Marathon pode parecer intimidador nas primeiras horas, especialmente para quem não está acostumado com shooters de extração. Entre sistemas complexos, riscos constantes de perder loot e decisões que impactam diretamente o progresso, o jogo exige adaptação. Pensando nisso, reunimos dicas essenciais para acelerar sua evolução, reduzir frustrações e ajudar você a aproveitar melhor cada descida em Tau Ceti IV.
Ponto de entrada
Antes de entrarmos nas dicas práticas, é importante entender como o sistema de temporadas funciona em Marathon.
A cada três meses, todo o progresso do jogo é resetado. Isso inclui inventário, progresso de facções e upgrades. Os únicos elementos que permanecem são:
- Silk: recurso obtido ao subir de nível, utilizado para comprar itens cosméticos no passe de temporada. O limite é 140, então vale a pena gastar com frequência. Um ponto positivo é que, segundo a Bungie, os passes não serão removidos ao fim da temporada, reduzindo a sensação de FOMO.
- Códex: todo o progresso no Códex é mantido. Ele reúne mais de 400 objetivos que dão recompensas com lore e cosméticos. É um dos grandes diferenciais do jogo, principalmente no início, pois deixa a sensação de progressão constante.
Todo o restante é resetado. Apesar de polêmico, esse sistema é essencial para manter o jogo acessível, permitindo que novos jogadores entrem em condições mais equilibradas, sem ficarem muito atrás de quem joga desde o início.
Outro efeito positivo do reset a cada temporada é a redução do chamado “loot fear”. Se tudo será perdido ao fim da temporada, o apego aos itens diminui naturalmente, facilitando a adaptação ao gênero — algo que costuma afastar jogadores mais casuais.
Dito isso, fica a dúvida: vale a pena começar agora ou esperar a próxima temporada? A resposta mais honesta é: comece o quanto antes. Jogos online estão em constante evolução, e entender suas mecânicas desde cedo faz diferença. Ainda assim, o início de uma nova temporada segue sendo o ponto de entrada mais confortável para quem ainda está indeciso.
Temporada 2 - junho
A segunda temporada chega no início de junho com algumas novidades importantes. Entre elas, está uma nova variante do mapa Dire Marsh, agora em período noturno, além de novas armas e equipamentos. Também há indícios da adição de uma nova classe, embora isso ainda não tenha sido confirmado oficialmente.
Outro destaque é o retorno da fila em duplas, algo muito aguardado. Jogar em dupla oferece um equilíbrio interessante entre coordenação e dinamismo, sendo uma das formas mais agradáveis de experimentar o jogo.
Essa virada de temporada também será um termômetro para entender como a Bungie pretende sustentar o jogo a longo prazo. É possível esperar um movimento mais agressivo de marketing, com final de semana gratuito e promoções em sua estreia, mas até o momento não há confirmação.
Platina / 1000G
A platina (ou 1000G) de Marathon tende a vir de forma natural, acompanhando o tempo de jogo. A estimativa é que leve mais de 120 horas, sem necessidade de desafios extremamente específicos.
O principal ponto de atenção está no troféu/conquista “Seasoned Veteran”, que exige alcançar o nível 100 da temporada.
Segundo informações do fórum do site PSNProfiles, onde um usuário entrou em contato com o suporte da Bungie, os níveis não são cumulativos entre temporadas. Ou seja, atingir nível 70 em uma season e 30 na seguinte não desbloqueia o troféu. Será necessário chegar ao nível 100 dentro de uma única temporada.
Essa informação ainda depende de confirmação prática após a virada de season, mas já é importante ter isso em mente ao planejar a progressão.
Loot Fear
Grande parte da graça de um shooter de extração está no risco constante. Levar itens valiosos para a partida sabendo que pode perdê-los cria tensão, mas também funciona como uma barreira para muitos jogadores.
Em Marathon, esse “medo de perder loot” é suavizado por algumas decisões de design que considero bem pensadas:
1. Inventário limitado
Mesmo com upgrades, o espaço do inventário é restrito. Isso força o uso constante dos itens acumulados. Em muitos casos, perder equipamento acaba gerando até um certo alívio, já que libera espaço para novas conquistas.
2. Loadouts gratuitos
O jogo oferece kits gratuitos ilimitados. A cada dia, diferentes opções aparecem na loja das facções, permitindo entrar em partidas sem arriscar o próprio inventário. São equipamentos básicos, mas suficientes para jogar bem — e funcionam perfeitamente como “reset mental” após uma derrota.
Atualmente, há testes com uma fila especial no mapa Dire Marsh onde todos entram com loadouts gratuitos. Isso elimina a diferença de equipamento entre jogadores. Embora reduza parte da essência do gênero, essa fila funciona como uma alternativa mais casual, porém divertida.
4. Reset de temporada
Como todo o progresso será perdido ao fim da temporada, o apego ao loot diminui naturalmente. Saber que tudo vai desaparecer torna mais fácil arriscar, especialmente nas semanas finais.
O jogo deixa claro que perder faz parte. E quanto antes aceitar isso, mais divertida a experiência se torna.
Missões
O sistema de missões é um dos pontos mais fortes do título. Não por reinventar o gênero, mas pela consistência e qualidade das missões principais.
