KAZ é descrito por seus desenvolvedores como "uma descarga psicodélica definitiva de dopamina". Isso, porém, depende muito de como você reage a esse hormônio sendo despejado em sua corrente sanguínea. A proposta aqui é simples e direta: derrotar inimigos, pontuar bastante e sobreviver o quanto puder. Veremos mais detalhes a seguir.
Em busca de muito em pouco tempo
KAZ é um jogo simples com elementos de roguelike e uma proposta bem arcade. No controle de um avatar simplório, nosso objetivo é abater inimigos espalhados por um tabuleiro em busca de pontos. Cada nível dura poucos segundos, e é preciso atingir uma meta de pontuação para avançar ao próximo.
Antes de iniciar uma nova partida, o jogador precisa escolher um tema, que é basicamente o personagem que vai controlar; o visual das fases e dos inimigos; e a habilidade especial que seu avatar pode realizar, como uma explosão ou a geração de escudos, entre outras. Ao concluir cada nível, o jogador escolhe um modificador que lhe dá alguma vantagem na partida, como mais pontos a cada abate, mais tempo em cada nível ou novas opções de ataque.
A partir daí, a regra é clara: alcançou a meta de pontos? Continua. Não conseguiu? Game over! Ao final de uma partida, o jogo mostra a pontuação do jogador em comparação com a de outros participantes e o convida a tentar novamente, além de liberar novos desbloqueios de vantagens e desvantagens para escolher nas próximas partidas.
Um dos principais atrativos de KAZ é sua jogabilidade, que se resume às teclas direcionais ou ao padrão WASD no teclado, ou ainda ao direcional/analógico no controle. Para abater um inimigo, basta se mover em sua direção. Alguns possuem escudos e exigem mais de um golpe, enquanto outros, os chamados Fugidos, tentam escapar quando o jogador se aproxima.
Eventualmente, armadilhas surgem no tabuleiro. Ao esbarrar em uma delas, uma barra de maldição é preenchida. Quando ela se completa, ao fim do nível, o jogador é obrigado a escolher uma desvantagem que vai atrapalhar até o fim daquela partida, como inimigos surgindo mais distantes, armadilhas mais frequentes ou mais inimigos com escudo etc.
Ao cumprir missões e outros tipos de metas, o jogador ganha moedas que podem ser usadas para desbloquear novos temas para o jogo com personagens, músicas e cenários diferentes. Um dos pontos que motivam a jogatina recorrente é justamente o desejo de desbloquear tudo.
Casualmente caótico
Em sua proposta, KAZ é um título bastante casual — ideal para jogatinas mais rápidas, caso você não esteja disposto a desbloquear tudo de uma vez. As sessões são rápidas, podendo durar poucos minutos, mas bem aproveitadas. O ritmo frenético e os modificadores, que ajudam a alcançar níveis mais distantes, incentivam partidas em sequência, em um curto intervalo de tempo.
Além do modo principal, um modo alternativo chamado Sem Estresse permite jogar sem a pressão do tempo, mas com limite de movimentos — o que, na prática, também gera algum nível de tensão, já que apenas troca uma regra básica do jogo por outra. O ideal seria jogar sem pressão alguma, seja do tempo ou de qualquer outro elemento.
Outro modo, batizado de Lendas da Semana, gera o mesmo padrão de níveis e itens para todos os jogadores. A ideia é desafiar a comunidade em busca da maior pontuação, seguindo as mesmas regras de partida.
Um terceiro modo, mais desafiador, só permite selecionar desvantagens, e se torna mais interessante à medida que novas desvantagens são desbloqueadas. Por fim, um quarto modo permite jogar com um tapete de dança, o que deve tornar KAZ uma experiência ainda mais caótica para quem possui esse acessório.
Apesar da variedade nas formas de jogar, ainda que sutil, KAZ pode ser visualmente cansativo pela velocidade e intensidade com que os eventos acontecem na tela. Mesmo com uma direção de arte definida e original, que remete a algo caótico e autoral, o som, a velocidade das ações e as luzes podem se tornar cansativos depois de um tempo de jogo.
O jogo recomenda a jogatina com o teclado, mas prepare-se para se incomodar com o barulho das teclas, principalmente se o seu for mecânico, já que esse tipo costuma produzir mais ruído. Ainda é possível jogar com controle, mas o teclado permite mais agilidade nas ações de movimento exigidas pelo jogo.
No fim das contas, KAZ é um daqueles títulos facilmente recomendados para uma audiência mais casual, mas que não abre mão de um bom desafio. É possível se divertir bastante, seja sozinho ou alternando partidas com amigos, mas nada que eleve meus níveis de dopamina a ponto de me empolgar de verdade.
Basicamente, um roguelike bem arcade
KAZ cumpre a proposta a que se dedica: entregar partidas curtas, imediatas e recheadas de pequenas decisões que mantêm o jogador engajado por sessões breves. A simplicidade dos controles e a variedade de temas, modificadores e desvantagens garantem uma sensação de progresso constante, o que sustenta a vontade de tentar mais uma rodada. Os modos extras, ainda que discretos em suas diferenças, ajudam a estender a vida útil do título sem comprometer sua identidade.
Por outro lado, o jogo não escapa de certo desgaste a médio prazo. A combinação de velocidade, efeitos visuais intensos e som constante das teclas pode se tornar cansativa em sessões mais longas, e a curva de variedade real entre os modos é menor do que parece à primeira vista. Falta a KAZ um fator surpresa que o eleve além de um bom passatempo.
Ainda assim, para quem busca algo casual, sem grandes exigências de tempo ou compromisso, e que ofereça desafio genuíno em doses pequenas, KAZ consegue atender a essa demanda. Está longe de ser algo marcante, mas cumpre com competência a função de dar aquela empolgada na hora de jogar, mesmo que de forma discreta.
Prós
- Jogabilidade simples e acessível, com curva de aprendizado quase inexistente;
- Partidas curtas, ideais para sessões rápidas;
- Boa variedade de temas, modificadores e desvantagens, que renovam as partidas;
- Modos extras que ampliam as formas de jogar sem descaracterizar a proposta.
Contras
- Pode se tornar visualmente e sonoramente cansativo em sessões mais longas;
- Diferenças entre os modos extras são sutis, limitando a real variedade.
KAZ — PC — Nota: 7.0
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela HAKURO





