Análise: Gunvolt Chronicles: Luminous Avenger iX 1+2 Dual Collection entrega a versão definitiva de uma competente duologia de jogos de plataforma

Copen retorna em duas jornadas distintas, agora em suas versões definitivas, graças a novos modos de jogo e balanceamentos.


Obras de plataforma com visual em pixel art ainda são um dos gêneros mais apreciados pela comunidade gamer. Pensando nisso, a INTI CREATES fez Gunvolt Chronicles: Luminous Avenger iX 1+2 Dual Collection, uma coletânea trazendo ambos os jogos de plataforma da série, agora aprimorados e com um novo modo de jogo. Entretanto, mesmo com essas mudanças, os títulos ainda apresentam alguns problemas preocupantes que podem afastar futuros novos fãs.

O vingador luminoso entra em ação

Luminous Avenger iX 1 nos ambienta em um futuro distópico, no qual a humanidade se divide em dois grupos: os Adeptos, seres que possuem poderes especiais nomeados de Septimas, e os Minos, que representam a parcela de pessoas comuns. Nesse cenário, estes últimos são caçados pelos Adeptos, que são liderados por uma organização chamada Sumeragi.


Para equilibrar a situação, entram o protagonista Copen e sua parceira Lola, uma IA com corpo robótico em formato de esfera que consegue se transformar em uma forma humanoide chamada Desperta; nesse estado, é capaz de reviver o protagonista com seu hino.

A dupla havia ido até uma cidade em busca de um poder chamado Efeito Borboleta, que está nas mãos da Sumeragi. Para impedir o avanço da dupla, a organização envia um inimigo desconhecido chamado Blade. Após o embate, Copen acaba ferido e é resgatado por um grupo de crianças lideradas por Marie. Agora ele deve seguir seu objetivo pessoal e ajudar seus novos aliados a continuarem sobrevivendo.


Fiquei surpreso com o desenvolvimento do personagem principal. Por ele ser sério e uma figura de poucas palavras, deixa uma impressão de que será estereotipado, mas, graças à possibilidade de conversar com as crianças antes de sair em alguma missão, ele recebe muitas camadas, demonstrando que pode rir e se divertir, além de revelar, mesmo que de forma contida, mais do seu passado.

Seus salvadores também merecem os méritos: o grupo de quatro jovens é muito divertido, com diálogos engraçados, mas o trunfo não está apenas nesses elementos; o próprio mundo apresentado consegue ser muito único, e isso é demonstrado principalmente em seus chefes. Entretanto, Luminous Avenger iX 2 não manteve as mesmas qualidades em sua narrativa, o que foi bastante decepcionante.


A trama agora nos apresenta uma realidade alternativa pós-apocalíptica, em que a raça humana foi exterminada, restando apenas robôs. Ao mexer em um objeto misterioso, o herói acaba preso nesse local e agora deve escalar uma torre para conseguir escapar dessa realidade. 

Todos os pontos positivos basicamente somem. Os diálogos antes das missões ainda existem, mas são bem menos interessantes, assim como o próprio vingador e Luna. Além disso, a própria história dessa dimensão é bastante inferior ao que já tinha sido apresentado. Mas esse é apenas o começo do meu desentendimento com o segundo jogo.

Passando por plataformas em ambientes desinteressantes 

Gunvolt Chronicles: Luminous Avenger iX 1-2 Dual Collection é um jogo de plataforma com forte inspiração na franquia Mega Man. Sendo assim, sua jogabilidade consiste em selecionar fases e prosseguir por elas, enfrentando inúmeros inimigos e culminando em um embate contra um chefão no final.


Para enfrentar tais ameaças, o protagonista conta com: sua pistola metralhadora, que só pode atirar na horizontal; seus propulsores, que permitem dar investidas em várias direções; e as Armas EX, adquiridas após vencer um rival — com cada uma tendo poderes únicos.

Entretanto, tal poder é limitado por baterias gastas a cada disparo ou quando o guerreiro é atingido. Caso a fonte de energia acabe, o jogador ficará vulnerável à maioria dos golpes e precisará carregá-las manualmente com um apertar de botão. 


No começo, minha experiência foi difícil, pois me acostumar tanto à limitação da energia quanto à do disparo em apenas uma direção não foi tão prático, mas, com o avançar dos estágios, foi tudo ganhando um ritmo melhor. Assim, comecei a conseguir intercalar melhor o uso das Armas EX com as investidas, que conseguem atordoar os adversários, deixando neles uma marcação que torna os tiros da pistola teleguiados. 

Além disso, cada nível concluído recompensa o jogador com uma pontuação baseada no tempo e nos combos feitos durante o trajeto. Com ela, é possível adquirir melhorias que facilitam ou dificultam os embates. Por exemplo, o poder de Luna de reviver pode ser desativado, dando bastante liberdade para criar a dificuldade ideal.


No entanto, achei que as ambientações dos níveis possuem arquiteturas muito similares na primeira jornada. Elas são majoritariamente cenários industriais, basicamente lineares, com poucos momentos de ação envolvendo parkour, como pular em plataformas ou em paredes, o que as torna muito repetitivas e visualmente desinteressantes.

