Desenvolvido pela SIGONO INC. e distribuído pela SHUEISHA GAMES, OPUS: Prism Peak é um jogo de aventura focado em narrativa e exploração. O título utiliza a fotografia como sua mecânica central para contar a história de Eugene, um homem que está passando por um processo de luto e refletindo sobre os erros do passado. Embora se destaque por uma direção de arte belíssima e um enredo emocionante, o jogo esbarra na falta de localização para o português brasileiro e em problemas pontuais na sua exploração.
O que faz uma boa fotografia?
Essa foi a pergunta que Eugene, aos cinco anos, fez ao seu avô enquanto ele o ensinava a usar uma câmera fotográfica. A paixão pelas fotos levou o garoto a trabalhar com fotografia, tanto como jornalista quanto abrindo seu próprio negócio, um café com temática de fotos. E tudo parecia correr bem, apesar das diversidades da vida. Hoje, com 40 anos, Eugene encontra-se triste rumo ao velório de seu avô. Divorciado e sem sua câmera, que vendeu para poder pagar o aluguel, ele começa a refletir sobre suas decisões da vida enquanto dirige em uma rodovia.
Nesse momento, uma estranha névoa aparece e, ao entrar em um túnel, o carro bate em uma misteriosa estátua de madeira que apareceu do nada. Explorando o local, Eugene encontra Ren, uma garota que estava quase se afogando em uma gosma preta e, ao salvá-la, esse material começa a avançar para cima dos dois. Na fuga, ambos conseguem se salvar e acordam em um mundo diferente do real, no meio de montanhas e criaturas mágicas, local onde vive a garota.
Para conseguirmos voltar para casa, nossa missão passa a ser levar Ren para casa, localizada no topo da montanha mais alta. Para isso, temos em posse uma câmera fotográfica comum, que devemos utilizar para resolver conflitos e puzzles que encontramos pelo caminho. O trabalho de ambientação desse mundo é espetacular, com cenários coloridos e bem detalhados, que ajudam a contar a história do local, principalmente pela presença de estruturas que mostram que humanos viviam ali.
Aliado a isso, esse mundo mágico ainda tem um ar de Estúdio Ghibli que me arrepiava quando começava alguma cutscene ou interação entre personagens. A mistura de inocência da garota com o mistério por trás de Eugene guiam a narrativa de forma impecável do início ao fim.
O único porém nesse contexto é a ausência de tradução para português brasileiro. Sendo um jogo essencialmente narrativo e com muita informação escrita, o jogador depende totalmente de um bom domínio de alguma língua estrangeira para avançar no jogo. Isso se dá pela necessidade de interpretar muitas informações que são fundamentais para os diálogos que possuem escolhas, as quais nos levam para seus finais diferentes.
A foto como base de gameplay
OPUS: Prism Peak é um jogo narrativo que traz a fotografia não apenas como temática, mas como sua principal mecânica de gameplay. Controlando Eugene, podemos andar pelos seus pequenos cenários para encontrar pontos de interesse ao interagir com elementos ali presentes. À medida que exploramos, vamos descobrindo junto com Eugene e Ren os mistérios por trás de suas histórias e como aquele mundo chegou ao estado de destruição atual.
A câmera fotográfica tem um papel fundamental nesse entendimento: ao fotografar objetos, recebemos descrições que nos ajudam a situar o contexto da história. Além disso, as fotos funcionam como uma “leitura da alma”, sendo essenciais para lidar com as criaturas mágicas que encontramos, as quais muitas vezes estão perdidas em meio a sentimentos conturbados. Uma vez que ligamos os pontos mais importantes de um cenário, a campanha segue seu rumo para o próximo capítulo.
Todas as informações relevantes são registradas em um caderno que podemos consultar a qualquer momento. Além das fotos, fazemos anotações com base no que vimos e lemos, escolhendo entre as opções que nos são apresentadas. No fim, apenas uma está correta e embora seja possível completar as lacunas por tentativa e erro gastando sementes que coletamos nos caminhos, quebrar a cabeça para preencher o caderno de forma correta é uma atividade muito imersiva.
Tirar fotos se tornou minha atividade favorita na campanha, especialmente por ser a principal mecânica para descobrir mais sobre aquele mundo. Os cenários são tão bem feitos que eu frequentemente pegava a câmera apenas para registrar as paisagens, o que tornava a experiência ainda mais divertida. Essa imersão é reforçada pelo desenvolvimento pessoal de Eugene através de sua paixão, transformando a relação com Ren, que começa como uma obrigação para voltar para casa, em uma bela reflexão sobre a vida.
Para mim, a maior virtude de Prism Peak é conseguir equilibrar o ritmo da narrativa com a exploração, deixando o jogo menos maçante. Por ser um jogo com muito texto e que exige atenção constante aos detalhes, seria fácil a experiência se tornar cansativa ou me sentir perdido em meio a tanta informação, mas o título consegue evitar esse desgaste.
Isso me fez lembrar de OPUS: Echo of Starsong, jogo da série que analisei em 2021. É perceptível como a SIGONO evoluiu na forma de contar histórias e mesclá-las com a exploração. Enquanto o anterior seguia um estilo de visual novel mais tradicional, o que por vezes era bem cansativo, Prism Peak amadurece conceitos que já eram incluídos ali e entrega uma estrutura muito mais dinâmica e imersiva.
Por fim, vale destacar rapidamente alguns problemas na exploração, principalmente quanto à movimentação de Eugene. O protagonista se move de forma lenta e um pouco robótica, o que deixa os movimentos de vai e vem um pouco cansativos. Além disso, ficar preso em elementos do cenário foi um problema comum, embora fosse fácil de contornar. Apesar disso, nenhum desses problemas chega a tirar o brilhantismo do jogo.
Brilhante e inesquecível
OPUS: Prism Peak é uma aventura acolhedora e viciante que utiliza de maneira criativa a fotografia para nos contar a história de Eugene e Ren. O uso da sua mecânica como forma de nos guiar pelos cenários e entender os acontecimentos é feito de maneira impecável, principalmente pela bela construção de suas paisagens. Infelizmente, como o jogo não está localizado para português, isso cria uma barreira muito grande para quem não tem um bom domínio do idioma. Mas caso isso não seja um problema, fica a recomendação de um jogo narrativo e emocionante para passar o tempo.
Prós
- A narrativa é profunda e o roteiro é bem escrito;
- A direção de arte é belíssima, contando com cenários coloridos e elaborados;
- Mecânica de fotografia perfeitamente integrada à progressão e aos puzzles;
- Ritmo equilibrado entre exploração e desenvolvimento da história.
Contras
- Ausência de localização para o português brasileiro;
- Movimentação do protagonista é lenta e por vezes, robótica;
- Pequenos problemas de colisão com elementos do cenário.
OPUS: Prism Peak — PC — Nota: 9.0
Revisão: Vitor Tibério
Análise feita com cópia digital cedida pela SHUEISHA GAMES










