Vinda de tradições irlandesas, a famosa lanterna de abóbora do Halloween é chamada Jack-o’-Lantern (Jack da Lanterna). É com referência a ela que temos Grumpy Jack — isto é, “Jack Ranzinza” —, metroidvania com visão de cima e desenhado à mão.
Produzido por uma só pessoa — o tatuador e desenvolvedor holandês Vincent Penning — o título é uma aventura curta, mas completa, com diferentes áreas, chefes, NPCs que negociam melhorias de personagem e uma simples e agradável história de Halloween.
Já é Halloween
Jack estava apenas cuidando do seu jardim quando, sem querer, matou um cavaleiro que se aproximava para destruir o Rei dos Pesadelos que comanda aquelas terras. O protagonista ranzinza não é nenhum heroi, mas a Morte em pessoa surgiu para coagi-lo a cumprir a tarefa que cabia ao cavaleiro. Sem outra opção, ele vasculhará a região em busca das partes da chave que abre o caminho para o castelo do vilão.
Apesar da visão de cima, mais típica de Zelda-likes, a estrutura de Grumpy Jack segue à risca o modelo metroidvania, trazendo áreas distintas e interconectadas, além de habilidades que dão acesso a novos locais na exploração do mundo. Jack vai enfrentar chefes, encontrar um trio de armas, procurar os recursos para melhorá-las e usar o dinheiro encontrado para comprar dos NPCs que conhecerá pelo caminho os meios de ficar mais forte até estar à altura da tarefa indesejada.
Os personagens são bem desenhados e os diálogos sempre bem-humorados entretêm, dando um espírito leve à aventura. Também é leve em questão de duração, rendendo cerca de três horas para completar tudo — é o que chamamos de “minivania”.
São seis áreas para explorar, cada uma com seu chefe local. Nenhuma delas é curta ou longa demais, mantendo proporções adequadas à experiência e um bom ritmo para a aquisição de habilidades simples que fazem a campanha e a exploração progredirem, como um ataque carregado para quebrar determinadas pedras ou um dash para atravessar feixes de energia.
Os personagens propõem missões de encontrar coisas escondidas e, após isso, se mudam para a área central, onde vendem melhorias. Além de moedas, alguns itens são usados nos upgrades, requerendo explorar cada cantinho para completar tudo. No final, ainda há um recurso para indicar no mapa o que ficou faltando, algo que facilita bastante atingir os 100% sem precisar vagar a esmo.
Diferentemente dos modelos de personagens e inimigos, os cenários são pouco atraentes, com aparência planificada e poucos efeitos e movimentos que lhes deem vida. Há até alguns elementos confusos, como os buracos desenhados de uma forma que podem parecer paredes, à primeira vista.
Jack não é grande guerreiro, mas consegue se virar
Em questão de combate, Grumpy Jack mistura a ação clássica de espada com elementos de tiro. Nunca chega a ser exatamente um bullet hell, mas segue a mesma lógica deles: inimigos lançam bolinhas perigosas em linha, em feixe e ao redor de si. Achei baixa a variedade de formatos para os projéteis, o que passa certa repetitividade que só não impacta a experiência devido à já mencionada brevidade da aventura. Ainda assim, faltou diversidade.
O próprio Jack se movimenta de forma um pouco lenta e não consegue andar e atacar ao mesmo tempo, de forma que a dinâmica de posicionamento é crucial para a sobrevivência e vitória, desincentivando a “estratégia” barata de ficar em cima dos monstros atacando e esquivando em cima da hora.
Para variar as coisas, encontramos três tipos de armas que golpeiam em oito direções, sendo uma espada rápida, um martelo pesado mais lento e um cajado que atira à distância. Mais uma vez, a natureza compacta da experiência ajuda a dar a sensação de que o pouco e o simples que Grumpy Jack traz é o bastante para cumprir seus propósitos.
No fim das contas, eu gostaria que os cenários recebessem mais atenção do artista e que o combate tivesse situações mais variadas, mas, mesmo assim, considero que Grumpy Jack atende aos requisitos para uma aventura divertida e consistente, entregando o suficiente para fazer suas três horas de duração não parecerem inacabadas. Ele acaba sendo o tipo de jogo que, sem expressar ambição, pode agradar a quem não tenha expectativas por algo mais elaborado.
É como o Halloween: diverte por uma noite e acaba
Pouco ambicioso, mas completo no que se propõe a fazer, Grumpy Jack é um minivania com bom ritmo e conteúdo adequado à sua breve duração. Ainda que não aproveite todo o potencial de seu combate de espada e tiro, é divertido, engraçadinho e nos incentiva a explorar todos os cantos de seu mapa, sendo ideal para uma tarde ou um final de semana de jogatina sem compromisso.
Prós
- História cômica com personagens bem desenhados e excêntricos;
- Mesmo durando apenas três horas, há conteúdo e sistemas de progressão suficientes para considerá-lo uma experiência completa de metroidvania.
Contras
- O visual dos cenários é pouco atraente, sendo planificado, estático e mais simples do que o que vemos nos desenhos dos personagens;
- O combate de tiro carece de maior repertório de ataques inimigos;
- Sem tradução para português brasileiro.
Grumpy Jack — PC — Nota: 7.0
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela VP Games










