ReStory: Chill Electronics Repairs (PC) pode ser classificado como um cozy game: o tipo de jogo que faz você cuidar de algo e simplesmente curtir aquela atividade, sem muito estresse. Neste papel, ReStory acerta em cheio: você é uma pessoa que cuida de uma loja de reparos de eletrônicos retrô, enquanto ouve lo-fi no rádio. Temos a nostalgia, que evoca sentimentos de conforto, aliada à ambientação com a trilha sonora, que dá um ar bem tranquilo ao gameplay.
Desmonta e remonta
A parte mais ativa do jogo, que é consertar os eletrônicos, é muito bacana: tiramos parafusos, removemos algumas partes, depois tiramos mais alguns parafusos e vamos tirando peça por peça e organizando na bancada de trabalho. Isso poderia parecer chato, caso não fosse com objetos que conhecemos. Dentre os eletrônicos consertáveis, estão versões do “Nokia tijolão”, Motorola Razr V3, Tamagotchi, PSP, PS1, console Atari e seu controle, além do clássico Walkman.
Quando um cliente aparece, ele pede que consertemos o eletrônico. Podemos ver quanto iremos ganhar pelo serviço, além de sabermos o que aconteceu para dar defeito. Ao desmontar o equipamento, há 3 estados em que cada peça pode estar: normal (funcional), suja (com poeira e/ou sujeira) ou danificada. Caso esteja normal, basta colocá-la na bancada para remontar. Se estiver suja, podemos usar um pincel para limpar. Agora, se estiver quebrada… é lixo! E é aí que o jogo fica interessante.
Em primeiro lugar, se a peça está quebrada, precisamos de substituição. Para isso, temos na nossa oficina um clássico computador branco que lembra bastante o Windows XP. Nele, podemos usar o “Gozilla Fairfox” para acessar sites onde podemos adquirir as peças. Temos 2 opções: comprar um produto usado, em uma espécie de eBay/OLX, ou comprar diretamente a peça no fornecedor.
Os produtos usados vêm com uma descrição do defeito do aparelho, por exemplo: “não carrega, parece que está cansado, como eu”. Uma pitada de humor, mas que também traz a informação de que talvez o problema possa ser só a bateria e o restante das peças podem estar boas. Muitas vezes, o valor do eletrônico inteiro pode ser mais barato do que apenas uma peça no fornecedor. Mas cabe a você decidir se vale a pena arriscar ou não.
Essa foi a parte mais divertida para mim, e acho que é aqui onde o jogo brilha. Comprando os usados, senti como se eu estivesse abrindo um booster pack, torcendo para que a peça que eu precisava estivesse boa, além das outras que poderiam ser úteis futuramente. Há também a opção de consertar eletrônicos usados e depois vendê-los por um excelente preço (mais caro do que consertar para clientes). Assim, é possível consertar também o eletrônico que você retirou a peça, para ganhar uns bons trocados.
Re… Story mesmo?
Toda essa dinâmica é apresentada por uma das coisas que o jogo promete: o aspecto narrativo. O primeiro personagem com quem temos contato é Hashimoto, o locador do estabelecimento, que nos cobra um aluguel semanal. Nosso primeiro serviço é em um celular que ele supostamente encontrou. Dentro do aparelho, encontramos um número escrito num papel, e decidimos contar ou não para ele. No meu caso, decidi contar, e ele disse que conhecia o número; mas, caso alguém me ligasse desse número, era melhor não atender. Além disso, ele nos alerta que devemos fechar antes da meia-noite, pois houve incidentes em lojas, com roubos.
Há outras conexões com a história que não vou aprofundar nesta análise de playtest, mas o que posso dizer é que fechar depois da meia-noite não gerou nenhum evento. Inclusive, ficar a noite inteira trabalhando não gera consequência alguma. Não é como em Stardew Valley, por exemplo, em que você pode desmaiar de sono e ter custos médicos ou ser assaltado. Pode ser algo que mude no lançamento.
Um dos personagens mais carismáticos certamente é o Bucket (ou Balde, em português). Ele mora em cima da loja, mas, como é muito tímido e não sai de casa, pede que consertemos os seus eletrônicos os mandando junto com recadinhos em um balde. Na primeira interação, ele nos dá 2 controles e pede que consertemos apenas um, se possível utilizando peças boas de um no outro. Assim, é ele quem nos ensina que podemos fazer isso com outros eletrônicos.
Entretanto, por mais carismático que o personagem possa ser, as interações com ele se limitam a explicar o motivo do conserto do controle (para um campeonato do qual vai participar) e a indicar que podemos adquirir licenças para consertar outros eletrônicos.
Dessa forma, senti que os personagens estão mais presentes para ensinar aspectos de gameplay do que, necessariamente, construir narrativas que nos envolvam. É uma excelente forma de tutorial, mas foge do que a página do jogo diz quando se refere: “Fale com clientes, ouça suas histórias, e veja como as suas escolhas influenciam na vida deles e em sua loja”. Esperei algo mais próximo de Coffee Talk, mas a expectativa foi frustrada durante esse playtest.
Além disso, caso o jogo não aprofunde seus potenciais aspectos narrativos, há uma grande chance de se tornar repetitivo, sem muito objetivo. Se a gameplay fosse algo mais próximo do tycoon, talvez se sustentasse. Mas acredito que não seja o caso, já que o game leva “Story” no nome. O foco parece mesmo ser mais narrativo, e esperamos que isso seja desenvolvido melhor na sua versão final.
Cadê os eletrônicos da Big N?
Um último comentário sobre expectativas frustradas: infelizmente, no playtest não tivemos acesso a nenhum eletrônico da Nintendo, apesar da capa do jogo mostrar o que parece ser um 3DS. Super Nintendo? Game Boy? Nada. Talvez seja uma estratégia para evitar algum tipo de violação de propriedade da empresa antes do lançamento, que é bastante conhecida por ser rígida quando o assunto é esse.
Ainda assim, a única marca licenciada do game é a Atari. Temos os nomes originais dos controles e do console, diferentemente das outras, que precisam de adaptações: Sony vira Nony, Nokia vira Pokia e Motorola vira Autorolla. Sinceramente, não entendi por que a Nintendo não poderia passar pelo mesmo processo. Mas é compreensível.
Nostalgia só pra galera do PC?
Previsto para ser lançado ainda em 2026, ReStory: Chill Electronics Repairs não tem previsão para chegar aos consoles, como PS5, XSX ou Switch. O Steam Deck e outros PCs portáteis podem rodar o game através da compatibilidade com o Steam Input, que traduz comandos de teclado e mouse para controles.
Mesmo que seja jogado apenas com o mouse, o jogo tem potencial para usar o recurso de touchpad do Steam Deck e também o modo mouse dos Joy-Cons 2 , do Swich 2. Uma compatibilidade com controles convencionais ainda não foi divulgada
Até breve… com histórias, por favor!
O playtest de ReStory finaliza removendo a interação com os clientes. Mas quem ainda quiser jogar pode continuar recebendo alguns poucos serviços pela internet e também comprando eletrônicos usados para restaurar.
Claramente, ainda falta muita coisa para lapidar no game, mas, para mim, já valeu a diversão pelo tempo que passei jogando. E você? Chegou a testar ReStory: Chill Electronics Repairs? Não esqueça de contar aqui embaixo nos comentários o que você achou também. Grande abraço e até a próxima!
Revisão: Mariana Marçal
Texto de impressões produzido com demo gratuita disponibilizada no Steam








