Análise: Tales of Xillia Remastered é o retorno de um RPG de ação clássico do PS3

O relançamento traz um ótimo jogo de volta aos consoles modernos.

em 13/11/2025
Tales of Xillia Remastered
dá continuidade ao projeto de relançar títulos da franquia de RPGs de ação da Bandai Namco nos sistemas atuais, iniciado com Tales of Graces f Remastered. Com o lançamento futuro de Xillia 2 já anunciado, todas as obras da franquia disponíveis no PS3 (exceto, tecnicamente, Tales of Symphonia: Dawn of the New World) finalmente estarão disponíveis em plataformas modernas.

Dois protagonistas, uma história

Desenvolvido como uma espécie de obra comemorativa para os 15 anos da franquia, Tales of Xillia conta a história de dois protagonistas. De um lado, temos Jude Mathis, um jovem estudante de medicina que se mudou para a capital Fennmont; do outro, Milla Maxwell, um grande espírito em forma de garota, dedicado a garantir a harmonia em um mundo em que as duas espécies coexistem.

Os dois acabam se encontrando e investigam juntos um laboratório da capital, dando início a uma jornada para cumprir a missão de Milla e salvar o mundo. Conforme a história avança, mais personagens vão se juntando à equipe, e muitos detalhes sobre o mundo de Rieze Maxia vêm à tona.

Em vez de seguir uma estrutura simples, Tales of Xillia permite a escolha de um protagonista, alterando algumas cenas da história com base nisso. Embora uma parte grande da trama seja a mesma (o que deixa o processo de jogar ambas um pouco repetitivo), algumas informações e circunstâncias são apresentadas de forma mais direta quando estamos na visão de um deles.

De forma geral, uma das forças do jogo é a intriga da trama e a forma como todos os personagens principais possuem suas condições bem pessoais para se envolver com os conflitos. O mundo da história é bem interessante, e há várias missões e eventos secundários que ajudam a dar mais detalhes sobre ele, e até dar mais espaço para os personagens.

Uma batalha em que elos importam

Como a maior parte da franquia, Tales of Xillia é um RPG de ação, e o combate segue um estilo que remete a jogos de luta. Cabe ao jogador fortalecer sua equipe, ajustando a formação e as habilidades de cada membro disponível, conforme necessário. Para um personagem controlado diretamente, é necessário designar atalhos para os golpes, mas também é possível demandar que um aliado execute uma determinada ação ou usar itens em combate.

O principal elemento que diferencia Xillia dos outros jogos é a presença de um sistema de Links. A ideia é que dois personagens podem se vincular em batalha, adicionando, assim, efeitos secundários, como boosts de atributos, além da possibilidade de executar golpes conjuntos. Cada aliado conta com sua própria vantagem única, como a possibilidade de roubar itens ao derrubar um inimigo tendo Leia como parceira, ou quebrar a guarda do oponente com Alvin.

Já em termos da progressão dos personagens, além de equipamentos e do ganho de níveis nas batalhas, há um sistema chamado Lilium Orbs. Similar ao Sphere Grid de Final Fantasy X, a ideia dele é usar os pontos obtidos com o ganho de níveis para desbloquear vários benefícios, incluindo aumentos de atributos e habilidades passivas que variam por personagem.

De forma geral, tudo isso contribui para um sistema de combate bem robusto e interessante de explorar. Há muitos recursos para aproveitar, e as batalhas são bastante dinâmicas, com especial destaque para o uso de combos e algumas habilidades específicas, como o Snap Pivot do Jude, teleportando o personagem para trás do oponente ao desviar de ataques.

As adições do remaster

Em termos da remasterização em si, Tales of Xillia Remastered é um trabalho modesto, mas que não chega a ser ruim como o que havia sido feito com Symphonia anteriormente. Há alguns ajustes de qualidade de vida, como autosave, retry para batalhas comuns, uma opção de corrida muito mais rápida, indicações de itens no mapa e a opção de skip automático de eventos.

Outras adições incluem vários DLCs do original (embora não inclua os licenciados de outras franquias), opção de jogar com áudio em inglês ou japonês, legendas para os diálogos de combate, e a possibilidade de deixar a câmera um pouco mais distante para visualizar melhor os ambientes. A Grade Shop (loja voltada a ajustes de New Game+) também é liberada desde o início, com pontos para que o jogador acelere o crescimento dos personagens, e até “quebre” o jogo, se assim quiser.

No geral, embora haja algumas melhorias gráficas, o jogo tem um visual um pouco datado e, em alguns momentos, pode parecer borrado ou com menos visibilidade do que o ideal para certos elementos distantes. Mesmo em comparação com Graces f, os recursos de ajuste gráfico de Xillia são poucos no PC, tendo apenas as funcionalidades mais básicas (resolução, limite de fps, vsync, antialiasing e nível de detalhe dos modelos).

Um detalhe interessante é que, agora, temos indicações de todas as tarefas secundárias do jogo. Xillia é recheado de eventos de interação dos personagens, tendo inclusive vários momentos opcionais que podem ser perdidos completamente jogando de forma casual, e podem ver que eles estão no mapa é bastante útil.

Porém, só é possível olhar para isso dentro do escopo do mapa comum, não havendo indicação similar no mapa-múndi para além da tarefa principal. Com isso, esses eventos opcionais que possuem prazo de validade continuam sendo o tipo de coisa que justifica buscar um guia, para quem quer fazer tudo.

Um clássico de casa nova

Tales of Xillia Remastered é uma forma aceitável de revisitar uma obra clássica da franquia da Bandai Namco. Não se trata de um remaster de qualidade absurda, mas um trabalho básico, justo, para manter a obra acessível em uma nova geração, após mais de uma década preso no PS3.

Prós

  • Combate de ação empolgante, com um sistema de links;
  • Boa variedade de recursos para customização das builds dos personagens, com especial destaque para o Lilium Orbs e as habilidades passivas;
  • História interessante, com eventos opcionais que desenvolvem mais a fundo os relacionamentos entre os personagens e o mundo ao seu redor.

Contras

  • A ausência de indicações de que há tarefas novas ao abrir o mapa geral facilita a perda do conteúdo com tempo limitado de acesso no jogo;
  • Visualmente borrado em algumas cenas, e com pouquíssimos recursos de ajuste gráfico no PC;
  • No geral, trata-se de um remaster bem básico.

Tales of Xillia Remastered — PC/PS5/Switch/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco

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Ivanir Ignacchitti
é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.
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