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Análise: OPUS: Echo of Starsong (PC) é uma emocionante história de relacionamento e confiança

Apesar da simplicidade, este título proporciona muitas emoções em meio a uma galáxia hostil.


Em meio a um universo pós-guerra, a busca por dinheiro e poder tornou-se dominante em Thousand Peaks. OPUS: Echo of Starsong conta a história de Jun e Eda, dois jovens que tiveram seus caminhos cruzados por uma coincidência e que se envolvem em muitos problemas enquanto tentam cumprir seus objetivos. Prepare-se para conhecer um título emocionante que lhe apresentará uma mitologia interessante e a importância do relacionamento.

A guerra pelo poder

Em meio à descoberta de resquícios de uma antiga civilização no cinturão de asteroides do sistema solar de Thousand Peaks, um curioso material azul chamou a atenção dos mais diversos exploradores de todo o universo. Chamado de lumen, esse elemento é um produto das chamas de Ignis, Deus da Criação da mitologia Myria, e se tornou peça-chave da grande guerra que estava por vir.




Ao ser refinado, o lumen se torna um elemento estratégico na produção de energia e de combustível. Os mais diversos povos e empresas do universo se interessaram em obter e controlar a maior quantidade possível de lumen para garantir riquezas e prosperidade em suas terras. No entanto, a Guerra do Lumen, como ficou conhecida, tornou-se um dos mais violentos eventos já registrados no universo.

Após 20 anos de conflito, uma megacorporação conhecida como United Mining foi considerada vitoriosa. Porém, mesmo com o fim da guerra, pequenos conflitos ainda emergiram nos mais diversos cantos de Thousand Peaks, levando a explorações ilegais e pirataria. A criminalidade estava incontrolável e o universo se tornou perigoso para qualquer um.




Diante das circunstâncias, a United Mining foi obrigada a abrir mão de seus territórios e, através de regulamentações, exploradores puderam vir de todos os cantos do universo para encontrar lumen e ter a chance de alcançar as riquezas que tanto almejavam.

Jun, o nosso protagonista, é um desses exploradores. Exilado de seu povo, ele deseja descobrir novos asteroides para, assim, restaurar a dignidade perdida pelo seu clã. Em meio a tantos comerciantes de honestidade duvidosa, conhecemos Eda e Remi, duas viajantes que, assim como Jun, desbravam Thousand Peaks atrás de asteroides ainda não descobertos.




Um dos objetos mais valiosos entre os comerciantes é informação sobre coordenadas dos asteroides. No entanto, apenas isso não é o suficiente para a descoberta, sendo necessário uma bruxa para auxiliar os exploradores. Nesse universo, as bruxas são seres capazes de escutar e gravar os Starsongs, um misterioso som emitido nas profundezas dos asteroides, permitindo assim determinar sua localização exata.

Devido a essa característica, as bruxas se tornaram seres valiosos durante a guerra, sendo usadas como ferramentas para a localização de lumen. Nos dias atuais, uma tripulação sem uma delas se torna extremamente ineficiente na busca do material. Assim, após uma série de acontecimentos, Jun acaba se unindo a Eda e Remi nas explorações, tornando-se parceiros na busca de seus objetivos.




Uma obra de arte em um ambiente ameaçador

OPUS: Echo of Starsong é um jogo essencialmente narrativo, com alguns trechos de exploração e eventuais puzzles. Sua maior virtude está em apresentar um universo riquíssimo em informações, com uma mitologia bem construída e um ambiente pós-guerra crível. Ambientação esta que é enriquecida pela presença de vários documentos e diálogos acerca das antigas civilizações e povos presentes em Thousand Peaks que podem ser encontrados pelo jogador no decorrer de sua aventura..

Echo of Starsong é um jogo cujas informações nos são apresentadas basicamente na forma de texto, logo, o título não possui dublagem. Tal característica, entretanto, pode se tornar um agravante, visto que o jogo não está disponível em português, o que pode impedir uma boa parcela de jogadores de apreciar o título. Além disso, já que a força de Echo of Starsong reside, principalmente, em sua narrativa e no desenvolvimento de seus personagens, entender o texto se torna algo fundamental, pois há momentos específicos em que o jogador terá que fazer escolhas cujas consequências irão interferir na continuidade da história.




