Rivals of Aether II chega como a sequência de um dos platform fighters mais bem-sucedidos do cenário indie, pegando uma base já consolidada e levando ela adiante com novas ideias. A inspiração em Super Smash Bros. continua evidente, com uma jogabilidade acessível à primeira vista e cheia de camadas para quem decide se aprofundar. Além disso, a transição para gráficos 3D e a introdução de mecânicas inéditas na série mostram uma tentativa de evolução, reforçada por atualizações frequentes. Ainda assim, o foco no ambiente competitivo e no online acaba deixando pouco espaço para experiências solo mais robustas.
Entre plataformas, impactos e lançamentos
Nos embates de Rivals of Aether II, o objetivo não é esgotar uma barra de vida, e sim lançar os oponentes para fora da arena. Cada golpe aumenta a porcentagem de dano, fazendo com que os personagens sejam arremessados cada vez mais longe. Os ataques se dividem entre normais e especiais, variando conforme a direção aplicada no controle. Em relação ao jogo anterior, há uma expansão nas opções defensivas e de movimentação, com a inclusão de escudos e a possibilidade de se agarrar nas bordas dos cenários.O estilo da jogabilidade equilibra acessibilidade e profundidade. Os especiais são fáceis de executar, permitindo que rapidamente se entenda o básico o funcionamento básico. Ao mesmo tempo, há uma série de técnicas avançadas voltadas para o ambiente competitivo, como wavedash e crouch cancel, que exigem precisão e prática. Essa combinação faz com que diferentes perfis encontrem espaço, seja em partidas mais descontraídas ou em confrontos técnicos.
As disputas comportam até quatro participantes simultaneamente, com regras que variam entre tempo e número de vidas. Visualmente, o jogo abandona o pixel art e adota modelos 3D com estilo cel-shading. Parte do charme original acaba ficando para trás, embora o novo visual traga fluidez e clareza, mantendo o carisma de cada lutador antropomórfico. A trilha sonora acompanha esse ritmo, resgatando temas conhecidos e expandindo-os com composições marcantes.
Em embates repletos de movimento, técnica e descoberta
Rivals II mistura simplicidade e complexidade para criar uma experiência de luta ágil e envolvente. Os confrontos acontecem em ritmo acelerado, com personagens se deslocando rapidamente pelo cenário enquanto executam sequências de golpes e tentam manter o controle da arena. Isso mantém as partidas dinâmicas e imprevisíveis.A variedade de estilos entre os lutadores chama atenção. Zetterburn aposta em ataques que deixam adversários em chamas, Orcane manipula água para fortalecer golpes e se reposicionar, enquanto Clairen utiliza uma espada de energia para atacar, defender e atingir à distância. Em outro extremo, há personagens com mecânicas mais elaboradas, como Maypul, cuja mobilidade se baseia em marcar inimigos; Slade, que gera moedas usadas para comprar melhorias temporárias; e Galvan, que espalha dispositivos pelo cenário, ampliando as possibilidades ofensivas.
Mesmo sem compreender totalmente cada habilidade, experimentar o elenco já se mostra interessante, já que há sempre algo novo acontecendo em cada confronto — parte da diversão está justamente em entender as possibilidades para montar jogadas impressionantes. Conforme as particularidades de cada lutador se tornam mais familiares, o jogo revela um nível mais técnico, no qual decisões e execução passam a ter maior impacto no resultado das partidas.
As novas mecânicas também alteram o ritmo das disputas. O escudo e a possibilidade de se recuperar pelas beiradas introduzem mais opções defensivas, tornando os confrontos um pouco menos agressivos em determinados momentos. Ainda assim, a essência permanece acelerada, e a adaptação acontece de forma relativamente natural após algumas partidas. Para quem se aprofunda, técnicas avançadas como wavedash e dash dance apresentam execução mais acessível, permitindo alcançar níveis mais altos de desempenho sem depender tanto de controles específicos.
