Análise: Centipede Gun — uma centena de patinhas armadas para causar o caos com um sorriso no rosto

Equipe cada segmento do seu corpinho com canhões, projéteis e até facas, para eliminar seus inimigos rapidamente.

em 27/02/2026
Insetos têm sido fonte de inspiração para os games há mais de 50 anos, seja como heróis, vilões, acessórios ou o que vier na cabeça dos criadores. O desenvolvedor brasileiro Mateusk2m resolveu transformar uma centopeia em uma possível máquina de guerra com Centipede Gun, um shooter roguelike no qual a missão é matar ou morrer, com direito ao adicional de um chapéu estiloso.

Centopeia modular

Com ação direto ao ponto, nosso quilópode começa apenas com uma bolinha. Já no menu podemos escolher qual será o seu poder inicial, e entre as opções temos: dar tiros, deixar um rastro destrutivo ou lançar lâminas giratórias, por exemplo. Também é possível optar por um chapéu para a pequena criatura que trará alguma variação a cada partida, como desconsiderar o primeiro acerto recebido, aumentar a velocidade do movimento, aumentar a quantidade de dinheiro ganho, ou só estampar um sorriso no seu lindo rostinho mesmo.

Cada rodada traz três ondas de inimigos, e é possível gastar uma graninha para comprar um poder adicional aleatório, o que acrescenta um módulo na centopeia. À medida em que ela cresce seu poder de fogo aumenta, mas seu tamanho também a torna um alvo cada vez mais fácil de ser atingido. 

Algo criativo nesse quesito é que o poder escolhido pode ser acoplado em qualquer extremidade ou lateral do bichinho, fazendo com que ele tenha diferentes formatos à cada partida. Por isso, é necessária habilidade na hora de movimentá-la pelos grupos de inimigos que aparecem em um espaço curto.

E é nesse momento que aparece a única parte um pouco mais peculiar de Centipede Gun, que é a movimentação. Usamos apenas as alavancas analógicas: A esquerda para andar para frente e a direita para mudar a direção da centopeia. Independente do seu tamanho, às vezes parece que ela vira muito rápido, passando um pouco da rota que queremos tomar. É uma questão de morrer e tentar de novo algumas vezes para criar costume.

Lutando pela sobrevivência

Por ser um tipo de ação desenvolvida em loopings, Centipede Gun pode ser cansativo para quem não gosta da pegada de ficar tentando a mesma rotina com itens aleatórios. Agora, se você quer um desafio que escale rapidamente, então aqui é o seu lugar.

Ao todo são 15 fases, com três chefes. Só que ao terminar o primeiro ciclo surge um Novo Jogo +, e depois dele ainda tem mais dois, sendo o terceiro bastante complexo. Mesmo assim, diferente de outros títulos do gênero que já experimentei, não achei este tão punitivo. 

Claro que, até eu aprender a utilizar as melhores combinações de poderes, morri diversas vezes, mas depois de assimilar padrões e contar com um pouco de sorte para conseguir as armas certas no momento propício, se tornou divertido voltar ao menu, tentar uma graça com um chapéu novo, e buscar um avanço maior do que o anterior.

Talvez Centipede Gun acabe, por ser tão centrado em sua gameplay, deslizando no restante da sua apresentação. O visual 8-bit até vai bem, mas a falta de uma variação ambiental acaba passando aquela sensação de mesmice. Além do tamanho e carinha da centopeia, a única outra coisa que muda é o padrão e tamanho dos inimigos. No mais, tudo acontece sempre dentro do mesmo espaço cinza.

Outra opção mal aproveitada é a da loja. Vez ou outra podemos ganhar estrelas pelo caminho, e essas podem ser usadas para comprar os poderes iniciais e chapéus. Entretanto, já iniciamos com uma quantidade mais do que suficiente para comprar tudo que está lá e ainda sobrar.

Seria bacana ter algumas metas atreladas ao desbloqueio de novos poderes que aparecem no meio da aventura, mas que não estão disponíveis de início ou de chapéus que colocassem alguns modificadores mais drásticos.

Pelo menos a trilha sonora merece o devido destaque. Com uma vibe meio Mega Man, cheias de energia e trazendo temas com solos de guitarra, elas acompanham bem o ritmo dinâmico da ação na tela e desempenham um bom papel de apoio na hora do clímax da trocação de tiros.

Tiro, porrada e centopeia

Centipede Gun é o tipo de título que você tem na biblioteca para revisitar vez ou outra e jogar algumas partidas sem compromisso. Em matéria de conteúdo seu fator replay é baixo, mas quem gosta de uma pegada mais arcade (direto ao ponto, com a aleatoriedade desafiadora dos roguelikes) vai encontrar uma diversão sincera.

Prós

  • O nível de dificuldade é justo, conseguindo balancear loucura e facilidade sem ser extremamente punitivo;
  • A ideia de empilhar poderes no corpo da centopeia em qualquer ordem é criativa;
  • Não importa o que aconteça, a centopeia estará com um sorriso no rosto e um chapéu maneiro.

Contra

  • Pode ser necessário um tempo para se acostumar aos controles;
  • O mesmo ambiente passa uma sensação de mesmice.
Centipede Gun — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela QUByte Interactive
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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