Análise: Super Meat Boy 3D mantém a essência da franquia, mas agora em três dimensões

Prepare-se para testar sua paciência nos cinco mundos desafiadores presentes no aguardado retorno da franquia.

em 08/04/2026
O jogo de plataforma reconhecido por sua dificuldade, Super Meat Boy, retorna após seis anos desde o último título, Super Meat Boy Forever. Não bastando voltar com fases criativas e frenéticas, Super Meat Boy 3D, como o nome indica, traz ambientes que agora são completamente tridimensionais, mas essa mudança de perspectiva trouxe alguns problemas que atrapalham a experiência.

Aff, sequestraram minha namorada de novo

Super Meat Boy 3D nos coloca no controle de uma bolinha de carne raivosa chamada Meat Boy. Ele tem a missão de resgatar sua namorada Bandage Girl das mãos do vilão Dr. Fetus, que, como o nome indica, é um feto. Porém, ele controla um exoesqueleto que permite que ele faça suas maldades. A premissa é simples e divertida, e me surpreendeu com suas cutscenes, que são muito bem animadas.


Mesmo sem falas, os personagens transpiram carisma durante essas cenas animadas. O vilão faz questão de aparecer ao final de cada nível concluído para zombar do herói e bater em sua namorada. Normalmente, ele utiliza golpes que fazem referência a várias obras, como Dragon Ball Z Tudo isso faz do antagonista algo marcante.

Além do garoto-propaganda Meat Boy, é possível utilizar outros personagens, os quais são desbloqueados de acordo com a quantidade de curativos coletados durante as fases. O elenco conta com figuras conhecidas, como Tofu, Pepita, Brownie, entre outros; cada uma tendo habilidades exclusivas, como pular mais alto, correr ou não parar de quicar após um salto.

Entre pulos, impulsos e muitas mortes

A franquia Super Meat Boy sempre teve uma jogabilidade simples, focada em plataformas, mas que exige certa prática para ser dominada. Isso não é diferente na nova entrada da obra; no controle da bola de carne, podemos saltar, correr pelas paredes e utilizar um impulso para alcançar grandes distâncias e quebrar alguns obstáculos. Movimentos como socos e chutes presentes em títulos anteriores não aparecem. 


Admito que, como jogador de primeira viagem na franquia, tive um pouco de dificuldade em me acostumar ao ritmo dos estágios, pois são rápidos e intensos. A cada minuto, é necessário desviar de obstáculos variados, como serras, lasers ou minhocas gigantes. Mas, a cada morte, eu fui melhorando e logo já tinha me acostumado com o ritmo; e passei a apreciá-lo, mesmo ainda passando raiva. Contudo, nem tudo são flores. 

Durante minha experiência, senti que a câmera não foi tão bem adaptada para alguns percursos, o que gerou mortes por não conseguir enxergar obstáculos como armadilhas — o que tornou alguns desses percursos bem frustrantes. Além disso, por mais que os estágios sejam desafiadores, a mudança do 2D para o 3D tirou um pouco do “charme” que a franquia tinha.


Essa questão faz com que os trechos sejam muito parecidos e, embora graficamente belos, a longo prazo se tornem desinteressantes, principalmente por repetirem muitas temáticas semelhantes, como indústrias. Sinto que não conseguiram transmitir tão bem a criatividade da franquia para a nova abordagem tridimensional. 

Felizmente, o jogo oferece aos jogadores a liberdade de escolher a ordem em que completarão os 15 cenários de cada reino. Essa possibilidade facilita a vida de novos jogadores. Além disso, não é obrigatório completar todas elas para avançar para o próximo mundo; basta concluir dez. 


Mas os veteranos na série podem ficar tranquilos, já que a zona sombria traz versões mais desafiadoras dos ambientes iniciais. Para acessá-las, basta concluir os percursos básicos em um tempo específico. Também existem mapas secretos, que estão escondidos nos cenários; quando concluídos, liberam novos personagens. Sinceramente, certos cenários escondidos superam até mesmo os principais.

Mundos interessantes com chefes esquecíveis

Ao final de cada reino, seguindo o padrão das obras do gênero plataforma, temos chefes poderosos para enfrentar, cujos visuais são chamativos e inspirados em temáticas variadas, que vão de ratos gigantes com espadas a polvos radioativos e robôs gigantes. Entretanto, suas lutas em si poderiam ter sido melhor aproveitadas.


Os confrontos são mais uma questão de decorar a movimentação do que realmente um desafio, o que os torna monótonos e desinteressantes. Alguns desses embates não utilizam tão bem todas as mecânicas disponíveis. Mas nem tudo é terrível. Pelo menos, durante os confrontos, a trilha sonora não decepciona, apostando em sons mais pesados, como rock, para manter o jogador imerso nos embates caóticos.

A mesma essência, mas agora em três dimensões


Super Meat Boy 3D consegue ser uma nova entrada excelente para quem deseja iniciar na franquia. As cutscenes são bonitas, há liberdade para completar os níveis na ordem desejada e os reinos são tão frenéticos e divertidos que, mesmo fracassando inúmeras vezes, a experiência continua envolvente.

Entretanto, a direção artística aposta em algo mais industrial, o que faz com que os níveis sejam visualmente muito parecidos, tornando-os um pouco repetitivos. Além disso, a câmera não foi totalmente adaptada ainda para o 3D, o que faz com que ela às vezes atrapalhe a enxergar algumas armadilhas, gerando certa frustração, e os chefes, embora visualmente interessantes, não foram bem explorados.

Prós:

  • Jogabilidade frenética e difícil na medida certa;
  • Os percursos são ligeiros e desafiadores, com muitas armadilhas para testar os reflexos dos jogadores;
  • A perspectiva em 3D entrega uma liberdade maior nos níveis;
  • A possibilidade de escolher a ordem em que se faz as fases torna o jogo mais acessível a um público iniciante;
  • Os Mundos Sombrios oferecem um nível de dificuldade perfeito para veteranos;
  • Vasta variedade de personagens desbloqueáveis;
  • Cutscenes muito bonitas.

Contras:

  • Em algumas ocasiões, a câmera atrapalha a enxergar os cenários;
  • Embora as fases sejam desafiadoras, seus visuais deixaram a desejar na transição do 2D para o 3D, o que consequentemente as torna desinteressantes a longo prazo;
  • Os chefes são visualmente chamativos, mas não são desafiadores e não exploram bem todas as mecânicas disponíveis.
Super Meat Boy 3D — PS5/PC/XSX/SWITCH 2— Nota: 7.5
Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Headup Games
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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