Halo: Campaign Evolved promete levar o maior ícone do XBOX a um território inédito

O remake combina tecnologia atual, conteúdo novo e uma estreia histórica no PlayStation.

em 11/07/2026

Poucas franquias representam tanto uma plataforma quanto Halo. Durante mais de duas décadas, Master Chief foi o principal símbolo do XBOX, ajudando a definir não apenas um console, mas também a identidade dos jogos de tiro nos videogames. Agora, o clássico que iniciou essa trajetória retorna mais uma vez em um remake completo, desta vez carregando um peso diferente dos anteriores.


Além de reconstruir Halo: Combat Evolved na Unreal Engine 5, o projeto marca um momento histórico para a franquia ao chegar também ao PlayStation. Entre novidades inéditas, mudanças visuais e uma nova fase para a Halo Studios, resta descobrir se este retorno, agora intitulado Halo: Campaign Evolved, consegue justificar uma quarta versão de um dos jogos mais importantes da indústria.

Halo novamente

Considerado o maior símbolo do XBOX original, meu contato com Halo: Combat Evolved aconteceu no PC. Sim, houve uma época em que a Microsoft investiu fortemente no selo Games for Windows, levando jogos como Halo, Halo 2 e até o primeiro Gears of War para os computadores, antes de voltar atrás na estratégia e, anos depois, mudar de ideia novamente.

Na época, eu jogava a campanha sempre que visitava meu primo, no computador dele. Como acontecia com muitos jogadores daquela geração, pouco importava que o jogo estivesse totalmente em inglês. Boa parte de nós avançava quase sem entender os diálogos, guiados muito mais pela curiosidade e pelo bom design do que pela narrativa.

E sua identidade visual explicava aquele universo sem precisar de palavras. Enquanto muitos FPS da época buscavam inspiração em conflitos históricos, aqui éramos apresentados a um universo completamente novo. O enorme anel no horizonte, os Covenant com suas armaduras coloridas, os veículos futuristas e os cenários abertos despertavam imediatamente a sensação de aventura.

Era um daqueles jogos que, mesmo após semanas sem jogar, bastava olhar para uma imagem para lembrar exatamente como era estar naquele universo. Nunca consegui fechar o game, fato que deve mudar em breve com este novo lançamento.

Curiosamente, meu contato com o multiplayer só aconteceu muitos anos depois, através da Master Chief Collection. Apesar de reconhecer sua importância para a evolução dos jogos online nos consoles, nunca foi um estilo que realmente me conquistou. Sempre estive mais próximo do ritmo acelerado de Call of Duty. Por isso, a ausência do multiplayer neste remake não chega a ser uma perda para mim, embora certamente seja sentida por uma parcela dos fãs.

Faço essa ressalva porque Halo nunca ocupou no Brasil o mesmo espaço cultural que conquistou nos Estados Unidos. Ainda assim, sua influência sobre a indústria é inegável, e mesmo sendo a quarta versão de Combat Evolved, este remake chega cercado por motivos suficientes para justificar sua existência, tanto pela tecnologia quanto pelo momento vivido pela franquia e sua dona.

Os motivos do retorno

Depois de um desenvolvimento conturbado em Halo Infinite, retornar ao primeiro jogo da franquia parece uma decisão natural para a Halo Studios. Além de revisitar o maior clássico da série, o projeto também serve como um novo ponto de partida para a equipe.

Shuhei Yoshida, ex-executivo da PlayStation, comentou após sua aposentadoria que remakes costumam ser excelentes projetos para equipes se familiarizarem com novas tecnologias antes de partirem para produções inéditas. É difícil não enxergar esse remake exatamente por essa ótica.

Abandonando a Slipspace Engine, responsável pelos problemas técnicos dos projetos anteriores, a franquia passa a utilizar a Unreal Engine 5, motor gráfico que se tornou padrão na indústria. A própria Microsoft já seguiu esse caminho recentemente com o remaster de The Elder Scrolls IV: Oblivion. Aqui, porém, a ambição parece ser ainda maior.

O salto visual vai além de um simples aumento de resolução. Em diversos momentos, os cenários parecem ter sido completamente reinterpretados, com iluminação renovada, densidade de objetos muito maior e um nível de detalhamento que aproxima o jogo dos padrões atuais.

As cores vibrantes, marca registrada da franquia desde o primeiro jogo, permanecem presentes, algo essencial para que Halo continue parecendo Halo. Ainda assim, alguns detalhes mostrados até agora levantam dúvidas. Certos elementos parecem detalhados além do necessário, como algumas formações do anel Halo, enquanto a inclusão de contadores digitais de munição diretamente em algumas armas soa um tanto redundante.

Encontrar esse equilíbrio talvez seja o maior desafio do projeto. Em um momento no qual boa parte das grandes produções utiliza a Unreal Engine 5, cresce também a percepção de uma certa homogeneização visual entre jogos AAA. Preservar a identidade de uma das franquias mais importantes da história do XBOX será tão importante quanto entregar um salto técnico convincente. Afinal, um remake não precisa apenas parecer moderno; ele também precisa continuar reconhecível para quem jogou o original há mais de duas décadas.

Agora azul também

O outro grande motivo para acompanhar este remake é sua chegada ao PlayStation.

