Em 2003, a Neversoft sabia que precisava mudar algo na fórmula da sua série mais famosa, a do skate, para que não corresse o perigo de estagnar a franquia. Com isso em mente, a empresa desenvolveu o que, para muitos fãs, foi o melhor título de todos do Birdman: Tony Hawk’s Underground. Mantendo a fórmula de lançamento anual, THUG veio um ano após Tony Hawk’s Pro Skater 4, chegando outubro de 2003 para PlayStation 2, Xbox, GameCube e Game Boy Advance. No mês seguinte, chegou aos celulares (mobile) e em 2004 foi lançado também para PC, na Austrália e Nova Zelândia. A versão do portátil ficou a cargo da Vicarious Visions, enquanto a mobile foi feita pela Jamdat e o port para computadores pela Beenox. Todos foram publicados e distribuídos pela Activision.
Novas “aventuras”
Tony Hawk’s Underground quebrou com a tradição estabelecida ao colocar mapas maiores e com tempo determinado para cada objetivo. Embora isso existisse já no antecessor, o game dessa vez trazia uma história que conectava os goals com o avanço do roteiro, fosse para liberar áreas específicas da fase ou ainda novos níveis.
A principal novidade foi o fato de simplesmente andar: agora era possível sair de cima do skate e andar pelo mapa, pular em muros e subir escadas. Isso fez com que o jogo ganhasse uma nova dimensão, pois além de poder andar a qualquer momento, o combo de manobras era segurado por alguns segundos (além de ganhar mais multiplicadores de pontos). Provavelmente esse foi o momento em que a série abraçou o aspecto arcade de vez, deixando qualquer realismo ou simulação de lado.
O game começa com uma missão justamente com uma missão para andar e recuperar partes do skate ao subir muros e pular por valas. Isso serviu para mostrar ao player a diferença logo de cara e que ele sentisse essas mudanças e entendesse que se tratava de uma “aventura”, como foi definido por alguns desenvolvedores.
Outra nova ideia foi o uso de um skatista customizável como o principal personagem. Até THUG, o jogador escolhia um profissional para explorar as fases e concluir os objetivos, mas, a partir dele, era necessário criar seu próprio avatar. Na versão de PS2, inclusive, era possível colocar seu próprio rosto no personagem, fosse pelo uso da câmera, ou enviando uma foto para um email dedicado da desenvolvedora.Um dos principais motivos desta mudança foi pelo fato do personagem principal cometer alguns atos ilegais, o que poderia manchar a imagem dos pros que estavam disponíveis no elenco.
A história segue sendo uma das melhores da franquia, embora não seja possível cobrar muita profundidade. Porém, envolvia dois amigos que são skatistas amadores e buscavam reconhecimento da comunidade para se tornarem profissionais. Entre gravações de tapes, competições de skate e favores para os profissionais, muita água passa por debaixo dessa ponte, que ainda conta com traição e briga direta com Eric Sparrow (o amigo do personagem principal).
As fases e as estrelas
Apesar do foco em uma história inédita e que visava trazer um skatista amador (e customizável) ao âmbito profissional, Tony Hawk’s Underground também trazia os grandes nomes do cenário e que já eram consagrados na franquia. Eram eles: Tony Hawk, Bob Burnquist, Bam Margera, Kareem Campbell, Rune Glifberg, Bucky Lasek, Chad Muska, Andrew Reynolds, Paul Rodriguez, Geoff Rowley, Eric Koston, Elissa Steamer, Jamie Thomas, Arto Saari, Steve Caballero, Rodney Mullen e Mike Vallely.
Assim como acontecia desde THPS 2, o game sempre contava com participações especiais. Em THUG, não era diferente. Da Marvel, vinha o Homem de Ferro. Da banda KISS, vinha Gene Simmons. De Hollywood, vinha T.H.U.D. (personagem inspirado no filme de terror de 1984, C.H.U.D. – A Cidade das Sombras). Até mesmo Eric Sparrow podia ser desbloqueado, além de vários outros que apareciam durante o modo história, como Stacy Peralta (dono de uma loja de skate).
Tony Hawk’s Underground trouxe nove mapas novos, sendo que oito deles compunham o modo história. Ou seja, boa parte das novidades dos níveis foram integradas ao principal desafio do jogo. O game começava em New Jersey, depois ia para Manhattan, chegava ao primeiro torneio em Tampa, cruzava o país para San Diego, visitava o Hawaii, atravessava a fronteira ao norte, chegando ao Canadá, com Vancouver e Slam City Jam e a fase final chegava em outro continente em Moscow.
O carinho e dedicação dos desenvolvedores era palatável nessas fases. Vários programadores e designers viajaram para os locais retratados, a fim de manter fidelidade e tornar o local reconhecível por quem jogasse. O mapa de New Jersey, por exemplo, foi baseado no bairro em que um dos artistas da Neversoft (Henry Ji) cresceu e andou de skate enquanto jovem.
As fases ainda foram feitas de uma maneira peculiar: eram criadas adicionando o máximo de elementos até que o título simplesmente começasse a engasgar. A partir daí, paravam de colocar novos elementos e reduziam um pouco, para que o jogo fluísse bem o tempo todo.
A banda KISS contou não apenas com o Simmons como skatista, mas também com uma fase inteira dedicada a um show da banda: Hotter than Hell, nível bônus que era possível desbloquear ao finalizar o game. E não parava por aí, outros três níveis de THPS 2 podiam ter suas fitas encontradas nas fases do jogo e que ficavam liberadas para jogar a qualquer momento: Hangar, School II e Venice Beach.
Por fim, THUG também inovou em outro ponto em que a franquia sempre se destacou: a trilha sonora. Diferente das edições anteriores, não focou apenas no rock, heavy metal e afins, mas dessa vez o game trouxe o rap e o hip-hop também e não à toa se tornou a playlist favorita de muitos jogadores da franquia.
Recepção e legado
Tony Hawk’s Underground foi muito bem recebido tanto por público, quanto pela mídia especializada. No site agregador de notas Metacritic, a melhor nota ficou com a versão do PlayStation 2, com 90%. Porém todas as outras versões ficaram com pelo menos 85%, algo que não é fácil de uma produção multiplataforma alcançar.
A versão do console da Sony passou das duas milhões de cópias vendidas, recebendo inclusive um selo de platina no Reino Unido, mostrando que mais de 300 mil unidades foram comercializadas no país. O game ainda foi multi-vencedor de prêmios em 2003 e 2004, fosse por escolha da crítica ou por voto popular.
Atualmente Tony Hawk’s Underground não possui uma versão oficial jogável, não existem vendas digitais e não está presente em nenhuma plataforma. Contudo, com o recente sucesso dos remakes dos quatro primeiros jogos de Tony Hawk, fica a esperança de Underground ser o próximo a ser repaginado para a atual geração de consoles.
Revisão: Thomaz Farias

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