Análise: Warhammer 40,000: Mechanicus II é um game de estratégia sólido e divertido, mas um pouco enferrujado

O jogo entrega uma experiência competente naquilo que mais importa, embora tenha deixado a desejar em alguns pontos importantes.

em 27/05/2026
Poucas são as franquias de videogame com um universo tão rico quanto a do game desta análise. Warhammer 40,000: Mechanicus II é a mais nova tropa que chega a esse verdadeiro exército de jogos diferentes. Dentre os vários gêneros diferentes, este título é do tipo tático e estratégico por turnos, focando numa guerra entre povos mecânicos. Aperte os parafusos e lubrifique as engrenagens, pois a análise vai começar!

Um universo (muito) completo 

Antes de falar do jogo em si, vale fazer alguns comentários sobre a sua franquia principal. A marca Warhammer surgiu como um jogo de tabuleiro com miniaturas nos anos 80, se propagando para várias outras mídias desde então. Os videogames não foram exceção, com direito a várias séries explorando diferentes aspectos desse universo, tal como Space Marine e Dawn of War.
 
Vale frisar que o termo “universo” não é um exagero, pois a quantidade de personagens, facções, planetas, acontecimentos e demais elementos dentro de Warhammer é absurda. Embora isso seja legal por trazer jogos bem imersivos e originais, por outro complica para quem quiser aprender mais sobre a história deles. Mechanicus II segue esse padrão, jogando muita informação na cara do jogador sem maior contexto.
 
Tal como seu predecessor, este título foca nas raças mecânicas de Warhammer: Adeptus Mechanicus e Necrons. Enquanto o primeiro grupo é formado por seres biológicos repletos de implantes tecnológicos, o segundo é composto por robôs animados com magia. A razão da disputa são os recursos do planeta Hekateus IV (nome Mechanicus) ou Qivroth (nome Necron), o que levou a uma guerra entre esses povos, misturando tecnologia e magia.
Warhammer 40,000: Mechanicus II faz uso dessa dicotomia de forma inteligente, com diálogos imersivos e uma ótima dublagem (somente em inglês). Os acontecimentos do game se desenrolam de forma interessante, conforme percorremos o planeta enfrentando o inimigo. Mais uma vez, pena que é preciso apenas aceitar certas coisas, pois não temos uma introdução adequada ao universo do game.

Partindo pra guerra

Após um tutorial robusto, no qual revezamos o controle entre Mechanicus e Necrons, o jogo permite escolher uma das facções para começar a campanha. Cada lado tem suas particularidades, tanto em termos temáticos quanto mecânicos. Gostei dessa proposta, pois outros games forçariam o jogador a começar com uma e só liberar a outra após virar o jogo.
Warhammer 40,000: Mechanicus II é um game tático do tipo estratégia por turnos. Isso quer dizer que, nos combates (chamados Skirmishes), o jogador precisa montar sua equipe, posicionar os membros dela pelo cenário e executar ações para cumprir os objetivos de cada partida. Elas incluem eliminar todos os inimigos, sobreviver por um determinado número de turnos, escoltar um personagem até uma zona de segurança, entre outras tarefas.
A equipe é constituída por um comandante, que seria um dos “heróis” do jogo, e soldados comuns, de vários tipos e características diferentes. Antes de partir para uma missão, o jogador deve montar seu time, tentando escolher a melhor combinação de tropas. Cada missão é constituída de vários momentos, que incluem diálogos, tomadas de decisão e, logicamente, combates.
Gostei da linha de tempo usada para dar uma prévia do que podemos esperar ao longo da missão, bem como do mostrador do nível de vigilância inimiga. Determinadas tomadas de decisão (como explodir uma porta ou tentar arrombá-la discretamente) geram recompensas úteis, ao custo de inimigos melhor mobilizados no próximo encontro. O equilíbrio entre dificuldade e recompensa é interessante, valendo o investimento.
 
Inclusive, vale comentar que Warhammer 40,000: Mechanicus II tem um nível de dificuldade com várias customizações. Logo, não somente é possível alternar o equilíbrio dos desafios durante as missões, mas também antes de começar, nos menus de opções. Isso torna o título mais acessível mesmo para os novatos neste gênero tático-estratégico, que pode ser bem punitivo se for jogado de qualquer maneira.

