Vamos ser sinceros: todo mundo que curte um multiplayer cooperativo sempre vai gostar mais ainda se for em um cenário caótico, no qual os amigos mais atrapalham do que ajudam.
Lançado para PC em 2024, Unrailed 2: Back on Track maximiza tudo o que o primeiro já trouxe, colocando até quatro jogadores para colocar um trem nos trilhos, tarefa em que cada integrante precisa assumir uma tarefa.
Atenção! Homens trabalhando (e bichos atrapalhando)
Quem conferiu meu bate-papo com os produtores de Unrailed 2, sabe que eles declararam a inspiração confessa em Overcooked. A ideia é bastante simples: temos que construir um caminho de trilhos para que um trenzinho chegue até a estação final. Só que o problema não está no destino final, e sim no caminho.
Para construir os trilhos, precisamos de dois recursos: madeira e pedra. Para obter o primeiro, devemos pegar o machado pelo caminho e cortar algumas árvores, e depois pegar as madeiras e colocá-las no vagão que fabrica trilhos. O mesmo vale para as pedras, obtidas após pegarmos a picareta e quebrarmos algumas rochas para obter o recurso.
A questão é que cada jogador só pode realizar uma tarefa por vez, por causa das ferramentas. Só há um machado e uma picareta por fase, então não dá para dois amigos focarem na mesma coisa. No meio disso tudo, há mais um problema. A locomotiva esquenta com o tempo e pode explodir, então alguém tem que pegar o balde, encher de água e então despejar no carro chefe para que ele resfrie.
Mas não é só isso! Em Unrailed 2 temos diferentes biomas, e eles não são apenas estéticos. Cada um apresenta diferentes tipos de desafios que obrigam os jogadores a pensarem em diferentes estratégias, além do problema com o trem. O pântano, por exemplo, tem teias de aranha que limitam nossa mobilidade. Qual a solução? Pegar qualquer sapo que estiver pelo caminho e usá-lo para comer as teias e liberar caminho.
A vida selvagem poderá te ajudar, como vaquinhas que dão leite, ou atrapalhar, como no caso das toupeiras, que aparecem no meio do caminho e obrigam a desviar a rota, ou custam a dedicação de um membro do time, que vai precisar acertar o bichinho até ele voltar para baixo da terra. Tudo no mapa é funcional e exigirá atenção do grupo de jogadores para que a missão seja cumprida.
Todos esses focos de atenção criam a situação perfeita para que amigos logo comecem a gritar um com o outro para saber quem vai cortar as árvores ou apagar o fogo do vagão. Os jogadores podem fazer uma sala online, com direito a crossplay, ou realizar uma partida local. Inclusive, existe a opção de ter quatro participantes utilizando apenas dois controles, pois é possível utilizar os direcionais de maneira independente para movimentar os personagens, com um executando ações com o direcional digital e o outro usando os botões convencionais.
Para quem se cansar de tentar manter a paz no grupo, também há um modo competitivo. Nele, a ideia é colocar dois jogadores, ou duplas, para competirem quem faz seu trem chegar mais rápido à estação, tendo que lidar com um bioma aleatório. Não gostou dos mapas disponíveis? Então faça o seu próprio mapa, utilizando os itens que quiser e com a possibilidade de dar a maior dor de cabeça possível para a comunidade inteira do game.
Com tanta coisa acontecendo, é normal que Unrailed 2 perca grande parte do seu apelo ao ser jogado sozinho. Até podemos acionar um bot para nos ajudar e seguir nossos comandos, mas nas fases mais complicadas, a tarefa se torna bastante ingrata.
O poder dos vagões
Para que tudo não seja baseado apenas na sanidade dos nossos parceiros de construção, é possível incrementar a composição de vagões, com algumas especialidades. Cada locomotiva pode ter uma quantidade determinada de vagões, o que pode deixar seu trem longo e com diversos facilitadores, como cabines fantasmas, as quais podemos atravessar durante a construção, o que é vital ao construir em espaços estreitos.