Mas, para compensar isso, os confrontos contra chefões são épicos. Esses inimigos são visualmente interessantes, com transformações que lembram um Kamen Rider ou um Power Ranger, além de ataques variados e um especial espalhafatoso quando estão prestes a perecer.


Passei bastante sufoco na maioria deles, sempre recorrendo ao meu movimento especial e torcendo para o robô Luna surgir no momento crítico com suas melodias lindas, revivendo Copen para dar a ele mais uma chance de vencer. Infelizmente, muitos dos elementos citados não foram para a segunda jornada.

Uma motosserra com lâmina cega

O segundo capítulo possui diferenças significativas na estrutura de gameplay, com a mecânica da pistola trocada por uma motosserra e com as baterias agora descontinuadas. Em princípio, tive a expectativa de que tais decisões fossem positivas, mas, na prática, os golpes físicos com a serra são fracos e só alongam a duração dos combates.

A investida ficou bastante limitada devido à perda das baterias, podendo ser utilizada poucas vezes seguidas, retirando o elemento da agilidade dos estágios. Em contrapartida a essas mudanças, a obra recebeu novidades, como a possibilidade de se curar, e os cenários agora são mais diversificados, contendo ambientes como selvas e vulcões.

Os antagonistas que protegem a torre também compartilham quase todas as mesmas qualidades que os da obra antecessora; a diferença é que achei esses novos pouco carismáticos, sem tanta personalidade como os outros.

Essas diferenças entre os títulos podem acabar afastando os jogadores que esperam encontrar uma sequência que compartilhe as mesmas qualidades citadas no primeiro. No entanto, acaba que Luminous Avenger IX 2 deixa uma impressão de ser mais um spin-off do que realmente uma continuação numerada. 

Quanto mais conteúdo, melhor 

A coletânea, além de trazer ambas as obras, trouxe algumas melhorias, como: a partir de 500 pontos no contador de combos, em Luminous 2, a serra agora ganha um buff em seu dano, o que a torna um pouco mais útil. Porém, manter essa pontuação não é simples e ainda demora um pouco para acumulá-la. 


Acredito que, para realmente deixar a lâmina serrilhada útil, seria necessário que a gameplay fosse mais voltada para o combate corpo a corpo, com algo próximo ao que é visto em Gravity Circuit, em que o protagonista pode realmente fazer combos amplos fisicamente, ou em Mega Man Zero, em que o sabre de Zero tem dano elevado, o que o torna útil.

Junto à melhoria citada, vieram também todas as DLCs já lançadas para ambos os capítulos. Elas trazem batalhas épicas contra novos personagens de outras franquias da Inti Creates, que são muitas vezes mais desafiadores que os próprios oponentes vistos nas campanhas.

Mas a maior novidade é o modo Batalha Infinita, que funciona como um Boss Rush, em que o objetivo é vencer o máximo de adversários em sequência. No meio desse processo, é possível adquirir benefícios para fortalecer o herói. 


O modo é uma ótima adição para gerar mais tempo de conteúdo. Poder combater novamente figuras conhecidas de ambas as obras é satisfatório, ainda mais com a possibilidade de adquirir benefícios. No entanto, acredito que ele não vá funcionar tão bem com jogadores que não tenham gostado das mudanças citadas no segundo título.

Luminous Avenger retorna em sua melhor versão 


Gunvolt Chronicles: Luminous Avenger iX 1-2 Dual Collection
entrega a melhor versão de uma competente duologia de jogos de plataforma, trazendo uma história surpreendente com um bom personagem principal e batalhas contra rivais que são memoráveis. As novidades, como Batalha infinita e as DLCs, só ajudam a melhorar a experiência geral.

Em contrapartida, as mudanças que o segundo capítulo traz mudam pilares fundamentais da jogabilidade e trazem uma trama inferior à do seu antecessor, embora melhorias como o novo buff tentem fazer uma diferença. Acredito que, mesmo assim, isso vá afastar ou frustrar jogadores que gostavam da experiência do primeiro projeto e buscavam algo similar no segundo.

Prós:

  • Os gráficos pixel art são lindos e muito bem detalhados, principalmente nos personagens e chefes;
  • Embates contra os chefões são criativos e desafiadores;
  • As DLCs e o modo Batalha Infinita são conteúdos extras de qualidade que aumentam a duração do título;
  • As opções de melhorias dão liberdade para que o jogador possa modificar a jogabilidade ao seu bel-prazer, deixando-a mais difícil ou fácil;
  • A narrativa apresenta muito bem o protagonista e surpreende ao conseguir desenvolvê-lo bem por meio da mecânica de conversar.

Contras:

  • Embora visualmente bonita, a ambientação das fases no primeiro título é pouco criativa, o que as torna desinteressantes;
  • Mesmo tendo uma boa diversidade de poderes diferentes, nem todos são bem aproveitados;
  • As mudanças bruscas da jogabilidade do primeiro capítulo para o segundo podem afastar jogadores que desejarem algo mais tradicional.
Gunvolt Chronicles: Luminous Avenger iX 1+2 Dual Collection — PS5/PC/SWITCH/SWITCH 2 — Nota: 7.0
Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Ives Boitano 
Análise produzida com cópia cedida pela INTI CREATES
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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