Hands-on: WWE 2K26 se aproxima mais do espetáculo real com melhorias sutis

Gameplay mais fluida rouba a cena em WWE 2K26.

em 23/02/2026
A convite da 2K, participamos da Creator Fest na nova (e belíssima) sede da WWE, em Stamford, ao lado de jornalistas e criadores de conteúdo de diversos cantos do mundo para testar, em primeira mão, o novo WWE 2K26 e contar nossas impressões sobre a nova edição do jogo, que chega em 13 de março para consoles e PC.

O universo de WWE e os jogos WWE 2K

Para quem não é familiar com o tema, WWE é a maior organização de luta livre profissional americana, e, para que fique claro, existe todo um trabalho de roteiristas e mentes criativas por trás dos eventos, desenvolvendo os lutadores e criando narrativas que promovem combates espetaculares e cativam um público cada vez maior. Apesar de contar uma história já estruturada, o contato físico dos lutadores no ringue é real e as lutas podem se tornar brutais facilmente, exigindo diferentes técnicas de combate, além de extremo condicionamento físico e resistência. 

Os jogos, por sua vez, expandem esse universo de espetáculo e trazem a possibilidade de o jogador usar a criatividade para organizar os mais variados combates; entre diferentes tipos de lutas e/ou estrelas de eras distintas que nunca se enfrentaram na vida real, por exemplo. Alguns modos de jogo permitem mais liberdade de construir narrativas próprias como o modo carreira MyRise ou viver uma narrativa preestabelecida, como no modo Showcase; além dos variados modos de luta “tradicionais” dos quais é necessário apenas vencer o combate seguindo a dinâmica do modo escolhido. 

Quanto mais conteúdo, mais liberdade criativa o jogador tem e, por consequência, mais valioso se torna o fator replay. Aparentemente é com essa estratégia que a nova edição busca agradar os fãs e aumentar sua base de jogadores cativos. Inclusive a ideia de trocar o modelo tradicional de DLC para o Ringside Pass corrobora para esse pensamento de longevidade do jogo.

As novidades de WWE 2K26


Para avaliarmos o novo título, é importante levar em consideração a base sólida da franquia e todos os títulos que vieram anteriormente, acumulando conteúdo e aperfeiçoando a fórmula dos jogos de wrestling. E, aqui a estratégia é exatamente a mesma, mas, diferente de outros jogos de esporte que precisam se manter minimamente alinhados com a realidade, em WWE o time criativo tem mais flexibilidade para explorar conteúdos mais exagerados em favor de uma experiência mais divertida, como, por exemplo, o retorno das tachinhas como arma no jogo, item que foi proibido nas lutas reais.

Nesse aspecto nosso teste buscou destacar especialmente os quatro novos modos de jogo, o MyRise e o modo Showcase, que nessa edição é protagonizado e narrado por CM Punk (que também estampa a capa da versão Standard do jogo), além de melhorias pontuais de gameplay. Mas é importante citar que o título trará ainda mais conteúdo que não exploramos nesse primeiro contato e que poderão ser abordados em uma futura análise completa.

Novos modos de jogo

  • Inferno - Os adversários devem lutar até que o “termômetro” na tela atinja a temperatura máxima, com grandes chamas ao redor do ringue. Para vencer é necessário jogar ou pressionar o adversário contra as chamas em nível máximo. O impacto visual e a interação das chamas deixam o combate muito intenso e divertido.
  • Three Stages of Hell - O jogador seleciona três diferentes modos de jogo que serão executados em sequência direta, cada um com seu respectivo vencedor. Nesse caso vence o lutador com maior número de vitórias. Esse modo pode parecer cansativo e longo, mas é importante pontuar que os lutadores carregam o vigor das lutas anteriores; ou seja, caso a primeira partida seja demorada e brutal, os lutadores já começam a próxima em desvantagem, o que torna a dinâmica das lutas muito interessante e com possibilidade de reviravoltas marcantes.
  • I Quit - É preciso finalizar o adversário de modo que ele diga “I quit!”, que no joystick tradicional é feito por meio de um minigame de apertar o botão indicado no marcador correto. O lutador que está finalizando pode também pressionar botões para dificultar a resistência do adversário, diminuindo a margem do marcador.
  • Dumpster - Para ganhar, o lutador deve prender o adversário em uma grande lixeira que fica ao lado do ringue, custe o que custar.

