Ariana and the Elder Codex nos coloca na pele de Ariana, uma bibliotecária que tem como função restaurar os Sete Códices dos Heróis, livros que guardam toda a magia do mundo, e que foram destruídos após um incidente misterioso. O jogo é um plataforma 2D de ação que foca na combinação de magias elementais para criar diferentes dinâmicas de combate e se mostra muito competente e criativo, principalmente nas batalhas contra os chefes. No entanto, o ritmo da aventura é bastante comprometido pelo excesso de diálogos, pela falta de tradução para o português e pela exploração monótona.
O fim da magia
Há 1.500 anos, uma figura mística concedeu a magia à humanidade por meio dos Quatro Códices Elementais: Fogo, Terra, Água e Ar. A partir desse conhecimento, os humanos aperfeiçoaram suas técnicas e desenvolveram três novos livros, chamados de Códices de Fenômenos, com poderes semelhantes aos originais. Juntos, eles formam os Sete Códices dos Heróis, guardados e protegidos em uma instalação conhecida como Biblioteca. No entanto, após um incidente misterioso, esses livros foram danificados, levando ao fim da magia no mundo.
Nesse contexto, o jogo nos coloca na pele de Ariana, uma bibliotecária habilidosa que tem a capacidade de restaurar os códices ao entrar em suas páginas. Nossa missão consiste em recuperar os poderes mágicos do mundo e descobrir quem está por trás do incidente. Ao longo da campanha, exploramos e vivemos as histórias escritas dentro dos livros, idéia refletida diretamente na direção de arte, com cenários e elementos de plataforma feitos em um estilo de ilustração semelhante a desenhos de livros.
Embora a arte seja bonita e os cenários apresentem boa variedade visual, o jogo acaba caindo em uma sensação de repetição. O level design pouco elaborado torna a aventura monótona em certos pontos. Por outro lado, a proposta de mostrar histórias paralelas dentro dos livros funciona bem para encorpar a experiência, já que a trama principal é, em geral, bastante básica. Durante a exploração, encontramos trechos de documentos que explicam diversos detalhes sobre o mundo e a construção dos códices.
O único porém é que o título não se encontra traduzido para o português brasileiro, o que compromete não apenas o entendimento dessas histórias, mas também o desenvolvimento da protagonista. Como boa parte das habilidades e dos itens possui descrições detalhadas sobre seus efeitos e condições, saber combinar o conjunto de poderes é parte fundamental da estratégia.
Além disso, a progressão é acompanhada por uma carga excessiva de diálogos e textos estáticos que, pela falta de animações, acabam deixando o ritmo da experiência bastante cansativo. Para quem não domina o idioma, essa combinação de textos longos e descrições técnicas pode transformar a jogatina em uma série de tentativas e erros frustrantes.
Combate elemental
Ariana and the Elder Codex segue a linha de um jogo de plataforma de ação 2D tradicional. De início, Ariana possui apenas ataques e magias básicas, mas, à medida que avançamos, coletamos recursos que permitem explorar melhor os poderes ensinados pelos livros. Ao derrotar os inimigos, eles liberam cristais para a compra de melhorias e experiência para evoluir atributos de ataque e especial. O equilíbrio do combate depende desse enfrentamento constante, já que ignorar as criaturas das fases para chegar logo ao chefe deixará o jogador completamente despreparado para a luta.
O grande destaque do sistema de combate é o conjunto de habilidades equipáveis. Há seis slots disponíveis, divididos em dois grupos que podemos alternar livremente. As magias seguem as temáticas elementais dos códices e variam entre ataques em área, golpes próximos ou de longo alcance e cura, por exemplo. Somado às magias, há uma grande variedade de itens que podemos equipar em Ariana para alterar seus atributos de ataque e magia, o que dá mais diversidade ao gameplay e permite uma customização mais profunda. Saber combinar esses elementos é fundamental, especialmente nas batalhas contra chefes, que exigem adaptação aos seus padrões de ataque e movimentação.
Esses chefes são o ponto alto da experiência, destacando-se pela criatividade visual e pelas dinâmicas de ataque que exigem domínio das mecânicas. Infelizmente, os inimigos comuns destoam bastante desse nível de cuidado, sendo genéricos e não oferecendo um desafio real. O momento mais desafiador nas fases são os danos nas páginas, representados como rasgos na tela, que nos obrigam a enfrentar ondas de inimigos em um intervalo de tempo. Apesar da tentativa de criar tensão, esses eventos tornam-se monótonos rapidamente pela facilidade, deixando esse sistema bem tedioso.
Embora o combate traga boas ideias na elaboração de estratégias, o jogo ainda esbarra em uma movimentação um tanto travada, sendo muito fácil ficar preso ou esbarrar em elementos do cenário durante os saltos. Os desafios de plataforma começam de forma simples, mas tornam-se mais interessantes ao longo da campanha, exigindo mais atenção do jogador conforme avançamos.
O jogo também possui elementos de metroidvania, permitindo que Ariana revisite códices antigos com novas habilidades para restaurá-los completamente. No entanto, esse retorno a cenários já conhecidos, somado ao level design pouco elaborado, acaba aumentando a sensação de repetição. No fim, a variedade de abordagens permitida pelas magias criativas e a qualidade das lutas contra os chefes garantem um saldo positivo, sendo uma boa pedida para quem procura um jogo de ação mais direto.
Criatividade limitada pelo ritmo
Ariana and the Elder Codex é uma experiência que se destaca por sua direção de arte e pela profundidade do sistema de magias, oferecendo batalhas contra chefes que realmente testam a estratégia do jogador. No entanto, o título exige paciência para lidar com uma movimentação, por vezes, travada, um excesso de diálogos e uma estrutura de exploração que se torna repetitiva. Para quem busca um jogo de ação com visual único e boas mecânicas de customização, o saldo é positivo, desde que esteja disposto a suportar a repetição e a monotonia em alguns momentos.
Prós
- A direção de arte é bem-feita, simulando ilustrações de livros;
- O sistema de magias elementais e a customização de itens permite diferentes abordagens de combate;
- As batalhas contra chefes são criativas e visualmente impactantes;
- As histórias dos livros ajudam a dar mais corpo à história principal.
Contras
- Ausência de localização para o português brasileiro;
- O level design é simples, e a exploração se torna repetitiva rapidamente;
- Os inimigos comuns são genéricos e não oferecem impacto real no desafio.
Ariana and the Elder Codex — PS5/PS4/Switch/PC — Nota: 7.0Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Mariana Marçal
Análise feita com cópia digital cedida pela Idea Factory International









