Análise: Solarpunk diverte, apesar de limitações

O pequeno indie de mundo aberto tem muito potencial inexplorado.

em 16/06/2026

O gênero solarpunk é uma subdivisão da ficção especulativa que, de acordo com seu manifesto, faz a pergunta: “como é uma civilização sustentável e como chegamos lá?”. Na prática, é um movimento associado a energia solar (daí o nome) e eólica, convivência harmônica com a natureza e sistemas pós-capitalistas focados em garantir a abundância para todos.

Solarpunk, terceiro jogo do estúdio indie Cyberwave, coloca todas essas ideias em prática por meio de um mundo aberto entre Minecraft e No Man’s Sky. A base é excelente, mas a execução poderia ser um pouquinho mais flexível. Vamos explorar?  

Hiero e o zepelim

Em Solarpunk, caímos de paraquedas em um mundo feito de ilhas flutuantes e devemos construir uma vida por ali. A gameplay é bem típica do gênero survival: colete recursos, erga uma base, aprimore suas ferramentas rumo à automação e por aí vai. 

O maior diferencial é o dirigível que nos leva entre ilhas. A cada nova atualização, podemos ir um pouco mais longe no vasto céu, encontrando novos recursos que nos permitem engajar com novos sistemas. O controle do veículo é tranquilo, e reflete o fato de praticamente todas as mecânicas — construção de edifícios e pontes, sistemas elétricos, criação de animais — serem bem intuitivas e fáceis de operar, não importa o quão casual o jogador seja.

Apesar dos medidores de vida, fome e sede, não existe qualquer sistema de combate, e um estado de falha é só possível por meio dos erros mais óbvios (não se joguem do penhasco, pessoal). Pode ser visto como falha por alguns, mas, dentro do contexto, serve bem ao propósito do game.

No meio de tudo, existe um vendedor robô, o único personagem que encontramos por aí, com quem podemos trocar nossos produtos por diagramas para eletrônicos. Acaba que o loop central de gameplay gira em torno de fornecer essas coisas para seguir jogando, o que resulta em longos períodos de espera para que tenhamos tudo o que precisamos, desembocando num tédio sem tamanho. 

A progressão de Solarpunk é enfadonha e nada flexível — até mesmo um segundo vendedor teria aumentado o interesse. A espera é mais excruciante ainda pelo fato das ilhas não terem muita diversidade de recursos: não existe qualquer estímulo para montar uma segunda base quando podemos só pegar o que precisamos do vizinho e recriar em casa (exceto pelos minérios, cujos depósitos são raros; quando acabam, só nos resta uma opção que detona picaretas adoidado, praticamente forçando a automação).

O último grande problema é a solidão do mundo. O robozinho vendedor não tem qualquer diálogo, deixando claro que a intenção é que o game seja jogado com amigos (sem a possibilidade de crossplay, o que complica as coisas um pouco). Como o GameBlast recebeu apenas uma chave, não foi possível testar essa função, deixando a redatora que vos fala a sós com seus pensamentos. Não vou dizer que não é viável — é só meio chato.  

Gostaria de terminar esta curta análise em uma nota positiva: o solarpunk como movimento é muito bem representado nas mecânicas do jogo. Toda vez que colhemos uma fruta ou cortamos uma árvore, recebemos sementes e mudas, ampliando assim a mensagem de sustentabilidade. 

Também não existe uma moeda tradicional; a troca de recursos é tudo o que temos. Quem tem partilha com quem não tem, assim como prega a utopia solarpunk. É um ótimo esforço da parte do Cyberwave — só seria legal ter visto em prática com mais pessoas ou NPCs.

Podia ter voado mais alto

Apesar dos próprios esforços, Solarpunk acaba sendo menor do que a soma de suas partes. Um pouco mais de esmero na construção deste belo mundo teria feito dele uma adição excelente ao gênero; em seu estado atual, todavia, é um jogo que só vale a pena para quem busca uma experiência (quase) totalmente desprovida de fricção. 

Prós

  • Bons sistemas de gameplay;
  • Dificuldade baixa, perfeita para jogadores casuais;
  • Boa representação do movimento solarpunk.

Contras

  • Progressão rígida demais;
  • Mundo relativamente vazio;
  • Modo single player é viável, mas solitário.

Solarpunk — PC/PS5/XSX — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PS5

Revisão: Johnnie Brian
Análise produzida com cópia digital cedida pela rokaplay

OpenCritic
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Hiero de Lima
Jornalista formada pela PUC-SP e eterna apaixonada por videogames, especialmente aqueles japoneses de mistério. Sempre tem alguma redação gigante para escrever depois que zera um Yakuza.
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