Dragon Ball GT: Final Bout, o game que trazia muitas dúvidas para os fãs da série

Jogo baseado no anime chegou ao Ocidente quase uma década antes de sua “matéria-prima”.

em 03/05/2026


Em 1997 a Bandai lançou um dos jogos mais controversos de Goku e sua turma: Dragon Ball GT: Final Bout, para o PlayStation. Desenvolvido pela TOSE, o game saiu no Japão, EUA e Europa em uma janela de três meses (de agosto a novembro, consecutivamente) e marcou o primeiro título da franquia a ser lançado em terras americanas. 

Conhecido nos mercados japonês e europeu apenas como Dragon Ball: Final Bout, o jogo contou com uma reedição em 2000 no país asiático. Já o mercado ocidental ganhou novas edições em 2002 (Europa) e 2004 (EUA). Isso tudo enquanto o PlayStation 2 já fazia voos maiores e também contava com suas próprias produções de Dragon Ball, mas o irmão mais velho ainda recebia muita atenção por sua grande base instalada ao redor do mundo.


Uma das maiores curiosidades de Final Bout é que o game chegou ao mercado ocidental antes mesmo do material em que era baseado, o anime de Dragon Ball GT. E ainda por ser uma era em que a internet sequer engatinhava, as informações do jogo como personagens, locais e mais passavam batidas por boa parte do público. Os diversos Gokus crianças, Pan a até mesmo o Trunks não eram conhecidos nem pelos fãs da série. O spin-off de Dragon Ball chegou apenas na década de 2000, sendo aqui no Brasil transmitido pela Cartoon Network no final de 2002 e pela Rede Globo no primeiro semestre de 2003.

Inovações que marcaram a série

Apesar do desencontro de informações que o jogo trazia para o público ocidental, muitas coisas criadas em Final Bout serviram como ponto de partida para os títulos que viriam a seguir. Tal qual a maioria das produções da segunda metade da década de 1990, a obsessão com o 3D deu as caras. Pela primeira vez todos os personagens eram modelos em três dimensões, saindo dos sprites em 2D que eram usados até então.


A novidade, porém, parou apenas nos modelos dos personagens e das arenas, já que a gameplay continuava sendo de um jogo de luta em duas dimensões. Ainda assim, o game permitia que os personagens voassem para qualquer direção que quisessem, mostrando mais uma inovação. Outra novidade foi na execução dos golpes de energia, como o Kamehameha. Ao realizar um comando do golpe especial, uma animação era feita pelo personagem, abusando da tela em 3D. Em um breve momento, o adversário poderia contra-atacar ou defender (aparecia um sinal na tela) e caso ambos atacassem, o tradicional “clash” acontecia, com direito a câmera girando em torno do fato. A partir daí, quem apertasse mais botões e mais rápido, ganharia a disputa e causaria o dano no inimigo.


Outra grande inovação do game foi a abertura. Pela primeira vez houve uma animação e música feita somente para o jogo, trazendo os personagens disponíveis em novas posições, lutas e muito mais. E, falando em trilha sonora, Final Bout trouxe diversas versões remixadas de jogos de Dragon Ball do SNES (série Butoden), que também foram desenvolvidos pela TOSE.


Por fim, a última novidade apresentada só reapareceria quase uma década em um novo jogo da franquia: os adversários gigantes (que voltou apenas em 2005, em Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi). Geralmente associados aos saiyajins e suas transformações de macacos, neste game ficou por conta do Golden Great Ape Baby (que havia possuído o corpo de Vegeta), também conhecido como Baby Vegeta Oozaru ou S. Baby, que era o chefe final e personagem não jogável.


Falando em personagens, o título foi o primeiro a trazer alguns memoráveis, bem como versões não vistas até então. Pan, Goku pequeno (na versão GT), Trunks adolescente e Baby marcaram sua estreia em jogos da franquia. Pela primeira vez o Goku em forma adulta com roupas do GT apareceu, bem como sua versão Super Saiyajin (adulto e criança) e a famosa transformação de SSJ4. Juntava-se a ele Trunks do GT na sua forma super. Por fim, para que não ficasse um elenco enxuto, ele foi completado com grandes nomes de Dragon Ball Z: Vegeta, Vegito (ou Vegetto), Gohan (Mystic/Ultimate), Piccolo, Trunks do futuro, Cell, Freeza e Kid Buu.

Estreia no ocidente

Como mencionado anteriormente, o game chegou ao ocidente muito antes do anime. Mas, além disso, outro problema era a popularidade da franquia, que ainda não havia explodido, embora fosse conhecida. Não por acaso esse foi o primeiro game lançado nos EUA, tentando prever algum hype em cima de Goku e seus amigos.


No Japão, Final Bout vendeu 245 mil unidades, número que garantiu uma reedição no ano seguinte na linha “Best for Family”. Já nos Estados Unidos foram produzidas apenas 10 mil cópias do jogo. Segundo a Bandai, até o ano de 2002, foram 19.564 unidades vendidas em solo americano.

Apesar de análises mistas por parte da crítica da época, Dragon Ball GT: Final Bout foi capaz de agradar boa parte dos fãs, que pela primeira vez viam seus heróis em 3D. Mesmo que o jogo tenha seus defeitos, muitas vezes atrelados às mecânicas de comandos e das lutas, ainda trouxe novidades importantes para a série, que seriam exploradas em diversos títulos seguintes, como Dragon Ball Z: Budokai (2002), que foi a produção seguinte a ser lançado em videogames de mesa. Longe da perfeição, Dragon Ball GT: Final Bout ajudou a pavimentar um caminho para Goku e os guerreiros Z nos consoles.

Revisão: Thomaz Farias


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Moreno Valerio
Jornalista, Técnico no papel, engenheiro não praticante e mestre Pokémon nas horas vagas. Passa 80% do tempo falando de games. Nos outros 20% torce para alguém falar sobre games, só para poder falar mais um pouco.
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