Análise: Tales of Berseria Remastered flerta com o desnecessário, apesar de bem-vindo

A remasterização do 16º jogo da franquia atende novos públicos e causa controvérsias para os que já tinham acesso à versão original.

em 22/03/2026

Originalmente lançado entre 2016 (no Japão) e 2017 (no Ocidente), Tales of Berseria quebrou expectativas ao abandonar o tom mais jovial e leve de aventuras anteriores para apostar em uma narrativa mais densa e sombria, com a vingança como tema central.

Em 2026, chegou ao mercado a versão remasterizada, Tales of Berseria Remastered. Assim como outros títulos da franquia — como Tales of Xillia Remastered e Tales of Graces f Remastered —, o jogo recebeu esse tipo de tratamento para manter a série ativa até a chegada de novos lançamentos. Resta a dúvida: faz sentido relançar um título relativamente recente em 2026? É o que vamos descobrir na análise a seguir.

Movida por vingança

Tales of Berseria tem como personagem central Velvet Crowe, uma protagonista que foge completamente do arquétipo clássico dos JRPGs e até mesmo de títulos anteriores da franquia. Antes uma devota aprendiz da arte do exorcismo — prática exercida por guerreiros imbuídos de poder divino para lutar contra demônios —, Velvet testemunha seu próprio mestre sacrificar seu irmão mais novo em um ritual. A partir desse momento, ela é consumida por um profundo desejo de vingança.

Na tentativa de salvar o irmão caçula, Laphicet, a jovem acaba amaldiçoada e se torna um tipo raro de demônio, uma therion, que precisa se alimentar de outros demônios para sobreviver. Após passar três longos anos presa em uma ilha-prisão, sobrevivendo ao consumir criaturas condenadas à morte, sua única motivação é se vingar de Artorius Collbrande. Agora líder da Abadia, ele comanda os exorcistas e é considerado um herói por causa do ritual proibido que realizou anos antes.


Esse contexto, por si só, já evidencia uma mudança no estilo que tradicionalmente guia a franquia Tales of. O jogador não assume o papel de um herói em busca de salvar o mundo por justiça ou esperança, mas acompanha alguém que frequentemente cruza limites éticos para alcançar seus objetivos.

Ao longo da narrativa, acompanhamos a evolução de Velvet, movida por um ódio que acaba contribuindo para um carisma singular. Durante a campanha, o roteiro provoca reflexões sobre o conceito de bem maior e questiona até que ponto a vingança pode ser justificada.


A jornada de Velvet e seu grupo passa por diversas regiões em busca de Artorius. São locais com diferentes culturas, costumes e influências, que enriquecem o mundo de Berseria e incentivam a exploração de cada vila, reino e bioma.

O sistema de combate, um dos diferenciais da série em relação a outros JRPGs, é um dos pilares da experiência. Assim como em outros títulos da franquia, as batalhas ocorrem em arenas contra um ou mais inimigos, utilizando um sistema de combos baseado nas habilidades dos personagens.

À medida que o jogador evolui, novos ataques são desbloqueados. Além disso, a técnica de Libertação de Almas permite executar golpes especiais e ampliar as sequências de combos. Dominar esse sistema é essencial para avançar sem grandes dificuldades. Trata-se de uma mecânica acessível e inicialmente envolvente, mas que pode se tornar repetitiva com o tempo.

Melhorias após nove anos

Contudo, diferentemente do que fizemos em 2017, o foco aqui não é o jogo original, mas sim o que a versão remasterizada de Tales of Berseria traz de relevante para justificar sua existência em 2026. Vamos começar pelas melhorias concretas desta nova edição.

Tales of Berseria Remastered está disponível em mais plataformas do que antes. Em 2017, o jogo foi lançado apenas para PlayStation 4 e PC. Agora, o remaster também chega ao PlayStation 5, Xbox Series e Nintendo Switch, além do PC. Há melhorias de desempenho, como tempos de carregamento mais rápidos, maior estabilidade na taxa de quadros e suporte a resoluções mais altas, alcançando até 4K nas plataformas mais robustas.
Comparação da versão original com a remasterizada. Fonte: Game Match Up (YouTube)
Graficamente, cabe até a piada clássica “da água para water”, mas, sendo bem direto, as mudanças são discretas. Fora pequenos avanços em iluminação e sombreamento, o remaster pode facilmente ser confundido com a versão original por olhos menos atentos. Em outras palavras, se o jogo já era bonito antes, continua visualmente agradável, sem grandes saltos técnicos.

As melhorias mais relevantes estão no conteúdo e na qualidade de vida. Tales of Berseria Remastered já inclui todo o conteúdo adicional lançado anteriormente, desde atualizações até DLCs — um monte de quinquilharia, permita-me dizer. Na prática, trata-se da edição definitiva, reunindo tudo o que foi adicionado ao jogo desde 2017. É possível, por exemplo, selecionar músicas de batalha de títulos anteriores, personalizar personagens com ornamentos e acessar diversos extras já conhecidos pelos fãs.