Cada facção tem identidade própria e objetivos que levam o jogador a diferentes áreas do mapa, sempre sob risco constante. O problema é que nem sempre você estará jogando focado nelas, seja por preferência de mapa, progresso já concluído ou simplesmente vontade de jogar sem compromisso.
É aí que entram as missões secundárias. Em sua maioria, são objetivos simples — como eliminar inimigos ou coletar itens — mas oferecem boa quantidade de XP e recursos, sendo essenciais para evoluir facções.
Sempre jogue com alguma missão ativa em mente, mesmo quando a intenção for apenas se divertir. Tarefas como eliminar bots acabam sendo concluídas naturalmente durante as partidas e garantem progresso constante.
Outro ponto importante é a escolha entre jogar solo ou em trio.
No modo trio, o ganho de XP é significativamente maior, já que progresso e atividades são compartilhados entre os membros da equipe. Isso acelera bastante a evolução. Ainda assim, jogar solo é totalmente viável, tanto em termos de diversão quanto de progressão, apenas com um ritmo mais lento.
Batalha
Marathon incorpora elementos leves de hero shooter, mas mantém o foco no essencial: mira e posicionamento. As habilidades não substituem o gunplay, apenas ampliam as possibilidades táticas.
No início, o ideal é testar todas as classes e se especializar em pelo menos uma. Cada personagem cumpre um papel claro em combate, e entender isso faz diferença.
O Assassino, por exemplo, funciona melhor flanqueando com invisibilidade e pressionando pelas laterais. Já a Thief se destaca ao conquistar posições elevadas e controlar território. Saber o que seu personagem faz bem é tão importante quanto saber como enfrentá-lo.
Contra um Destroyer com escudo ativo, insistir no confronto direto é desperdício de munição. Diante de uma Recon utilizando o pulse, o melhor caminho é se reposicionar rapidamente e evitar ficar agrupado com o time, reduzindo o impacto da habilidade.
Trackeie todos os recursos
O sistema de “track” (rastreio) é uma das ferramentas mais úteis do jogo e costuma ser subestimado.
Ao marcar um item, ele passa a ser destacado durante o momento de loot. No início, o ideal é rastrear recursos importantes para upgrades básicos, como o Unstable Diode, acelerando a progressão.
Além disso, ao passar o cursor sobre o item, o jogo indica onde ele costuma aparecer. Isso ajuda na preparação antes mesmo de entrar na partida, permitindo rotas mais eficientes.
É um detalhe simples, mas que impacta diretamente na evolução.
Itens gratuitos
Com o avanço nas facções, a aba de itens prioritários é liberada. Nela, é possível resgatar equipamentos gratuitamente a cada 24 horas.
Os itens variam entre consumíveis, escudos, armas e munição, funcionando como um reforço constante para o inventário.
Criar o hábito de checar essas recompensas diariamente faz diferença no longo prazo, principalmente para manter um estoque saudável sem precisar arriscar loot próprio em todas as partidas.
Agindo em trio
O cenário ideal no modo trio é a comunicação por voz, mas isso nem sempre acontece — e tudo bem.
Mesmo sem microfone, é possível se comunicar bem. O sistema de pings é eficiente, com respostas rápidas e claras, permitindo coordenar ações básicas durante a partida.
O mais importante é a postura. Evite sair sozinho pelo mapa, principalmente ignorando o restante da equipe. Ao entrar na partida, observe as missões dos companheiros e sinalize a sua. Como o progresso é compartilhado, muitos jogadores tendem a seguir objetivos em comum, criando um fluxo natural para a partida.
E vale a regra básica: retribua. Se um jogador ajudou na sua missão, faça o mesmo quando surgir a oportunidade. Esse tipo de comportamento melhora não só o resultado, mas a experiência como um todo.
Cryo Archive
O Cryo Archive é o endgame de Marathon e exige coordenação real entre os jogadores.
Por ser o conteúdo mais avançado do jogo, não faz sentido evitá-lo por receio ou por estar jogando solo. A melhor alternativa é buscar grupos em comunidades, como Discord, e encarar o modo com um time minimamente alinhado.
O mapa fica disponível apenas de quinta a domingo e exige um valor mínimo de 5k em loot para entrada, o que já cria uma barreira natural. No entanto, atualizações recentes passaram a oferecer um kit gratuito específico para o modo a cada semana — com uso limitado a uma tentativa.
Isso reduz o risco de entrada e incentiva mais jogadores a experimentar o conteúdo.
No fim, o Cryo Archive representa o ápice do jogo. É onde tudo que você aprendeu — combate, gestão de recursos e trabalho em equipe — é colocado à prova.
É só o começo
Boa parte da dificuldade de Marathon vem da falta de familiaridade com seus sistemas. Ao entender como o jogo funciona, desde a economia de loot até o trabalho em equipe, a experiência se transforma, deixando de ser frustrante para se tornar estratégica e viciante. No fim, o segredo não está em evitar riscos, mas em aprender a controlá-los e usar cada tentativa, mesmo as que terminam em derrota, como parte do progresso.
Revisão: Johnnie Brian




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