Project Justice, sequência do jogo de luta escolar da Capcom, completa 25 anos

A continuação que melhorou tudo que o título de 1997 criou, trazendo um elenco recheado e ação acelerada.

em 14/04/2026
A Capcom enfrentou dificuldades para se adaptar à dimensão 3D dos jogos de luta, porém foi nesse contexto que mais se aventurou. Star Gladiator (e sua sequência, Plasma Sword), Tech Romancer e Rival Schools não alcançaram o mesmo reconhecimento de Street Fighter e Marvel vs. Capcom, mas são alguns dos que sofrem um certo revisionismo e são redescobertos pela comunidade.


Com a chegada da Sega Naomi como placa de fliperama principal para a Capcom, Batsu e companhia ganharam uma nova oportunidade com Project Justice. Elevando a pancadaria escolar para o formato de 3 contra 3, é um jogo que deveria ser mais valorizado pelo público em geral e é um dos melhores representantes do final de uma era para o gênero.

Colocando a turma para brigar

Project Justice segue a mesma linha de Rival Schools, sendo um dos raros título 3D que adota uma abordagem de jogabilidade mais típica do 2D. Ataques especiais podem ser executados, as barras são um componente fundamental para a mecânica geral e a movimentação é bastante ágil, possibilitando até pulos altos.

Como está em um hardware mais potente, o conceito de três personagens por escola foi expandido e agora é viável jogar com um trio fixo. Apesar do formato padrão ainda ser melhor de três rounds, existem mais possibilidades de surpreender o oponente ao escolher um personagem apropriado para uma match-up.

A principal inovação mecânica de Project Justice reside nas interações em equipe por meio das técnicas Team Up e Party Up. O primeiro é semelhante ao do antecessor, no qual uma ofensiva dupla pode ser realizada, e a ação depende da combinação, podendo ser um ataque conjunto ou um buff para nosso lutador, se o parceiro for do tipo suporte.

No entanto, o adversário pode retaliar um Team Up desta vez, colocando o terceiro integrante de cada equipe em campo por cinco segundos. Caso o defensor consiga desferir um golpe, o ataque inimigo é interrompido imediatamente, transformando a situação tensa em uma possível briga de footsies — a “luta mental” para ver quem consegue explorar o erro do oponente primeiro.

Por outro lado, o Party Up utiliza toda a equipe para um ataque devastador que consome cinco barras de especial. Cada equipe possui uma animação de ataque única, que reflete a interação entre os membros e suas estratégias de ataque, aproveitando ao máximo o 3D para proporcionar um aspecto cinematográfico à ação.

Esse dinamismo também se reflete nas lutas, pois o ritmo dos combos e da movimentação é mais ágil e responsivo. Project School possui uma jogabilidade mais agressiva, porém a maior fluidez também contribui para a defesa e esquiva nos momentos finais.

Um elenco recheado

Project Justice não se apoia apenas em suas mecânicas, pois o maior acerto da franquia como um todo reside no elenco. Cada time simboliza uma escola, e cada escola exibe um arquétipo, como a turma dos esportistas, o coletivo dos encrenqueiros, os gringos, os artistas, entre outros.

O estilo dos jovens estudantes é bastante exagerado, inspirado nos personagens de Street Fighter Alpha. Trata-se de uma abordagem mais audaciosa e distinta em relação à série Street Fighter do mesmo período, enfatizando os traços peculiares de cada arquétipo.

Em combate, esses traços se tornam ainda mais evidentes. Por exemplo, Nagare é um nadador, e todos os seus ataques são baseados na natação — o que é engraçado, pois ele literalmente nada no ar. Por outro lado, Yurika é uma violinista que utiliza o poder da música tanto para apoiar seus aliados quanto para ferir seus adversários.

De modo geral, Rival Schools é uma franquia que prioriza a narrativa, integrando a história de forma mais significativa no tradicional modo arcade. Em Project Justice, existem duas opções dentro dessa estrutura: o Story Mode restringe as escolhas aos trios fechados de cada escola, ao passo que o Free Mode permite qualquer combinação, sem um contexto para cada combate.

Claro, a trama não se distingue muito de um jogo de luta da época ou de uma obra do gênero shonen. Um ano após os acontecimentos que levaram à derrota de Hyo Imawano, a era de paz chega ao fim com a aparição do ninja Kurow Kirishima.

