Análise: Sea of Stars chega aos smartphones com sua bela, divertida e grandiosa aventura no melhor estilo RPG

Com visuais muito bonitos e uma jogabilidade envolvente, o game entrega uma experiência de alta qualidade, não importa o dispositivo.

em 14/04/2026
Nos últimos anos, smartphones e tablets se tornaram dispositivos bastante utilizados para curtir jogos eletrônicos. A popularização é tanta que volta e meia temos versões para dispositivos móveis de títulos de PC e consoles. Sea of Stars é o mais novo lançamento desse tipo, chegando com toda a sua qualidade nas telas de bolso. Vamos conferir um pouco sobre esse ótimo título em uma análise que poderia ter sido escrita nas estrelas.

Para novos públicos

Lançado originalmente em agosto de 2023, Sea of Stars foi um verdadeiro sucesso, com direito a prêmio de melhor jogo indie do The Game Awards. Sua proposta repleta de charme, belos visuais e jogabilidade envolvente agradou aos fãs de RPG, sobretudo aqueles que curtem uma pegada mais clássica. Agora, é a vez dos smartphones terem a oportunidade de conhecer esse ótimo título.
O “novo” lançamento chegou em 7 de abril para dispositivos Android e iOS, adaptando os comandos para as telas de toque. Esta não é a versão mais completa do game, visto que o DLC gratuito Throes of the Watchmaker e o modo cooperativo do original ficaram de fora. Embora seja possível que eles cheguem no futuro, não existem indicativos por parte dos produtores quanto a atualizações nesse sentido.
 
Não que o conteúdo original seja insuficiente: pelo contrário, pois Sea of Stars tem uma aventura rica e divertida. Ela tem como protagonistas os Guerreiros do Solstício, grupo responsável por enfrentar os chamados Residentes. Esses monstros foram criados pelo alquimista Fleshmancer, atualmente desaparecido, e só podem ser enfrentados por magias do Sol e da Lua.
É aí que entram os herois principais: o guerreiro Zane e a monja Valere. Enquanto o primeiro usa habilidades do Sol, a segunda da Lua, se tornando candidatos para a nova geração de Guerreiros do Solstício. Após muitos anos de treinamento, a dupla recebe sua primeira missão: derrotar um perigoso Residente durante um eclipse. Acompanhados de seu amigo Garl, eles partem numa emocionante aventura.
Os diálogos são bem interessantes, tornando sempre divertido conhecer mais do universo do game. Confesso que esperava mais personalidade por parte dos protagonistas, que perdem nesse sentido para todos os demais personagens. Isso não chega a prejudicar o enredo, que se desenrola num ritmo adequado.  

Inovação e tradição

Sea of Stars tem uma campanha com progressão relativamente linear, temperadas com algumas missões e atividades secundárias. Os mapas são sempre construídos e apresentados de forma competente e bonita, repletos de pequenos e grandes segredos. Vários deles exigem backtracking, mas investigar os cenários atrás de surpresas sempre vale a pena.
Aliás, o game como um todo é belo, dos cenários e personagens a cutscenes e golpes especiais. O trabalho no áudio também é ótimo, com destaque para as belas canções. Em termos de jogabilidade, ações como correr, escalar, saltar e nadar são fáceis de executar durante as explorações. O destaque, entretanto, vai para os combates por turnos com reforços em tempo real. Ou seja, é possível fortalecer suas habilidades ou enfraquecer os ataques inimigos ao acertar comandos no tempo certo.
Outra mecânica inclui a Mana Vital, um recurso que surge após disparar ataques físicos nos inimigos. Ele pode ser coletado para fortalecer os próximos ataques; já os Combos são habilidades poderosas executadas em equipe. Inimigos por vezes têm mostradores que permitem ao jogador reduzir (ou até neutralizar) o dano dos adversários ao disparar determinados tipos de golpes.
Além de serem divertidos de utilizar, acredite em mim quando digo que é muito necessário usar todos esses recursos. Sea of Stars tem um nível de dificuldade justo, porém muito exigente, tornando essencial o uso de todas as ferramentas à disposição. Por exemplo, vilões causam dano considerável se não for reduzido, enquanto a quantidade de pontos de magia (e a sua velocidade de recuperação) é modesta. Eles são recuperados ao usar golpes físicos, exigindo cadência na utilização.
Mais um ponto importante é que o progresso dos personagens é relativamente lento. Derrotar inimigos não gera muitos pontos de experiência, o que pode tornar lento o processo de “farmar” níveis. Isso também agrava uma leve demora no surgimento de novos golpes e habilidades, que podem se tornar meio repetitivos com o tempo.