Entre a competição ferrenha online e o caos local
Rivals II direciona grande parte de sua proposta ao ambiente competitivo, especialmente no online. As partidas contam com netcode rollback, garantindo fluidez durante os confrontos. No entanto, encontrar oponentes fora do modo ranqueado se mostra difícil por causa do número de jogadores limitado, o que acaba levando a convidar amigos ou combinar partidas por comunidades ou ferramentas externas, como Discord.O ambiente ranqueado apresenta um nível elevado, mesmo nas opções voltadas para iniciantes. Não sou expert no jogo, mas, mesmo escolhendo o nível mais baixo, fui destruído em partidas nas quais mal consegui me mexer. A curva de aprendizado reforça essa sensação: o jogo não oferece tutoriais ou explicações detalhadas sobre os personagens. Existem links para guias externos, só que eles não suprem essa ausência.
Para competir de forma minimamente equilibrada no online, é preciso recorrer a vídeos e wikis. Isso acaba ficando abaixo do que o jogo anterior oferecia, que trazia instruções mais completas. O resultado é um ambiente que exige treino e dedicação constante, podendo afastar quem busca algo mais imediato. Mas aqueles que gostam do ambiente competitivo encontrarão uma comunidade de alto nível aqui.
Apesar disso, o multiplayer local se destaca de forma muito positiva. Joguei inúmeras partidas com amigos localmente e é muito divertido explorar os personagens enquanto tentamos sobreviver ao caos nas partidas — o misto entre bagunça imprevisível e mecânicas densas mistura bem o caos de party game com a profundidade de um jogo de luta. Particularmente, recomendo o título para encontros presenciais com amigos.
Em um universo de possibilidades reduzidas
Fora do online e do multiplayer, o jogo se revela bastante limitado no conteúdo solo: as opções se resumem a treinamento, lutas contra o CPU, um modo arcade simples e a uma modalidade de quebrar alvos. Há planos para expansão, como um modo história, porém sem previsão definida. Em comparação com o jogo anterior, que tinha vários modos interessantes, essa ausência pesa na experiência como um todo. Para quem não se interessa pelo online ou multiplayer, Rivals II não é uma opção interessante.Todos os personagens e arenas estão disponíveis desde o início. Os elementos desbloqueáveis ficam restritos a itens cosméticos, como skins e paletas de cores, que podem ser adquiridos com dinheiro real ou liberados com progresso dentro do jogo. A alternativa gratuita envolve um ritmo de obtenção lento, exigindo um longo tempo de dedicação para obter as recompensas. A decisão de monetização para um jogo pago gera discussões até hoje, apesar de se tratar de uma escolha opcional e sem impacto na jogabilidade.
Atualizações recentes indicam uma tentativa de equilibrar melhor a proposta do jogo. Em abril de 2026, foram adicionados elementos voltados para partidas casuais, como itens variados (minas, armadilhas congelantes e tornados), além de estágios dinâmicos com perigos constantes. Essas novidades ampliam as possibilidades e tornam o multiplayer mais imprevisível e descontraído. O jogo também segue recebendo novos lutadores e conteúdos gratuitos, além do suporte à Oficina Steam, que abre espaço para criações da comunidade e amplia ainda mais o potencial de expansão.
Um confronto consistente e com espaço para alcançar novos patamares
Rivals of Aether II apresenta uma base muito consistente, com combates rápidos, variedade de personagens e mecânicas que funcionam bem tanto em partidas casuais quanto em níveis mais técnicos. Ao mesmo tempo, o foco quase total no competitivo e a falta de conteúdo solo deixam lacunas importantes, principalmente para quem não pretende se dedicar ao online. Ainda assim, nas partidas locais, a experiência se transforma completamente — é fácil se envolver e se divertir com o caos das lutas.No estado atual, é um jogo que já entrega bons momentos, mas que ainda parece estar em processo de crescimento. Para quem gosta de aprender, testar limites e evoluir aos poucos, há muito valor aqui. Para os demais, talvez valha a pena acompanhar essa evolução mais de perto antes de mergulhar de vez.
Prós
- Combate rápido, fluido e satisfatório;
- Mecânicas acessíveis e profundas ao mesmo tempo agradam diferentes perfis de jogadores;
- Grande variedade de personagens com estilos de luta distintos;
- Atualizações constantes expandem as possibilidades de jogo.
Contras
- Pouco conteúdo para jogar sozinho;
- Curva de aprendizado alta e com poucos tutoriais;
- Ambiente online pouco acessível para iniciantes.
Rivals of Aether II — PC — Nota: 8.0
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela offbrand games
Análise produzida com cópia digital cedida pela offbrand games












