O GameBlast conversou com a Night Street Games, dos irmãos Dan e Mac Reynolds (conhecidos mundialmente pela banda Imagine Dragons), sobre seu primeiro jogo, Last Flag, lançado no último dia 14 de abril (disponível via Steam e Epic Games Store). Para quem não está situado, Last Flag é um jogo de tiro 5x5, onde o objetivo é capturar a bandeira do time adversário. Ele traz mecânicas de hero shooters, que são aqueles jogos que unem FPS e habilidades únicas em cada personagem, como Overwatch, Valorant e Marvel Rivals.
Mac Reynolds, CEO da Night Street Games, desenvolvedor e um dos idealizadores do projeto, concedeu entrevista ao GameBlast para falar sobre como surgiu a ideia de um jogo focado em capture a bandeira. Além disso, também conversamos sobre a filosofia de não colocar microtransações no game, a sobrevivência de jogos como serviço e a relação da desenvolvedora com o Brasil.
Observação: a entrevista foi realizada antes do lançamento do jogo, portanto qualquer tema posterior não foi abordado.
Johnnie Brian: É um prazer ter vocês aqui no GameBlast. Já conhecemos a Night Street Games, mas gostaríamos que vocês se apresentassem. Quem são? O que pretendem fazer na indústria de games? Que tipos de jogos pretendem lançar?
Mac Reynolds: Meu nome é Mac Reynolds e sou cofundador e CEO da Night Street Games. Embora minha formação profissional seja em gestão de artistas, os jogos sempre foram uma grande paixão para mim e para meu irmão, Dan, desde a infância. Eu mexo com modelagem e animação 3D desde jovem, e o Dan é um ótimo programador. Sonhamos por anos em criar um estúdio e desenvolver um jogo, e agora finalmente estamos realizando esse sonho. No momento, nosso foco está em jogos multiplayer. Nós amamos experiências single player, mas hoje em dia as experiências sociais nos games são o que mais nos empolgam, então é nisso que estamos focados. Nosso objetivo é continuar criando jogos com essa equipe incrível – e, quem sabe um dia, nos tornarmos um estúdio como alguns dos nossos favoritos de todos os tempos (Sierra Online, LucasArts, Delphine, etc.), em que as pessoas ficam ansiosas para ver o próximo projeto.
Johnnie Brian: Last Flag se propôs a ser uma experiência mais relaxante e divertida. Como foi garantir que isso ocorresse ao se criar um jogo de tiro, cujo gênero sempre foi mais focado na competitividade?
Mac Reynolds: A inspiração para o jogo veio de brincar de “capturar a bandeira” na vida real, na floresta. Por isso, consideramos Last Flag antes de tudo um jogo de esconde-esconde, e só depois um shooter. Todas as nossas decisões criativas giram em torno de preservar e maximizar a diversão desse loop central, o que naturalmente levou o jogo a focar mais no caos controlado e na diversão de capturar a bandeira do que na competitividade típica de um shooter. Ser bom em tiro ajuda, mas há muitas outras formas de contribuir para a vitória.
Johnnie Brian: Tanto você, Mac, quanto seu irmão Dan têm uma relação muito próxima com o Brasil, devido ao pai de vocês. Isso teve alguma influência no game?
Mac Reynolds: Todo mundo sabe que o Brasil tem algumas das pessoas mais acolhedoras, calorosas e apaixonadas do mundo. Crescemos ouvindo João Gilberto e ouvindo histórias sobre o Brasil, mas acho que esse carinho só aumentou conforme a banda passou a fazer turnês por aí ano após ano. Temos uma personagem/heroína no jogo chamada Camila, que é brasileira, e cuja dubladora faz parte da nossa equipe de desenvolvimento e utiliza tanto o inglês quanto o português brasileiro no jogo.
Johnnie Brian: Jogos de live service têm enfrentado certas dificuldades para se manterem. Tivemos o caso de Concord em 2024 e, mais recentemente, o de Highguard, que teve os servidores encerrados em pouco mais de um mês depois do seu lançamento. Como Last Flag pretende evitar isso?
Mac Reynolds: Podemos olhar para jogos que deram certo ou errado nos últimos anos, mas é claro que os jogadores – mesmo com tantas opções – ainda estão dispostos a experimentar novos jogos que chamem sua atenção. Somos um estúdio indie criando um tipo de jogo muito único, então estamos muito mais focados no que nos diferencia e em como construir uma comunidade sustentável do que em expectativas ou comparações com títulos de grandes publishers.