O desenvolvimento dos personagens ocorre através de frequentes flashbacks que contam o passado de cada um deles. Tais cenas possuem uma carga emocional muito forte e são fundamentais não apenas para preencher as lacunas da história, mas também para que o jogador possa desenvolver empatia por cada um dos tripulantes da nave.

No quesito artístico, Echo of Starsong compensa os gráficos simples com um direção de arte competente. As poucas cutscenes são engrandecidas com partículas brilhantes de lumen e cenários detalhados. Os asteroides que exploramos, mesmo que com pouca variedade, apresentam uma atmosfera intimidadora e divina. Nos demais trechos, temos imagens estáticas bem desenhadas que auxiliam no desenvolvimento da história. Porém, o ponto alto está nos efeitos sonoros: toda música e todo pequeno som que você escuta tem um propósito bem definido, seja para te assustar ou emocionar.



Um vasto universo para explorar

Ao obtermos coordenadas de um possível asteroide, podemos ir ao encontro dele para explorá-lo. Para isso, temos que nos movimentar de acordo com a quantidade de combustível disponível na nave. O mapa de Thousand Peaks é recheado de locais opcionais para visitar, onde podemos encontrar itens para upgrade da nave, colecionáveis, combustível ou até mesmo cidades com comerciantes.

Entre um caminho e outro, existe o risco de sermos abordados por naves desconhecidas, nunca sabendo se é uma enrascada ou não. Nestes momentos, é necessário fazer uma escolha que pode acarretar em confrontos, fugas ou coleta de itens valiosos, sendo necessário saber balancear a questão de risco e recompensa. Em meio a uma sistema repetitivo, esses encontros funcionam para tornar o desenvolvimento do jogo menos previsível.




Já nos asteroides, somos apresentados a trechos com uma exploração extremamente simples e linear. Os puzzles também não possuem muita variedade e se resumem a encontrar um determinado starsong para abrir portas. São partes com pouca variedade e quase nenhum desafio, servindo apenas para auxiliar o desenvolvimento da história.

Emoções à flor da pele

Echo of Starsong não irá te apresentar um sistema rebuscado de jogabilidade ou mecânicas diferenciadas. Ele vai te prender pela emoção e curiosidade. Como disse anteriormente, o jogo possui uma carga emocional muito grande, utilizando o passado dos personagens e seus relacionamentos para expor seus desejos e medos naquele mundo.




Não foram poucas as vezes em que senti um aperto no coração, que fiquei pensativo ou ameacei chorar. Echo of Starsong apela para o que há de mais triste no universo pós-guerra, desenvolvendo cenários de violência, abuso e maus tratos. No entanto, é na relação entre os tripulantes e seus parceiros que o jogo mostra como as amizades são fundamentais.

Mais do que um jogo para te desafiar, ele está aqui para te fazer refletir, para te entreter com uma boa história e apreciar uma obra diferenciada. Por não ser muito longo, os trechos de exploração repetitivos não interferem de forma tão negativa na experiência do jogador e isso permite que a história seja apreciada adequadamente.




Uma experiência singular

Apesar de seus problemas, OPUS: Echo of Starsong se destaca como um dos melhores jogos que experimentei em 2021. Ele te prende nos detalhes e te emociona a cada cutscene ou diálogo. O universo possui uma mitologia rica e detalhes realistas de um mundo onde todos estão procurando riquezas e poder. A tradução para português faz falta para incluir mais jogadores e seus sistemas são muito simples e repetitivos, podendo afastar quem procura desafio. Porém, isso não diminui a qualidade da obra, sendo uma recomendação para qualquer um que procura uma história para se emocionar.

Prós

  • Efeitos sonoros impecáveis, sendo a principal ferramenta de imersão;
  • Personagens carismáticos, com histórias interessantes e bem trabalhadas;
  • A ambientação é rica em detalhes e em efeitos de iluminação;
  • Forte carga emocional na relação entre os personagens.

Contras

  • Ausência de tradução para português;
  • Sistemas de exploração e puzzles simples e repetitivos.
OPUS: Echo of Starsong – PC – Nota: 9.0
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise produzida com cópia digital cedida pela SIGONO INC


Graduando em Engenharia Geológica pela UFOP, viciado em café, RPG e GeoGuessr. Não dispensa uma partida de CS:GO e normalmente está navegando sem rumo pelo Twitter.


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