Desempenho com qualidade

Essas críticas, entretanto, são mais em nível de detalhes do que de visão geral. Sea of Stars tem combates divertidos e equilibrados, com mecânicas sólidas e funcionais. Inclusive, a opção “Relíquias” permite customizar as partidas com várias opções interessantes: curar o grupo após combates, dobrar os pontos de vida máximos, entre outras. Somada a escolha do nível de dificuldade, o game se torna mais acessível para todos os públicos.
Só acredito que faltou mais um pouquinho para os combates e a progressão serem incríveis, tal como a produção audiovisual. As animações suaves ilustram com maestria o universo rico e original do título, repleto de paisagens legais. Efeitos de iluminação, texturas e outros elementos são bem apresentados, seja em florestas, montanhas, cidades, entre outras localidades.
Esse esmero também se reflete em quebra-cabeças interessantes, um generoso sistema de cozinha com vários tipos de ingredientes, minigame de pescaria, entre outras atrações. A localização para o português brasileiro é mais um ponto de boa qualidade, tornando simples acompanhar a história, seja qual for a sua preferência de idioma. Mesmo numa tela pequena, ler as informações e os diálogos é uma tarefa tranquila.
Falando nisso, o game rodou de forma suave o tempo todo e não foi prejudicado pelos comandos de toque ou tamanho da tela. Isso torna o título uma boa pedida para passar o tempo no ônibus ou numa fila, jogando sem sustos no celular. Prepare-se para um enredo com muitos acontecimentos e reviravoltas, digno dos melhores RPGs.

Céu estrelado e brilhante

Um dos grandes destaques de 2023, Sea of Stars continua sendo um ótimo RPG. Dentre as suas qualidades, temos uma história envolvente, produção de primeira e jogabilidade sólida. A adaptação para os smartphones é praticamente impecável, tornando esta versão tão boa quanto as demais para viver uma grande aventura. Seja você um jogador veterano ou (principalmente) novato, esta é uma sugestão muito recomendada para a tua biblioteca mobile.

Prós

  • RPG de alta qualidade traz um pacote bastante completo para ser curtido nos smartphones;
  • Ótima produção audiovisual mesmo nas telinhas, incluindo cenários e personagens até animações e combates;
  • Jogabilidade por toques funciona muito bem no smartphone, incluindo exploração e combates;
  • História traz uma narrativa interessante e com boa dose de eventos e reviravoltas;
  • Ambientação do game é bonita, dando vida a cada nova missão ou localidade;
  • Boa quantidade de atrações para curtir além da campanha, bem como opções para customizar a experiência durante a jogatina.

Contras

  • Ritmo lento de crescimento e variedade dos personagens, que demoram a se renovar em termos de novos golpes, habilidades e companheiros;
  • Os dois protagonistas poderiam ser mais carismáticos durante os diálogos e cenas principais do game;
  • Faltaram alguns conteúdos da versão original e não há previsão de chegada.
Sea of Stars — Android/iOS/PC/PS4/PS5/XBO/XSX — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: iOS
Revisão: Thomaz Farias
Análise redigida com cópia digital cedida pela Sabotage Studio
OpenCritic
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Matheus Senna de Oliveira
é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
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