Durante os testes, meus favoritos foram Inferno e Three Stages of Hell, que trazem dinâmicas mais interessantes e divertidas à tradicional pancadaria do gênero. Já I Quit e Dumpster soaram como variações mais genéricas de modos já existentes e não me cativaram no primeiro contato. Imagino que funcionem melhor no multiplayer local, acompanhados de uma boa dose de provocação entre os jogadores.

No evento, houve uma pequena disputa no modo Three Stages of Hell que precisou ser decidida na última rodada após um empate. A reação do público acompanhando foi similar à de uma luta real, onde pequenos erros e acertos definem o resultado e todos vibram com cada golpe, valorizando o aspecto performático das lutas.

MyRise

A campanha do jogo continua com um formato muito parecido com o título anterior, em que o jogador cria um lutador ou uma lutadora que está retornando aos ringues e precisa crescer e conquistar seu espaço, ganhando lutas e tomando decisões importantes para alavancar sua carreira, atraindo nomes conhecidos como aliados e oponentes.

Uma novidade dessa edição, é que agora é possível se tornar um(a) babyface — lutador com postura e personalidade mais heróica, amado pelo público — ou um(a) heel — lutador com postura e personalidade mais vilanesca, detestado pelo público. Isso de acordo com suas decisões ao longo da campanha. Essa simples mecânica abre possibilidades interessantes ao jogador e dá mais personalidade ao personagem criado.

Apesar da adição interessante, a gameplay fora do ringue no modo MyRise ainda é levemente engessada e robótica, o que pode incomodar durante sessões longas, fazendo o jogador se apressar pulando diálogos e interações a fim de retornar às lutas o mais rápido possível.

Showcase 

CM Punk funciona bem com esta proposta narrativa e criativa da WWE, especialmente por conta do hiato de anos fora dos ringues, que permite ao jogo explorar diversos “e se” e confrontos inéditos, além de revisitar momentos históricos de sua carreira. Durante a progressão, há cutscenes com narração do próprio lutador, dando ritmo e perspectiva pessoal à campanha e incentivando o jogador a participar dessa jornada.

Na prática, porém, a exigência de cumprir objetivos específicos para avançar (ao invés de simplesmente vencer a luta a qualquer custo) pode tornar a gameplay ocasionalmente superficial, especialmente quando levamos em conta que, acima de tudo, se trata de um jogo de luta. Algumas partidas jogadas se tornaram consideravelmente mais difíceis por forçar essa mecânica, sem necessariamente refletir a curva de aprendizado em relação ao combate, apenas exigindo que o objetivo fosse cumprido para concluir a partida.

Gameplay

É aqui que vemos uma melhora sutil (e muito bem-vinda) do jogo em relação a edição anterior. Apesar de esses aspectos não serem citados com o devido destaque no material do jogo, notamos que a movimentação dos personagens e até suas expressões faciais foram melhoradas, de forma que as lutas parecem mais orgânicas e naturais. Em determinado momento pulei por cima da lixeira em uma partida no modo Dumpster para atacar o adversário que estava logo a frente, percebi que o personagem reagiu ao objeto com extremo realismo, inclusive apoiando no ponto certo ao driblar o obstáculo. Esse tipo de cuidado traz mais imersão à jogatina.

Outro ponto que busca aproximar o jogo dos eventos reais da WWE é a possibilidade de interagir com o público de forma positiva ou negativa durante as entradas dos lutadores. Há também ataque surpresa e a possibilidade de escolher como começar cada partida, sendo mais respeitoso apertando a mão do adversário ou partindo pra cima pra trocar socos. Esses detalhes tornam cada luta única, especialmente no modo MyRise, que valoriza ainda mais a personalidade do personagem criado pelo jogador.

Pontos de melhoria

Um ponto de melhoria da gameplay está relacionado especialmente a defesa e contra-ataque, sendo necessário apertar botões para se defender de determinados ataques. Apesar de o jogo exibir o botão correspondente à defesa, em alguns casos o tempo de resposta é praticamente imperceptível e o desdobramento pode ser desastroso, decidindo o resultado da luta ou, na maioria dos casos, causando atordoamentos demoradíssimos. A padronização do tempo de resposta e/ou possibilidade de ajuste pelo jogador já solucionam esse ponto. 

