gamescom latam 2026: conversamos com Andrés Mociulsky, da Visa LAC para Gaming, sobre comunidade gamer e e-sports na América Latina

Diretor de Marketing da Visa LAC para Gaming aposta em experiências para gamers latam, inclusão no e-sports e presença da marca na América Latina.

em 03/05/2026
A relação entre marcas e games mudou nos últimos anos. Mais do que ocupar espaços de mídia, empresas que desejam se aproximar do público gamer precisam entender comunidades, hábitos de consumo, linguagens locais e formas de participação que nem sempre seguem a lógica dos esportes tradicionais ou de outras áreas do entretenimento.

Durante a gamescom latam, o GameBlast conversou com Andrés Mociulsky, Diretor de Marketing da Visa LAC para Gaming, sobre a estratégia da companhia para se conectar com novas gerações por meio dos games.

Na entrevista, o executivo falou sobre o olhar da Visa para a América Latina, as diferenças entre mercados como Brasil, Argentina e México, o papel de parcerias com organizações de e-sports e a importância de criar experiências que tenham relação real com a comunidade.

Gabriel: A Visa tem tratado os games como uma plataforma estratégica para se conectar com novas gerações, especialmente a Geração Z. Na prática, o que diferencia uma ação realmente orgânica dentro do universo gamer de uma campanha tradicional de marca tentando entrar nesse espaço?

Andrés: Com certeza é a comunidade. Geralmente vemos o fandom dos games como algo regional, mas cada mercado tem sua própria particularidade. O Brasil, por exemplo, tem características muito próprias.

Quando aterrissamos no Brasil, pensamos em qual seria a melhor forma de conectar com as emoções da comunidade brasileira de games e e-sports. Então fizemos uma análise do mercado e chegamos à Team Liquid, pela forma como eles trabalham e pelo espaço que possuem, como a Liquid Alienware.

É um lugar muito bacana para desenvolvermos atividades que buscamos tornar exclusivas da Visa. São experiências que, se a Visa não estivesse lá, não teriam sido possíveis. Além de tentarmos sempre conectar com a cultura local por meio de parceiros que tenham raízes reais dentro da comunidade.

Isso nem sempre acontece em outras verticais, como esporte tradicional, cinema, música ou moda, que também fazem parte do entretenimento. O game é muito particular. Por isso, sempre precisamos analisar localmente e entender como vamos fazer essa chegada em cada mercado.

Gabriel: A Visa já atua em esportes tradicionais, mas games e e-sports têm uma lógica própria de comunidade, linguagem e engajamento. Como a empresa adapta essa experiência para um ambiente tão descentralizado e participativo?

Andrés: Temos um perfil latino-americano, com certas semelhanças, mas o brasileiro é brasileiro, o argentino é argentino e o mexicano é mexicano. No sul da América, por exemplo, gostam muito de games FPS. Counter-Strike é um jogo histórico para Argentina e Brasil. Os brasileiros foram campeões do mundo muitas vezes, então é algo muito próprio desses mercados.

Já o mexicano não gosta tanto desse mesmo perfil. O público mexicano joga Call of Duty, mas também tem uma ligação muito forte com fighting games. No México, ativamos bastante League of Legends, mas também jogos de luta, como Street Fighter e Super Smash.

Então existe um perfil latino-americano, mas também há perfis locais. A paixão é muito própria de cada mercado. Por isso, tentamos trabalhar com parceiros de e-sports que tenham público local e paixão local. KRÜ para a Argentina, Liquid para o Brasil e Isurus para o México.

Gabriel: Essas alianças com organizações como Team Liquid, KRÜ e Isurus ajudam a Visa a entender melhor o comportamento do público gamer na América Latina?

Andrés: Sim, porque elas nos ajudam a compreender essas diferenças. Não dá para pensar na América Latina como se tudo fosse uma coisa só. Existem semelhanças, claro, mas cada país tem sua forma de viver os games.

Quando trabalhamos com um parceiro que já está dentro da comunidade, conseguimos entender melhor o que faz sentido para aquele público. Não é apenas colocar a marca em um lugar. É pensar em como participar de uma forma que tenha conexão com a cultura local.

No Brasil, a Liquid tem esse papel. Na Argentina, a KRÜ conversa com a paixão local. No México, a Isurus nos ajuda a trabalhar dentro de outro contexto. Essa leitura é essencial para que a estratégia não seja artificial.