Johnnie Brian: A produção do game foi de pouco mais de cinco anos. Houve mudanças substanciais no modo como vocês pensaram Last Flag?
Mac Reynolds: O jogo sempre foi “capture a bandeira”, e a história permaneceu praticamente a mesma. Mas passamos por muitas iterações ao longo dos anos. No início, testamos de tudo: visão top-down, isométrica, fog of war… Em certo momento, até tivemos zumbis e buffs de monstros gigantes. Um dos maiores desafios foi a transição da Unity para a Unreal, mas acabou sendo mais tranquila do que imaginávamos. Com o tempo, fomos simplificando tudo para manter apenas o que servia à diversão central do esconde-esconde – e é essa experiência que os jogadores terão em 14 de abril.
Johnnie Brian: O jogo teve algumas rodadas de testes. Outros jogos têm optado pelo modelo de lançamento em acesso antecipado para colher feedbacks da comunidade. Vocês pensaram em lançar Last Flag em acesso antecipado em algum momento?
Mac Reynolds: Testamos o jogo com a comunidade por anos e acreditamos muito em ouvir os jogadores desde o princípio e com frequência. Aprendemos muito com eles, e o jogo não seria o mesmo sem essa ajuda. Optamos por um lançamento que já oferecesse uma experiência completa, em vez de early access, já que vínhamos de um período de testes mais longo. Mas jogos como serviço estão sempre em evolução. Já temos novos mapas, personagens e modos de jogo incríveis em desenvolvimento – alguns deles chegarão gratuitamente logo após o lançamento.
Johnnie Brian: Percebemos que, em Last Flag, há muitas mecânicas de diferentes jogos, o que traz familiaridade pros jogadores. Há alguma pretensão futura de incorporar outros modos de jogo, como deathmatch e battle royale?
Mac Reynolds: Sim, já estamos testando novos modos de jogo. Mas, assim como no “capture a bandeira”, queremos sempre destacar aquilo que nos torna únicos. Então, se tivermos um modo deathmatch, por exemplo, ele será pensado sob a ótica do que diferencia Last Flag como shooter. Gostaria de poder contar mais, mas vocês vão ter que esperar para ver!
Johnnie Brian: No Brasil, recentemente foi aprovada uma lei que restringe o acesso de menores de idade a mecânicas de jogo que envolvem loot boxes. Algumas desenvolvedoras, como a Riot Games, optaram por restringir o acesso de menores de idade, no caso ao League of Legends. A Blizzard foi por outra linha e decidiu remover loot boxes consideradas pagas de Overwatch. Ainda não notamos a presença de loot boxes em Last Flag. Essa será uma mecânica usada para obter itens cosméticos? E, se for o caso, estará adaptada ao contexto de leis brasileiras ou o jogo poderá ser restringido no país?
Mac Reynolds: No momento, não estamos considerando esse tipo de mecânica. Queremos que os jogadores comecem com todos os personagens e mapas disponíveis, e possam desbloquear cosméticos, execuções e skins jogando.
Johnnie Brian: Last Flag conta com chat de voz nativo. Vocês consideram que a comunicação por voz será um recurso definitivo para o sucesso dos jogadores durante as partidas? Já há um sistema de moderação para punir jogadores que abusem deste recurso?
Mac Reynolds: Jogos multiplayer quase sempre são mais divertidos quando o time se comunica bem. O chat de voz é uma ótima forma de fazer isso, mas também temos um sistema de ping bastante robusto, que permite compartilhar informações importantes em tempo real para quem não quiser falar ou digitar. Em relação à moderação, temos ferramentas de denúncia e sistemas automatizados para ajudar a manter uma experiência saudável.
Johnnie Brian: Agradecemos muito a oportunidade de conhecer melhor a Night Street Games e The Last Flag, que estamos ansiosos para jogar. Queremos deixar este espaço para que vocês possam mandar uma mensagem para seus fãs brasileiros. Um grande abraço e até uma próxima!
Mac Reynolds: Ficamos mais uma vez impressionados com a recepção dos nossos amigos no Brasil. Nossa principal mensagem é um enorme OBRIGADO por jogarem Last Flag e compartilharem com seus amigos. Nos vemos no campo de batalha…
Revisão: Alessandra Ribeiro







