Quando falamos de jogos, muitas vezes nos apegamos ao que os americanos ou japoneses criam; chegamos a admirar a cultura e o folclore deles, esquecendo-nos da nossa própria riqueza. Talaka nos mostra que a nossa cultura e folclore são, sim, muito ricos e podem ser extremamente divertidos. É um exercício de descolonização do olhar através do entretenimento, provando que a nossa cultura possui tanto potencial épico quanto cavaleiros medievais ou samurais.
Na gamescom latam 2026, tivemos o privilégio de testar o jogo antes de seu lançamento. Além disso, pudemos conversar um pouco com seu criador e designer, Paulo Santos. No Hands-On de hoje, trago para vocês nossas primeiras impressões sobre este título que promete ser bem divertido.
O resgate de raízes familiares através do reino dos Orixás
A história acompanha Talaka, uma menina que, quando pequena, ouvia sua avó contar histórias sobre os Orixás. Fascinada por eles, Talaka começou a desenhá-los, o que a levou a se tornar artista na vida adulta. Um dia, ela recebe a notícia de que sua avó sumiu e, ao ir até a casa dela, encontra apenas um desenho que fez quando criança. Ao tocá-lo, Talaka é transportada para o mundo dos Orixás, onde encontra Exu e decide ir atrás de sua avó, que provavelmente também foi levada para aquele reino.
Essa premissa não serve apenas como pano de fundo, mas como o motor da progressão. O encontro com Exu, o orixá dos caminhos e da comunicação, é simbólico: ele é quem abre as portas para que a protagonista navegue por esse universo espiritual. A narrativa utiliza a arte de Talaka como uma mecânica; seus desenhos ganham vida, tendo que enfrentar inimigos que ela própria desenhou quando criança.
O jogo segue o estilo de ação roguelite, com inspirações claras em sucessos como Hades e Dead Cells. A estrutura é clássica: você acessa uma sala, derrota os inimigos e libera o portal para a próxima fase. Ao final de cada estágio, você recebe um upgrade para melhorar suas habilidades. Como é de costume no gênero, ao morrer, você volta para o início, precisando percorrer o caminho novamente para avançar. No entanto, há um sistema de progressão permanente onde é possível ir para o próximo mapa sem que precise começar do zero.
Uma vitrine de lendas brasileiras no papel de antagonistas
O jogo é dividido em quatro mapas inspirados no Brasil, cada um explorando biomas e contextos socioculturais diferentes, desde as densas matas até cenários que evocam o imaginário urbano nacional. Não apenas os cenários, mas também os inimigos são baseados em nossa cultura, o que, para mim, é a melhor parte do jogo. Enfrentamos figuras como o Saci-Pererê, a cabeça da Mula sem Cabeça, a Loira do Banheiro e o nosso temível Mosquito da Dengue, além de muitos outros personagens do folclore brasileiro e africano.
Essa mistura entre o lúdico e o perigoso cria uma identidade única. Não é apenas lutar contra monstros genéricos; é enfrentar medos e histórias que ouvimos desde a infância, agora reimaginados sob uma ótica de combate intenso.
Tudo no jogo está muito fluido, com um tutorial fácil de aprender que não subestima a inteligência do jogador. O combate é responsivo, permitindo esquivas precisas e combos. O estilo artístico é um destaque à parte: todas as artes foram feitas à mão, frame por frame, tornando a experiência visual única para quem ama a nossa cultura. O cuidado com as cores e a fluidez das animações remete o amor que o estúdio nacional tem pela própria cultura.
O fortalecimento do DNA nacional dentro da indústria de games
Talaka ainda não tem uma data de lançamento definida, mas o planejamento está voltado para o início do ano que vem. O jogo está sendo desenvolvido para PC, mas a Potato Kid, publicadora do título, também planeja levá-lo para os consoles de mesa.
O jogo já está disponível para você adicionar à sua Wishlist na Steam. Se você se interessou pelo projeto, não deixe de colocá-lo na sua lista de desejos; isso ajuda imensamente os desenvolvedores e sinaliza para a plataforma que o jogo tem potencial de sucesso.

