Misturar ação em tempo real com mecânicas de combinação de espaços parece uma ideia improvável à primeira vista, mas Chivalware consegue transformar esse conceito em algo surpreendentemente envolvente. A demo apresenta batalhas frenéticas em uma arena dividida em grades coloridas, exigindo raciocínio rápido enquanto desviamos de ataques e tentamos manter sequências ativas para alimentar armas e habilidades. Mesmo com conteúdo limitado, essa versão de testes já oferece uma boa noção do potencial do título.
O retorno do cavaleiro perdido
O reino de Chivalware vive um período de decadência após seu rei perder completamente a razão. Criaturas monstruosas passaram a surgir por toda parte, espalhando destruição e colocando a população em constante perigo. Em meio ao caos, surge a esperança do retorno de Disk Knight, um cavaleiro lendário desaparecido há muito tempo. Munido de armas incomuns e disposto a enfrentar tanto os monstros quanto o próprio soberano enlouquecido, ele parte em uma jornada para restaurar a paz.O grande diferencial da aventura está na forma como os combates funcionam. Disk Knight utiliza disquetes especiais que armazenam armas e poderes variados, e cada habilidade está ligada a uma cor presente no tabuleiro da arena. Durante as lutas, podemos tocar nos espaços coloridos espalhados pelo chão para ativá-los. Quando três ou mais painéis da mesma cor são ligados em sequência, a arma correspondente recebe energia e pode ser usada novamente. A dinâmica transforma cada batalha em uma mistura constante de movimentação, esquiva e montagem de combos em tempo real.
A estrutura segue o formato roguelike; assim, cada tentativa apresenta armas, melhorias e possibilidades diferentes. Também há caminhos alternativos, com eventos e recompensas distintas, incentivando experimentações. Como esperado do gênero, morrer significa perder tudo e recomeçar do início, o que torna cada avanço uma tentativa de montar combinações mais eficientes e sobreviver por mais tempo.
Combos, pressão e improviso
A ideia proposta por Chivalware é extremamente criativa, principalmente porque consegue unir dois estilos muito diferentes sem parecer artificial. A demo inclui apenas a primeira área, mas já apresenta conteúdo suficiente para entender como a progressão funciona, experimentar diversas armas e testar algumas possibilidades de construção. Em poucas partidas, já dá para perceber que existe espaço para estratégias bem diferentes entre si.Os combates funcionam muito bem justamente pela velocidade das decisões. Não basta apenas atacar; é necessário ativar os painéis com atenção para manter as armas carregadas. Quebrar uma sequência ou ligar menos de três espaços descarrega a energia acumulada, portanto, manter combos consistentes ajuda bastante a sustentar o ritmo ofensivo. Há uma boa variedade de armamentos, incluindo pistolas para ataques à distância, martelos capazes de atingir múltiplos espaços e espadas focadas em golpes rápidos de curta distância.
Os inimigos também ajudam a tornar os confrontos mais interessantes, já que alguns possuem escudos resistentes a determinadas cores, enquanto outros espalham perigos pelo tabuleiro inteiro. Além disso, algumas melhorias criam sinergias interessantes, como disparar bolas de fogo ao atingir certos combos ou paralisar inimigos próximos quando a energia acumulada alcança níveis elevados.
Ainda assim, alguns aspectos precisam de mais refinamento. A principal questão é que as punições por quebrar combos acabam sendo leves demais. Em muitos momentos, é perfeitamente possível sair ativando painéis de maneira quase aleatória e ainda derrotar boa parte dos inimigos sem grandes dificuldades, o que reduz parte da tensão estratégica que a mecânica sugere. Visualmente, a arena também poderia ser mais elaborada, já que boa parte do cenário utiliza um fundo preto bastante simples. Além disso, a demo ainda carece de maior variedade de itens, situações e eventos.
Como se trata de uma versão de testes, essas limitações são compreensíveis, principalmente considerando a promessa de uma versão completa com cinco personagens jogáveis, dezenas de armas e mais de uma centena de melhorias.
Um conceito que já instiga
Chivalware já demonstra uma identidade própria, mesmo em sua versão inicial. A mistura entre ação acelerada e montagem de combinações funciona melhor do que eu esperava, criando confrontos caóticos e divertidos, que exigem atenção constante. Apesar de ainda precisar equilibrar melhor suas mecânicas e expandir a variedade de conteúdo, a demo deixa uma impressão bastante positiva e revela um projeto com potencial para se destacar caso consiga desenvolver suas ideias com mais profundidade na versão final.Revisão: Mariana Marçal
Texto de impressões produzido com demo cedida pela The Arcade Crew
Texto de impressões produzido com demo cedida pela The Arcade Crew






