Quando menos se espera, um título que parece novo é, na verdade, um remake de algumas décadas atrás. Para quem achava que faltava algum shoot ‘em up que tivesse robôs que se transformavam em naves, saiba que a Jaleco já tinha feito isso para os arcades lá em 1984. Faz tempo, né?
FZ: Formation Z pega todo o conceito do Formation Z original e aplica uma roupagem moderna, mas mantém a jogabilidade tradicional. Conheceu o jogo, mas estranhou o nome? É porque esse é o original japonês, mas, com certeza, vocês devem ter conhecido a versão americana, chamada Aeroboto.
Cada ponto de combustível conta
O foco da jogabilidade de FZ está em alternar entre as formas de robô e nave para exterminar as levas de inimigos que pipocam na tela sem parar. Claro que, para não virar um artifício de pura conveniência, isso deve ser feito levando em consideração o medidor de energia do nosso veículo.
Utilizar a aeronave consome gradualmente pontos de combustível e, se ele zerar, perdemos o controle e batemos. Utilizar a chuva de mísseis também acelera esse gasto; por isso, temos que ponderar muito bem os momentos de voo e de artilharia pesada. O robô é mais lento e tem poder de fogo menor, mas compensa com disparos direcionados e uma espada para lidar com inimigos que estão no chão e são mais resistentes ou apresentam algum tipo de escudo. Todavia, o uso desse recurso também consome alguns pontos de energia.
Onde achar as energias e as diferentes rotas mostram como o level design tem momentos interessantes, principalmente para um shoot ‘em up. Minha fase favorita foi a quarta, na qual uma ponte explodia e era necessário escolher rapidamente se a melhor rota era por cima ou por baixo dos escombros, alternando entre recolher as moedas do jogo ou pontos de energia.
A A ideia principal é nos manter com o robô, avançando pelo plano mais baixo, e só decolar quando for realmente necessário — e isso sempre será indicado na tela. O que torna o avanço realmente desafiador é o fato de cada cenário ter trechos que são bem mais fáceis pelo ar, mas com todos os pontos de recarga próximos aos inimigos terrestres. Além disso, os chefes sempre serão combatidos no ar; portanto, é bom chegar ao final da fase com uma quantia considerável de pontos, senão é game over na hora.
Por falar em chegar até o final, um dos pontos fracos de FZ está no seu fator replay. Após encerrarmos as sete fases, apenas contamos os pontos e conseguimos uma espécie de moeda usada para comprar peças customizáveis para o nosso piloto e para a máquina de combate que guiamos, como módulos extras e novas partes. Também há outras duas opções de robôs para serem adquiridas.
Entretanto, não há outro modo de jogo ou missões isoladas: apenas temos que repetir o arcade, do início ao fim, escolhendo a dificuldade, que varia entre Muito Fácil, Fácil, Normal, Difícil e Muito Difícil. E convenhamos: por se manter bastante fiel à sua versão original, FZ pode acabar agradando mais o público veterano do gênero, pois sua curva de aprendizado não é tão amistosa assim com novatos.
A ausência de checkpoints também aumenta a sensação de crueldade. Isso poderia ser melhor distribuído entre as dificuldades, com mais pontos de salvamento nas mais baixas e, nas mais altas, sim, torná-los mais esparsos.
Ficou bonito isso aqui, hein!
FZ manteve a orientação bidimensional do Formation Z original, mas conseguiu fazer um bom trabalho na revitalização estética. A começar pelo menu de apresentação: começamos em uma garagem, na qual engenheiros trabalham em nosso gigante mecânico e, assim que iniciamos a partida, uma cena inicial bem-feita, com ares de abertura de desenho, nos introduz à ação.
Os modelos 3D usados para criar ambientes dinâmicos, enquanto a tela se enche de explosões, também são bem bacanas, fugindo do problema crônico da poluição visual oriundo de títulos do gênero que tentam colocar muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo.
Para quem quiser conferir os inimigos de perto, há uma galeria que registra cada um deles ao os encontrar pela primeira vez. Fechar o jogo uma vez já é o bastante para catalogar todas as 67 naves de batalha ofensoras. Também existem algumas ilustrações secretas, desbloqueadas sob algumas condições, mas, ainda assim, isso é pouco para justificar o fator replay.
Quanto aos efeitos sonoros, é possível identificar com exatidão cada elemento em sua individualidade, sejam os disparos de quem está vindo na sua trajetória ou alguma armadilha que surge do fundo da tela — como os malditos furacões da primeira fase.
A A música aposta em uma mistura de synthwave com ritmo mais acelerado, típico dos arcades, e não faz feio: combina muito bem com a ação, sem ser exageradamente explosiva ou “espacial” demais. Só é uma pena não poder conhecer cada faixa do jogo no menu principal. Inclusive, liberar as faixas após a conclusão de cada fase, ou sob alguma condição, seria uma adição bacana ao fator replay.
De old school para old school
FZ: Formation Z capta muito bem a essência do título original, mas isso talvez agrade apenas aos jogadores mais antigos, que vivenciaram aquela época. Se comparado a títulos mais atuais, a ausência de opções e modos de jogo, aliada à dificuldade acentuada, acaba afetando a experiência geral e afasta o público mais novo de um jogo que, além de ter uma bagagem bacana, apresenta ótimos elementos para o gênero.
Prós
- A ideia de mesclar o controle do robô com a pilotagem da nave é muito boa, mesmo com seus mais de 40 anos de idade;
- É um desafio ao estilo hardcore, perfeito para os fãs do Formation Z original;
- A modelagem 3D casou muito bem com o estilo do jogo;
- Ótima trilha sonora.
Contras
- A dificuldade pode afastar jogadores mais novos ou que não têm tanta intimidade com o gênero;
- O grande espaço entre os checkpoints pode ser um problema para quem não se adequar ao desafio;
- Baixo fator replay e apenas um modo de jogo;
- Poderia ter mais itens para serem liberados, como as músicas de cada fase.
FZ: Formation Z — PC/PS5/Switch 2/XSX — Nota: 7.0Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Mariana Marçal
Análise feita com cópia digital cedida pela Clear River Games










