Adianto que a narrativa contada consegue ser divertida e apresenta uma boa premissa envolvendo vingança, suspense e amadurecimento das figuras principais. Mas a maneira de ter acesso a esse conteúdo é problemática.
Rex e Emirum entram no jogo da morte
A obra inicia apresentando dois novos protagonistas: Rex, um estudante universitário que atuava no tempo livre dando aulas de reforço, e a sua aluna, a jovem de quatorze anos Emirum. Ambos acabam presos dentro do SAO e agora precisam sobreviver a qualquer custo. No entanto, o universitário não é capaz de lutar devido a uma doença que possui e, para piorar, ambos enfrentam uma tragédia sem precedentes, na qual o suposto causador dela seria o Espadachim Negro Kirito.
Desejando vingança e descobrir a verdade, a dupla busca seu alvo, mas, como somente a Emirum é capaz de lutar, eles buscam a mentoria de uma sobrevivente experiente que, por pura convivência, acaba sendo logo a companheira do espadachim, Asuna, para ensinar a garota a lutar.
A dupla funciona muito bem junta, conseguindo convencer quem está assistindo de que eles são amigos. Suas personalidades distintas ajudam a reforçar esse sentimento. Enquanto Rex é mais sério, agindo realmente como um adulto, Emirum é energética e não para de falar (na verdade, essa característica se torna muito irritante às vezes).
No entanto, quando estão separados, eles não são tão interessantes. A jovem estudante é quem tem maior foco na narrativa, sendo a figura principal, mas, mesmo assim, seus momentos solitários deixam a desejar, pois ela nunca é realmente bem aprofundada. O máximo que é possível saber sobre ela é que ela sempre amou jogar videogame, tanto que precisou de aulas de reforço para recuperar notas perdidas. Rex também carece de mais detalhes sobre seu passado, o que dificulta tornar a dupla memorável.
Outra coisa que me incomoda é o tom do projeto. Em várias ocasiões, ele transita de uma forma forçada de momentos tensos e melancólicos para felicidade e diversão, principalmente no começo do anime, o que faz parecer que os heróis não estão presos em um jogo mortal, em que Game Over é literalmente morte.
Todavia, esse é um problema que sinto desde o jogo Echoes of Aincrad; a narrativa lá sofre dessa mesma situação. Falando sobre a versão virtual, a animação fez um fan-service e colocou os personagens originais do game em alguns momentos. Como Iori, Zash, Musou e Strina, contudo o grupo não tem tanta importância; o foco está realmente nos novatos na franquia e em Kirito e Asuna.
Para encerrar essa primeira parte da resenha, vou falar um pouco mais diretamente sobre a premissa no geral, mas sem spoilers. Ela é muito interessante, pois entrega um ótimo mistério que mantém uma constância boa pela maior parte dela, embora, após a metade da história, ela comece a ficar previsível demais e demonstre problemas de ritmo, gerando trechos nos quais ela desvia muito do foco principal para dar atenção a pequenos arcos que não são tão interessantes.
O Espadachim Negro e a Relâmpago
Como citado, o protagonista Kirito e a sua companheira Asuna estão presentes na trama do longa-metragem e desempenham funções importantes. Entretanto, meu problema com a participação deles é que ficou muito superficial. Como a usuária de rapieira mais rápida desse universo, Asuna é fundamental para o desenvolvimento de Emirum. Contudo, a relação que ambas construíram não é convincente o suficiente.Já o espadachim negro tem muito pouco tempo de tela para uma figura que é o que move completamente a trama para frente. A falta da presença do personagem dificulta a compra da ideia de que ele é um suspeito. Eu esperava que ele fosse perseguido ou tivesse uma recompensa posta sobre sua cabeça, já que ele está sendo acusado de um ato horrível; todavia, digamos apenas que isso não ocorre. O que torna a própria participação do herói nesse projeto bem decepcionante.
Além disso, a maioria dos consumidores desse tipo de produto vai ser os fãs de Sword Art Online, então o casal principal estar presente, mas não ser bem utilizado, é bastante decepcionante e provavelmente vai afastar os principais consumidores. Principalmente porque, tirando a história, os visuais do projeto em si não são lá essas coisas.
Uma animação em 3D competente, pelo menos nas cenas de ação
Após falar sobre os personagens e o enredo, está na hora de comentar um pouco sobre a parte visual. O estúdio responsável é a Polygon Pictures, especializada em animação CGI, ou seja, em 3D. Com alguns destaques da empresa, sendo uma trilogia de filmes do Godzilla, a adaptação para anime Ajin e o anime Sidônia no Kishi.
Admito que fiquei bastante surpreso com a qualidade entregue no CGI; os rostos dos personagens estão muito bem detalhados, conseguindo passar expressões que transmitem muito bem as emoções que as cenas exigem.
Os momentos mais intensos que envolvem combate também estão bem feitos, conseguindo entregar lutas decentes que entretêm e deixam o telespectador animado, principalmente quando toca a música tema da obra ao fundo.
No entanto, a coreografia desses momentos poderia ser mais ousada, para conseguir entregar embates marcantes, e o clímax final, a meu ver, não consegue entregar uma batalha realmente digna de uma franquia como Sword Art Online.
Outro problema é que, embora os cenários sejam muito bonitos, é comum encontrar vários figurantes com rostos idênticos e mal modelados, o que os deixa com aspecto de “boneco de PS2”, o que normalmente não me incomodaria; contudo, nesse caso, existem momentos em que eles acabam dando destaque nisso, ficando difícil de ignorar.
Uma produção cinematográfica competente, que quase ninguém irá assistir
Para finalizar, mesmo não sendo comum falar sobre a questão de valores, creio que essa é uma exceção. Esse anime só pode ser acessado atualmente por meio da aquisição das edições ultimate ou da edição de entrada junto do upgrade “ultimate edition pack” de Echoes of Aincrad.
Ambas as versões possuem valores muito altos, tanto lá fora quanto no Brasil, o que dificulta recomendar essa produção para os fãs mais velhos e os novos também. Infelizmente, a Bandai Namco apenas divulgou uma pequena parte do longa-metragem gratuitamente no YouTube por tempo limitado. Até o momento, não há previsão de ela distribuir o longa em streaming ou para aquisição em lojas digitais.
No final, Echoes of Aincrad: Unanswered//butterfly é uma obra divertida, com uma história de suspense, que tem seus tropeços e cenas de ação competentes; em contrapartida, sua condição de acesso faz com que poucas pessoas tenham interesse ou a possibilidade de adquirir.
Revisão: Beatriz Castro