A versão testada não tinha localização em PT-BR, nem mesmo nos menus e legendas. Considerando que a edição anterior também não contava com essa opção, seria uma adição bem-vinda e prática para um estúdio do porte da 2K, que pode até ser aplicada por meio de um patch de atualização futuramente.

O show nunca acaba

Ainda que alguns dos novos modos de jogo pareçam dispensáveis, o jogador tem um grande leque de opções tradicionais e de personalização para criar partidas únicas ao seu próprio gosto e ritmo. Os pontos de melhoria citados não invalidam a experiência geral, especialmente para jogadores já habituados com os títulos anteriores.

Apesar do conteúdo inédito, o que se destacou no meu primeiro contato com o jogo realmente foi a forma que a 2K trabalhou para deixar o combate mais realista e orgânico; a narração, a interação com o público, os ataques surpresa e a liberdade do jogador conduzindo o início dos combates mostram que nem só de realismo gráfico se trata uma boa experiência de jogo, fazendo deste o título que mais aproxima o jogador do espetáculo grandioso criado pela WWE.

Em uma análise completa teremos a oportunidade de revisitar o jogo e validar ou reavaliar os pontos aqui citados, dando então nosso veredito final.

Versões e conteúdos

WWE 2K26 será lançado em 13 de março para PlayStation 5, Xbox Series, Nintendo Switch 2 e PC (via Steam). Disponível em quatro edições diferentes, cada uma terá sua respectiva arte de capa e pacotes de conteúdo. Acima da versão Standard, todas as versões especiais garantem acesso antecipado ao jogo, que, nesse caso, fica disponível em 6 de março. 

  • Standard Edition (13 de março) – O atual campeão peso-pesado, CM Punk, retorna à capa do jogo após estampar WWE 13, sendo um dos poucos lutadores a aparecer na capa de mais de uma edição da franquia.
  • King of Kings Edition (6 de março) – Antiga Deluxe Edition, celebrando a carreira do superstar Triple H. Além do jogo base, acompanha pacote Joe Hendry, Ringside Pass Premium Temporada 1, 32.500 VC e o pacote King of Kings, que traz o personagem Triple H ‘98 e Stephanie McMahon ‘00, e o emote “Triple H Signature Taunt” para o The Island.
  • Attitude Era Edition (6 de março) – Celebra uma das eras mais emblemáticas (e controversas) da WWE, responsável por consolidar grandes nomes dos ringues. Além do jogo base e do conteúdo da King of Kings, acompanha acesso Ringside Pass temporadas 1-4 e o pacote Attitude Era, que traz os personagens The Rock ‘99, Kane ‘98, e Chyna ‘97 “Stone Cold”, Steve Austin “Rattlesnake” e The Rock “People’s Champ”, cartões MyFACTION EVO, arena Raw Is War ‘98, e os emotes para The Island “Undertaker ‘Thumb Across the Neck’” e “Shawn Michaels ‘DX Crotch Chop’”. O Mega-Boost Superstar também está incluso, garantindo 200 MySUPERSTAR pontos de atributo para o MyRISE, além de 100.000 VC.
  • Monday Night War Edition (6 de março) – Edição super premium que homenageia o confronto histórico entre a WWE e a WCW, reunindo lutadores icônicos de ambas as marcas. Além do jogo base e de conteúdo da Attitude Era Edition, acompanha acesso Ringside Pass temporadas 1-6 e o pacote Monday Night War Edition, que traz os personagens Shawn Michaels DX, Macho Man Randy Savage ‘98, Rowdy Roddy Piper ‘98, a arena WCW Thunder ‘98 e um emote “Bang!” de Diamond Dallas Page para The Island. A edição também concede direito ao WrestleMania 42 Pack, que inclui a arena WrestleMania 42 e três cartas de Persona de Superstars da WrestleMania 42, que serão concedidas automaticamente após o lançamento.
Agradecemos a 2K pela oportunidade de participar do hands-on de WWE 2K26.
 
Revisão: Ives Boitano 

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Lucas Simões
Designer por amor!(?) Curto motores, jogos e tecnologia. Nintendista de araque que joga Playstation e sadomasoquista do universo Souls. Estou sempre criando alguma coisa! No Instagram sou @lucascarval.
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