David Perry, fundador da Shiny Entertainment, revelou em seu blog que Michael Jackson chegou a conversar com ele sobre a possibilidade de desenvolverem um videogame juntos. A conversa teria acontecido durante o período em que o estúdio trabalhava em Enter the Matrix.
Segundo Perry, Michael entrou em contato dizendo ser um grande fã de Matrix e que gostaria de jogar Enter the Matrix antes do lançamento. Com isso, David viajou até o rancho Neverland, onde participou de uma guerra de ovos e quase acertou o rosto do filho de Michael Jackson.
Após esse encontro, Michael convidou David Perry e o roteirista David Freeman para retornarem ao rancho, mas desta vez para discutir o desenvolvimento de um novo videogame que, segundo Perry, não seria apenas um “projeto de vaidade”.
“A versão óbvia teria sido Michael Jackson: O Jogo, onde você joga como Michael, dança, se apresenta e talvez lute contra vilões com música.”“Mas essa não era a versão interessante. Michael já tinha feito Moonwalker. Queríamos algo maior e mais surpreendente.”
Com isso, o trio decidiu criar um jogo de ação e aventura em terceira pessoa, sério e cinematográfico, no qual Michael Jackson não seria o protagonista, mas contribuiria com músicas originais, ideias criativas e acesso ao universo do cinema e das celebridades.
David Perry também afirmou que o projeto teve vários nomes durante o desenvolvimento, mas que Dark Rim foi o último título escolhido. Apesar de não mostrar imagens do jogo, ele revelou detalhes sobre a história, que começaria como “uma aventura de ação e fantasia sobre reinos, guerra, magia e um herói dividido entre diferentes versões da verdade”, antes de evoluir para “algo mais sombrio e psicológico, envolvendo sonhos, depressão, consciência e um reino oculto além do sono”.
“Uma das ideias recorrentes de jogabilidade era a possessão remota”, explicou Perry. “Você poderia sobrevoar um campo de batalha pelos olhos de uma águia e depois transferir seu espírito para outro personagem e controlá-lo.”“Você poderia possuir um inimigo para abrir um portal ou assumir o controle de uma criatura e virá-la contra seu mestre. A ideia não era apenas dar armas ao jogador, mas poderes que mudassem sua maneira de pensar sobre espaço, identidade e controle.”
Segundo Perry, o jogo também teria vilarejos com crianças capazes de ensinar habilidades únicas, guerras acontecendo em tempo real e vilões manipulando reinos nos bastidores.
“Havia ideias sobre ilusão, som, magia e a mente. Era ambicioso. Talvez ambicioso demais. Mas essa era a intenção.”
Outra proposta discutida era que Michael Jackson produzisse um álbum inteiro exclusivo para o jogo, incentivando seus fãs a experimentarem videogames pela primeira vez.
“Na época, os jogos já eram um fenômeno, mas ainda havia milhões de pessoas que não os entendiam de verdade. Eles achavam que jogos eram para outra pessoa, para crianças, adolescentes ou gamers.”“Mas o público de Michael era global. Atravessava gerações, países e culturas. Se a única maneira de ouvir seu próximo álbum fosse jogando um videogame, então um grande número de pessoas jogaria um videogame pela primeira vez.”
David Perry afirmou que, apesar de o projeto nunca ter sido lançado, ele deixou uma marca importante em sua trajetória.
“Isso me fez lembrar que as melhores ideias criativas muitas vezes começam com uma pergunta um tanto insana: e se a única maneira de ouvir o próximo álbum de Michael Jackson fosse jogando um videogame? E por um breve momento em Neverland, isso não pareceu nada insano. Pareceu possível.”
Fonte: Video Games Chronicle