Outro destaque é a inclusão de modificadores logo no início do jogo. Esses ajustes permitem tornar a progressão mais acessível, algo comum em JRPGs modernos, seja para atrair novos jogadores ou para quem prefere uma jornada mais direta, sem depender tanto de grinding.

Entre as opções disponíveis, é possível aumentar a experiência e o dinheiro obtido, melhorar a navegação e a exploração, obter descontos em lojas e aprender novas habilidades com mais rapidez, entre outras facilidades. Para esta análise, confesso que utilizei esses recursos sem moderação — por puro capricho, vale dizer.

Há controvérsias

Diferentemente dos dois jogos anteriores da série que receberam remasterizações — oriundos de gerações mais antigas —, Tales of Berseria vem da geração passada (PS4). Por isso, a forma como esse relançamento foi conduzido poderia ter sido melhor executada, especialmente no PC, onde o jogo já estava disponível.

Uma alternativa mais interessante nessas plataformas poderia ter sido uma atualização paga ou um pacote de melhorias. Esse tipo de prática vem se tornando comum, como nos relançamentos de jogos do Nintendo Switch para seu sucessor, por exemplo.


Outro ponto relevante é que, em alguns casos, quando uma versão remasterizada é lançada, a edição original perde espaço. Há publishers que optam por encerrar a comercialização da versão anterior para dar mais visibilidade ao novo lançamento. Porém, até a data de publicação desta análise, esse não foi o caso de Tales of Berseria, visto que ambas as versões do título estão disponíveis para PC e a edição de PlayStation 4 ainda pode ser adquirida na PlayStation Store. Por outro lado, a chegada do jogo a plataformas onde ele ainda não existia, como Xbox e Nintendo Switch, faz mais sentido, já que, nesses casos, trata-se de uma experiência inédita para estes públicos.

De toda forma, o mais importante é que ainda há opções para quem deseja conhecer mais um título da série ou mesmo se introduzir neste universo. Pessoalmente, o maior atrativo do remaster está nas características que melhoram a qualidade de vida do jogo. Fora isso, a escolha depende do perfil de cada pessoa. Se melhorias de desempenho não fazem diferença para você, a versão original continua sendo uma alternativa válida — especialmente se a ideia for ignorar as diversas parafernalhas adicionais via DLC que, no remaster, já estão incluídas.


De toda forma, o mais importante é que ainda há opções para quem deseja conhecer mais um título da série ou mesmo se introduzir neste universo. Pessoalmente, o maior atrativo do remaster está na possibilidade de os donos de Switch e Xbox Series X|S experimentarem Tales of Berseria pela primeira vez. Fora isso, a escolha depende do perfil de cada jogador. Se melhorias de desempenho não fazem diferença para você, a versão original continua sendo uma alternativa válida — especialmente se a ideia for ignorar as diversas “parafernalhas” adicionais via DLC que, no remaster, já estão incluídas.

Ainda é um bom ponto de entrada para a série

No fim das contas, Tales of Berseria Remastered cumpre seu papel, mas sem grandes ambições. Trata-se de uma versão mais completa e acessível de um jogo que já era sólido em sua proposta, especialmente por trazer todo o conteúdo adicional lançado anteriormente, desde atualizações até DLCs.


Ainda assim, é difícil ignorar a sensação de que este relançamento poderia ter ido além. As melhorias técnicas são bem-vindas, mas discretas, e pouco impactam quem já teve contato com a versão original — sobretudo no PC e no PlayStation 4. Nesse sentido, o remaster parece mais relevante como uma porta de entrada para novos jogadores ou para quem nunca teve a oportunidade de experimentar o título em outras plataformas.

Por outro lado, a experiência de Tales of Berseria continua intacta. Sua narrativa mais sombria, personagens marcantes e proposta fora do padrão tradicional dos JRPGs ainda se destacam dentro da franquia, o que ajuda a sustentar o interesse mesmo anos após o lançamento original.

Assim, Tales of Berseria Remastered é uma recomendação fácil para novatos e uma opção conveniente para quem busca a edição definitiva. Já para veteranos, o retorno depende do quanto as melhorias realmente farão diferença na experiência do jogador.

Prós

  • Edição definitiva com todos os DLCs inclusos;
  • Melhorias de desempenho (carregamentos mais rápidos e maior estabilidade);
  • Disponível em mais plataformas, especialmente Xbox e Nintendo Switch;
  • Modificadores de progressão que aumentam a acessibilidade.

Contras

  • Melhorias gráficas pouco perceptíveis em relação à versão original;
  • Pouco atrativo para quem já jogou a versão original recentemente;
  • Ausência de novidades mais significativas além de qualidade de vida;
  • Modelo de relançamento questionável, especialmente no PC;
  • Sensação de ser um remaster “apressado” para manter a franquia ativa.
Tales of Berseria Remastered — PC/PS5/XSX/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PlayStation 5
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco Entertainment
OpenCritic
Siga o Blast nas Redes Sociais
Alexandre Galvão
Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).