Entretanto, outras também trazem necessidade de atenção. Os lança-torpedos destroem grandes quantidades de obstáculos de maneira instantânea e agilizam na obtenção de pedra e madeira, mas eles também esquentam, e ainda mais rápido que a locomotiva principal, então é necessário dar aquela olhada no bioma para ver se realmente vale a pena o risco.
Essas compras são feitas com parafusos dourados, que são recebidos como prêmio ao concluirmos uma fase ou cumprirmos objetivos pontuais durante a jogatina, como cada participante, por exemplo, ter que cortar pelo menos uma árvore ou levantar uma vaca 20 vezes. Coisas tranquilas.
Vale lembrar que, como os níveis são gerados de maneira procedural, nunca mantendo os mesmos layouts entre uma partida e outra, é difícil estabelecer uma quantidade de composições “vencedora”. Tudo o que sabemos sobre a fase seguinte é o nível de dificuldade dela, se terá muitos animais e se ela trará um chefe. Sim.
Cada bioma é encerrado com um chefe, que enche o campo de obstáculos e exige um pensamento rápido do time. Inclusive, em alguns casos até é possível utilizar as trapaças dele a nosso favor, como as dinamites que a toupeira gigante planta no caminho. Não se tratam de batalhas, mas sim de contorná-los para chegar à estação.
E com isso, reforça-se o quanto o jogo pode ser alucinante em grupo, mas bem cruel quando jogado sozinho. Ter que fazer tudo acompanhado apenas com um bot, que só funciona com os nossos comandos, acaba nos levando a uma série de recomeços não tão divertidos quanto nos momentos em que temos um time completo.
Da calma ao caos com estilo
Mesmo com o sem número de coisas que necessitam da nossa atenção, Unrailed 2 também consegue criar um pano de fundo bastante interessante com seus visuais e trilha sonora.
O estilo em voxel cria margem para um mundo de criaturas divertidas e bastante caricatas. O destaque aqui fica para a grande lista de avatares que podemos usar, que envolvem criaturas especialistas em construções, como uma girafa, um pinguim, uma serpente, uma múmia ou um esqueleto (contém ironia). Inclusive, se por algum grande acaso ocorrer um acidente, como deixar uma dinamite explodir perto de nós a ponto de nos mandar pelos ares, é liberada a roupa de um convidado especial… ou seria um impostor? Enfim, fica aí a dica.
Por fim, a trilha sonora está lá simplesmente para ser divertida, mas vai além. Ela realmente é grudenta e não é incomum ficar balançando a cabeça para lá e para cá enquanto uma girafa carrega um pedaço de madeira e um pinguim corre desesperadamente com um balde para enchê-lo na lagoa mais próxima.
Coloca a mão no meu ombro e não deixa o trem descarrilar
Unrailed 2: Back on Track é a evolução do primeiro título na melhor maneira possível, incrementando o caos original com uma camada de desafio que pode até ser um tanto punitiva para quem vai jogar sozinho, mas é perfeita para juntar um grupo de amigos para levar seu trem o mais longe possível… ou deixar ele pegar fogo enquanto discutem quem é que deveria pegar o balde.
Prós
- Colocar características e obstáculos diferentes, como chefes, nos biomas foi uma ótima sacada para adicionar desafio à missão de construir trilhos;
- Adicionar à loja para comprar vagões, poderes e habilidades diferentes adiciona uma camada bacana de estratégia;
- Diversas possibilidades para multiplayer, seja online ou local;
- Jogabilidade sem segredos ou exageros;
- A geração procedural das fases dá uma ótima quebrada na mesmice;
- Os visuais em voxel e trilha sonora divertida trazem um charme único ao jogo.
Contra
- Mesmo podendo ser jogado sozinho, o título é bem mais divertido em grupo ou dupla.
Unrailed 2: Back on Track — PC/PS5/Switch 2 — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Vitor Tibério
Análise feita com cópia digital cedida pela Indoor Astronaut