Seu plano envolve agredir o diretor da Justice High, manchar a imagem de Batsu, fazer uma lavagem cerebral em Daigo Kazama — um respeitado líder dos valentões da Gedo High — e provocar uma desordem entre as escolas do Japão. Sem alternativas, Batsu, Hinata e Kyosuke decidem investigar a confusão para descobrir o que está ocorrendo.

Assim como em Rival Schools, nossas ações em uma luta definem a trajetória da história e até podemos ser recompensados com personagens extras. Por exemplo, para liberar a versão de Akira sem capacete, é preciso vencer seu irmão Daigo sem solicitar ajuda, fazendo com que a trama tome um caminho diferente.

Um salto geracional necessário

Project Justice aproveita as vantagens da Sega Naomi ao apresentar um título impressionante para o seu tempo. Ao passo que Rival Schools lidava com cenários planos e estáticos, sua sequência apresentava cenários ricos em detalhes, fundos de maior resolução e até mesmo iluminação mais sofisticada em algumas arenas.

Embora os lutadores não alcancem o nível técnico de Soulcalibur no Dreamcast, o avanço gráfico possibilitou uma adaptação mais precisa das impressionantes artes do ilustrador Edayan — que também é o artista responsável pela série Darkstalkers — para o formato 3D. Os detalhes de roupas e acessórios receberam um aprimoramento na modelagem poligonal, evidenciando o avanço entre as gerações.

Apesar de não estar entre as mais memoráveis da Capcom, a trilha sonora oferece toda a energia necessária para um jogo de luta. Ela apresenta uma diversidade de gêneros e se adapta muito bem a cada fase, mantendo uma qualidade técnica superior àquela oferecida em Rival Schools.

Aparições notáveis

Project Justice teve apenas uma reedição, que ocorreu por meio da coletânea Capcom Fighting Collection 2. Como se baseia na versão de fliperama, a versão de Dreamcast não incluiu os modos extras, porém permitiu jogar online oficialmente pela primeira vez, com a qualidade de um excelente netcode rollback.

Os personagens já foram vistos em alguns games. Kyosuke apareceu em Capcom vs. SNK 2: Match of the Millenium 2001, dirigido pelo lendário Hideaki Itsuno (o mesmo por trás de Devil May Cry 3), que também esteve na direção de Project Justice. Quando foi designado para comandar o crossover entre as duas gigantes, conseguiu um espaço para incluir o educado estudante da Taiyo High School. Batsu e Hinata chegam a fazer uma aparição em um de seus especiais.

Batsu fez sua aparição anos depois em Tatsunoko vs. Capcom: Ultimate All-Stars, representando sua única participação na série Versus. O estilo de jogabilidade se encaixou perfeitamente com a abordagem ágil e mais aérea da série, e até os ataques combinados com outros personagens foram mantidos na versão para Wii. O personagem principal também apareceu em Project X Zone como um personagem de suporte (Solo Unit).

Por fim, Akira foi uma das últimas personagens a ser lançada em Street Fighter V, sendo também a primeira personagem convidada a integrar a franquia principal. A bad girl trouxe uma variedade impressionante de habilidades, que vão desde combos aéreos até a capacidade de chamar Daigo para ajudar em um de seus V-Triggers.

A justiça nunca morre

Project Justice marca o encerramento de uma das séries mais encantadoras do extenso catálogo de jogos de luta da Capcom, em um período em que a empresa estava prestes a abandonar o gênero. Aprimorando tudo o que Rival Schools apresentou, o game se destaca por sua ambientação, personagens e estilo de luta únicos, ao combinar elementos 3D com as convenções de jogabilidade 2D.

Embora o futuro das brigas escolares japonesas não seja promissor, o jogo pode ser encontrado em uma das melhores coletâneas da Capcom. Espero que os personagens da franquia tenham oportunidades de aparecer em Street Fighter ou em algum crossover futuro. Até lá, celebraremos jogando Project Justice, que continua empolgante mesmo após 25 anos de seu lançamento.

Revisão: Thomaz Farias
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Alecsander "Alec" Oliveira
Um ser que está nesse mundo dos joguinhos desde criança. Fã de games com vibe mais arcade e arqueólogo de velharias, mas não abandona experiências mais atuais. Acompanha a mídia de podcasts, dublagem e ouvinte assíduo de VGM. Pode ser encontrado como @AlecFull e semelhantes por aí.
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