Gabriel: Além da exposição de marca, qual impacto concreto a Visa busca gerar no ecossistema de games da América Latina?

Andrés: O Gaming, como vertical, é a maior receita no mundo do entretenimento. São quase 200 bilhões de dólares todos os anos, de acordo com a Newzoo. É gigantesco.

Na América Latina, temos 8,4 bilhões de dólares transacionados todos os anos em games, e o Brasil representa um terço disso. Então era muito importante para nós desembarcar no Brasil com força.

Também temos um dado muito interessante da própria Visa, a partir de uma análise de um ano inteiro de transações na América Latina. Gamers fazem até 46% mais transações que non-gamers. A pessoa gamer tem uma capacidade de compra muito mais fácil no ambiente online.

Com tudo isso, o gamer transaciona muito mais e traz mais receita que o non-gamer. Por isso, para nós e para nossos parceiros, como os bancos, é muito importante trabalhar com a comunidade gamer também como negócio.

Gabriel: A presença da Visa nos e-sports também passa por iniciativas voltadas à inclusão, como projetos com mulheres e comunidades diversas. Como a empresa olha para esse tema dentro da estratégia gamer?

Andrés: Gostamos muito de falar desse tema. A Visa busca a inclusão das mulheres e da comunidade diversa em tudo o que faz, e games faz parte disso.

Uma das nossas primeiras ativações em gaming, há quatro anos, foi a Liga Valkyria. É a maior liga inclusiva da América Latina. Ela foi desenvolvida pela Isurus e agora é powered by Visa.

Tentamos fazer com que meninas e toda a comunidade diversa tenham um espaço próprio para demonstrar suas habilidades, sem precisar se preocupar com outros temas que sabemos que às vezes acontecem. É importante que a Visa ofereça um espaço protegido para isso.

Também temos os times femininos que levam o nome da Visa, como Team Liquid Visa e Visa KRÜ Blaze. Os dois times sempre vão para o Mundial. Team Liquid Visa foi campeão do mundo, e Team Visa KRÜ Blaze ficou em quarto lugar no mundo.

Sempre tentamos mostrar para todo o universo o quanto as meninas e toda a comunidade diversa são boas atualmente. Elas não deveriam precisar de nenhum tipo de diferenciação. É um tema cultural que seguimos puxando para que isso acabe. Eu gostaria de não ter que fazer mais essa diferenciação, mas, neste momento, ainda é importante dar muita atenção a isso.

Gabriel: A gamescom latam reúne público, desenvolvedores, marcas, publishers, criadores e lideranças da indústria. Para a Visa, qual é o papel de eventos desse porte na construção da estratégia gamer na América Latina?

Andrés: Eventos são o momento de estar perto da comunidade. Eu falo muito de comunidade, e na palestra também falei o tempo todo sobre isso. A Visa está se tornando uma marca de lifestyle. Os pagamentos com Visa são, para muita gente, parte do dia a dia.

Então a pergunta é: como fazemos para que a marca comece a conectar com as emoções das pessoas? Isso acontece quando trazemos experiências únicas para as comunidades.

Por isso, festivais e eventos são muito importantes para nós. É o nosso momento de estar perto das pessoas e trazer alguma atividade única com a Visa. Algo que você não poderia nem pagar para ter da mesma forma, porque vem da nossa capacidade, das nossas parcerias e do que conseguimos construir.

Por essa razão temos tanta presença em eventos da América Latina. No Brasil, estamos em CCXP, BGS, gamescom latam e Anime Friends. Também estamos no SOFA, na Colômbia, que reúne mais de 200 mil pessoas. E na Argentina Game Show, que inclusive leva o nome da Visa. Sempre que pudermos, vamos estar perto da comunidade para trazer experiências únicas que gerem conexão emocional.

* Nossos agradecimentos a Visa LAC pela oportunidade

* Observação: as perguntas e respostas foram levemente editadas para clareza. | Imagens: gamescom latam
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Gabriel Brito de Souza
Apaixonado por café, cultura POP e games. Se quiser papear, você pode me encontrar em RPGs/MMOs Online, partidas do LoL, ou me mandar uma DM no Linkedin e Instagram.
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