Alien Strike: Blasting the Intruders é mais um produto da crescente onda de indies brasileiros que vêm “invadindo” o mercado. A proposta é simples: reunir até dois amigos e enfrentar alienígenas determinados a conquistar a Terra. Mas, para quem prefere a missão solo, o jogo também funciona bem sozinho.
Corra e atire
Alien Strike: Blasting the Intruders é um jogo do gênero run 'n' gun, nos moldes de clássicos como Metal Slug e Contra. Este título é claramente inspirado na franquia da Konami em sua estética, tema e, especialmente, na jogabilidade. O objetivo é atravessar fases infestadas de criaturas alienígenas e enfrentar um chefe ao final de cada uma delas, seguindo a fórmula consagrada do gênero, que fez enorme sucesso na década de 1990.
Com suporte para até três jogadores em modo cooperativo local, Alien Strike traz quatro personagens jogáveis que se diferenciam apenas no visual. A dinâmica de gameplay é a mesma para todos. Cada personagem possui uma arma capaz de equipar até dois tipos diferentes de munição, que podem ser aprimorados para a Versão X, causando mais dano e com pequenas mudanças em suas propriedades básicas, como área de efeito e velocidade de disparo.
É possível desequipar as munições para equipar novas encontradas nas fases ou repassá-las a um parceiro que precise de um upgrade. Ao receber dano, o jogador perde uma vida e a arma equipada, voltando a contar apenas com a munição padrão, mais fraca e básica.
Os personagens dispõem ainda de um movimento de deslize, que permite esquivar de projéteis inimigos e oferece um breve período de invencibilidade durante sua execução. Após utilizá-lo, é necessário aguardar alguns segundos de recarga antes de repeti-lo.
Por fim, cada membro da equipe conta com uma habilidade especial poderosa, uma espécie de ultimate. Derrotar inimigos abastece uma barra que, quando cheia, permite desferir um ataque capaz de atingir tudo na tela — uma manobra especialmente útil contra os chefes ou nos momentos em que a quantidade de projéteis e inimigos se torna caótica.
A experiência com Alien Strike: Blasting the Intruders teve seus altos e baixos. Nostalgia, diversão e frustração foram os sentimentos que mais marcaram minhas sessões. Os títulos citados no início desta análise me acompanharam durante anos na minha trajetória como jogador, e poder experimentar algo novo dentro do gênero, em 2026, foi uma experiência válida.
Em termos de jogabilidade, o game entrega bem o que promete. Os controles são responsivos na maior parte do tempo, as fases iniciais apresentam um nível de desafio equilibrado e, a partir da segunda metade, os momentos caóticos se intensificam. Dependendo da dificuldade selecionada, o jogador pode contar com uma quantidade generosa de vidas e checkpoints frequentes ou, no extremo oposto, com vidas escassas, continues limitados e checkpoints disponíveis apenas antes das batalhas contra os chefes. É, essencialmente, uma experiência bem arcade.
Os controles, porém, merecem ressalvas. Apesar de responsivos, alguns comandos apresentaram falhas pontuais de execução — especialmente na ação de travar a mira para atirar sem se mover. Em certas ocasiões, mesmo com o botão pressionado, a ação simplesmente não foi reconhecida, custando-me uma vida sem razão aparente. As ações de pulo também demonstraram comportamento irregular em alguns momentos.
Além disso, bugs pontuais, como saltos em plataformas que não tinham colisão ou dano recebido de projéteis invisíveis, também fizeram parte da experiência. Foram situações isoladas, mas aconteceram — e, igualmente, custaram vidas.
No geral, Alien Strike entrega o básico. As nove fases da campanha marcam o fim da experiência: não há modos extras, personagens desbloqueáveis ou recompensas adicionais ao zerar o jogo. O que resta é a obtenção de conquistas voltadas para habilidade, como concluir fases sem morrer, terminar o jogo sem usar o ataque especial ou atingir determinadas marcas de eliminações.
Vale destacar, no entanto, que este é um jogo pensado para o modo cooperativo. O level design de boa parte das fases evidencia isso: a quantidade de inimigos e elementos em tela e o ângulo de câmera mais aberto — para que os jogadores não fiquem confinados durante a ação — sugerem que a experiência plena foi concebida para ser compartilhada.
O jogo não conta com multiplayer online, o que deixa como alternativa para quem não pode jogar localmente com amigos o recurso de Remote Play do Steam. A funcionalidade até cumpre seu papel, porém não substitui um modo online nativo. Fica a esperança de que isso mude em atualizações futuras.
De todo modo, o que temos aqui é um feijão com arroz bem feito: cumpre o que se propõe, satisfaz e resolve. Uma salada ou um bife com batatas acompanhando seriam bem-vindos para deixar o prato mais atraente e mais gostoso, mas, como dizem, é o que temos pra hoje.
Alien Strike: Blasting the Intruders não veio reinventar o gênero — e claramente não pretende. É um jogo que conhece seus limites e, dentro deles, cumpre sua função com competência. Para quem cresceu com Metal Slug e Contra, ou para qualquer um que tenha uma queda por um autêntico run 'n' gun, temos aqui uma experiência honesta, especialmente em uma sessão cooperativa com amigos.
Os problemas existem e não são desprezíveis: os bugs pontuais, as falhas de execução em algumas ações dos controles e a ausência de conteúdo além da campanha são lacunas que impedem o game de estar um nível acima da média. A falta de um modo online também estreita consideravelmente o público que conseguirá aproveitar o jogo em sua forma mais completa, especialmente considerando o perfil de jogadores atualmente, que tem preferência por esse tipo de dinâmica pela comodidade.
Ainda assim, há algo genuíno aqui. Num cenário em que muitos indies brasileiros estão buscando seu espaço no mercado global, o Combo Game Studio mostra com Alien Strike que é possível fazer um produto sólido com uma proposta bem definida. Não é uma obra-prima, tampouco é um desperdício de tempo. E isso, dependendo da ocasião, já é suficiente.
Prós
- Jogabilidade sólida e fiel ao estilo clássico do gênero;
- Controles responsivos na maior parte do tempo;
- Modo cooperativo local para até três jogadores;
- Nível de desafio progressivo e configurável;
- Habilidades especiais e sistema de munições adicionam camadas à jogabilidade, especialmente ao jogar em co-op.
Contras
- Ausência de modo online nativo;
- Bugs pontuais que comprometem a experiência;
- Falhas ocasionais no sistema de travas de mira;
- Nenhum conteúdo adicional além da campanha principal;
- Personagens jogáveis sem diferenciação mecânica entre si.
Alien Strike: Blasting the Intruders — PC — Nota: 6.5
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise produzida com cópia cedida pela Nuntius Games