Escolha (ambos) o(s) lado(s)

Os combates do game têm uma boa dose de mecânicas diferentes, variando de acordo com as duas facções. Os Necrons contam com tropas “imortais”, que revivem uma vez se intocadas após três rodadas após serem derrotadas. Elas têm uma movimentação reduzida em relação ao outro lado, mas batem mais forte e não carecem de proteção. Já os Mechanicus fazem bom uso de paredes e coberturas para se proteger e atirar.
Os líderes Mechanicus contam com habilidades que favorecem estratégias e comandos mais específicos, enquanto os Necrons curam suas tropas e podem trazer reforços no meio da luta. Além das características e combinações das tropas, os combates contam com várias outras mecânicas. Por exemplo, os chamados cognition (Mechanicus) e dominion (Necron) points podem ser coletados e liberam o uso de habilidades únicas.
 
Outro recurso bem útil é a opportunity: determinados tipos de tropas causam dano a inimigos que passam ao redor delas. Como os personagens têm alcances variados, incluindo alguns que só atacam à distância e precisam se afastar para conseguir agir, criar “barreiras” ou “corredores” pode ser uma oportunidade de eliminar os adversários mais fácilmente.
São só alguns exemplos de ferramentas e recursos — tais como escudos e alcance de dano — à disposição do jogador para vencer os desafios de Warhammer 40,000: Mechanicus II. Gostei dessa variedade, que conta até com ambientes destrutíveis, mas confesso que algumas combinações se sobressaem bastante. Logo, eu acabei tendo um grupinho de escolhas favoritas, deixando de lado outras opções que parecem não aproveitar bem o comportamento da IA do jogo, que é previsível na maioria das vezes.

Faltou mais óleo no motor

É uma pena que a produção técnica não seja tão robusta quanto a história e a jogabilidade. Embora os visuais e as músicas tenham muita personalidade, com cenários e personagens bem legais, misturando tecnologia e magia em um ambiente extraterrestre, eles são meio simplistas. É como se o jogo fosse de uma geração anterior (por vezes, até duas), sobretudo em termos de texturas.
 
Preciso frisar que eu joguei a versão de PlayStation 5, que parece um pouco inferior à de PC. Talvez atualizações futuras possam melhorar essa situação, tal como algumas cutscenes sem som. Telas de carregamento relativamente constantes e demoradas também prejudicam e seriam mais um bom ponto para melhoria.
 
Realmente espero que tais pontos sejam considerados, visto que Warhammer 40,000: Mechanicus II é bem divertido e com boa dose de imersão (desde que você tenha a dedicação para aprender sobre seu mundo), merecendo um pouco mais. Temos uma boa dose de melhorias para tropas e comandantes, com direito a muitas habilidades para desbloquear.
Inclusive, elas podem ser resetadas quando o jogador quiser, permitindo testar novos tipos de combinações. As habilidades são um tanto lentas para serem obtidas, exigindo uma boa quantidade de horas e foco em algumas tropas específicas. Como temos duas campanhas em uma, isso é garantia de muitas horas de jogo para quem curtir a experiência.

Omnissiah X C’Tan

Fazendo uso de parte do seu rico universo original, Warhammer 40,000: Mechanicus II traz duas aventuras de estratégia por turnos em um só game. É preciso boa vontade para entender a história, mas a originalidade e a qualidade de personagens e enredo fazem valer a pena. As missões são interessantes e trazem boa variedade de desafios, contando com muitos ótimos cenários, tropas e mecânicas. Mesmo com problemas no desempenho, fica a dica para amantes do gênero e da marca.

Prós

  • Jogo tático de estratégia competente e que faz ótimo uso da marca Warhammer;
  • Temática é imersiva e profunda, com vários diálogos e acontecimentos interessantes;
  • Combate por turnos traz desafios equilibrados, contando com boa dose de customização;
  • A proposta de “duas campanhas em uma” oferece momentos únicos e variados;
  • Boa quantidade de mecânicas e recursos para usar durante os combates, bem como personalizar as habilidades dos personagens.

Contras

  • Universo do game não é introduzido de forma alguma e exige paciência para ser entendido;
  • Produção deixa a desejar com diversos trancamentos durante as partidas, texturas simplistas, cutscenes mudas e telas de carregamento relativamente frequentes e longas.
Warhammer 40,000: Mechanicus II — PC/PS5/XSX — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Ives Boitano
Análise redigida com cópia digital cedida pela Kasedo Games
OpenCritic
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Matheus Senna de Oliveira
é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
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