Muita coisa pode mudar entre o início do desenvolvimento de um jogo e seu lançamento. Quando este projeto começou a tomar forma, a estratégia da Microsoft já caminhava para transformar o Xbox em uma publisher cada vez mais presente em outras plataformas sob a liderança de Phil Spencer. O lançamento de Gears of War: Reloaded no PlayStation e a própria existência de Gears of War: E-Day, um prelúdio pensado para facilitar a entrada de novos jogadores, pareciam reforçar essa direção.

Desde então, com Asha Sharma assumindo a liderança, a estratégia da companhia passou a dar sinais de mudança. Gears of War: E-Day, por exemplo, já não chegará ao console da Sony, levantando dúvidas sobre quais projetos continuarão seguindo a filosofia multiplataforma iniciada na gestão anterior.

Halo, entretanto, parece ter ultrapassado esse ponto de retorno.

Pela primeira vez em mais de duas décadas, a principal franquia da história do XBOX chegará oficialmente ao PlayStation. Trata-se de um momento histórico para a indústria e, principalmente, para uma geração que cresceu vendo Master Chief como o rosto da concorrência.

Independentemente das decisões futuras da Microsoft, este remake já nasce carregando um simbolismo difícil de ignorar. Mais do que revisitar um clássico, ele representa a estreia de uma das propriedades intelectuais mais importantes dos videogames em uma plataforma na qual sua presença parecia impensável até poucos anos atrás.

Mais campanha

Para justificar ainda mais este retorno, o remake também contará com conteúdo inédito. Três missões completamente novas serão adicionadas à experiência, que se passam antes do início do game; uma decisão curiosa quando pensamos que a abertura de Halo: Combat Evolved é considerada um dos momentos mais marcantes da franquia.

Apesar de se passarem cronologicamente antes do início da campanha principal, essas missões não serão inseridas diretamente na história. A recomendação oficial do estúdio é que sejam jogadas apenas após a conclusão da campanha original, preservando o ritmo e o impacto da introdução clássica para quem estiver conhecendo o título pela primeira vez.

Outras novidades incluem novos Skulls, os tradicionais modificadores de gameplay da franquia. A adição mais interessante é, sem dúvidas, o modo em terceira pessoa, no qual será possível revisitar toda a campanha sob uma perspectiva completamente diferente, oferecendo não apenas uma curiosidade para veteranos, mas também uma alternativa para jogadores menos acostumados com jogos em primeira pessoa.

Outra novidade bem-vinda é a possibilidade de correr. Pode parecer uma adição pequena para os padrões atuais, mas vale lembrar que o original não possuía essa mecânica. A inclusão acompanha a evolução natural da franquia nas últimas décadas e deve tornar a exploração dos amplos cenários mais dinâmica, especialmente para jogadores acostumados aos FPS modernos. Resta apenas observar como essa mudança impactará o ritmo cuidadosamente construído da campanha original.

São mudanças que demonstram uma preocupação em oferecer algo além de um salto gráfico. Afinal, esta já é a quarta versão de Halo: Combat Evolved, e apenas reconstruir os visuais dificilmente seria suficiente para justificar mais um relançamento. Acrescentar novas formas de experimentar uma campanha tão conhecida parece um caminho mais interessante do que simplesmente modernizá-la tecnicamente.

Platinar Halo?

Uma nova versão também representa uma nova oportunidade para os caçadores de conquistas e troféus.

A lista de conquistas já foi disponibilizada pelo site Exophase e, ao que tudo indica, mantém a tradição da série de exigir bastante dedicação. Entre os desafios conhecidos está a conclusão da campanha com todos os Skulls ativados, uma das marcas registradas dos 1000G da franquia.

A principal dúvida fica por conta dos novos modificadores introduzidos neste remake. Ainda não está claro se eles também serão obrigatórios para a conquista da platina ou dos 1000G. Caso sejam, o impacto pode variar bastante, já que alguns aumentam significativamente a dificuldade, enquanto outros facilitam.

De qualquer forma, tudo indica que a tradição será mantida. Assim como aconteceu nas versões anteriores, quem buscar a conclusão completa provavelmente precisará dominar a campanha muito além de uma simples jogatina casual.

Momento de ruptura

Resta agora esperar para descobrir se Halo: Campaign Evolved conseguirá justificar mais uma revisita a um dos jogos mais importantes da história dos videogames. As novidades de gameplay, o conteúdo inédito e a estreia no PlayStation tornam o projeto interessante por si só, mas a maior dúvida continua sendo se o aumento de fidelidade visual proporcionado pela Unreal Engine 5 conseguirá preservar a identidade artística que tornou o original tão marcante ou se acabará sacrificando parte de sua personalidade em busca do realismo. Se encontrar esse equilíbrio, o remake tem tudo para se tornar a versão definitiva da primeira aventura de Master Chief.
Halo: Campaign Evolved — XSX/PS5/PC
Desenvolvedora: Halo Studios
Gênero: FPS
Lançamento: 29 de julho de 2026
Revisão: Vitor Tibério
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Matheus Oliveira
Entusiasta de games e cinema, sempre explorando novos gêneros e estilos enquanto acumula um backlog infinito. X e Instagram
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